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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Cantadas batidas, respostas criativas

Você cota o preço e lá vem uma cantada para dar um desconto. Eu tenho raiva, horror de pechincha. O cara vai ao restaurante, olha o preço na porta e, se calhar, nem isso, come, bebe, pede a conta e paga o que está escrito. O cara vai cortar o cabelo, vê o preço na entrada do salão; se achar caro, não entra; se achar o preço razoável, entra, corta o cabelo, paga, deixa gorjeta e vai embora. Tradutor cota preço, ele pede desconto. Coisa chata, parece que a gente está vendendo camelo num bazar oriental. E o pior é que as cantadas se repetem. Faz mais de trinta anos que estou ouvindo as mesmas e o cara ainda acha que está sendo original.

Ando sem paciência para essas discussões de preços. Para acabar logo, costumo dizer que é o preço que cobro de todos os meus clientes e nenhum deles acha caro. Pronto, acabou. O cliente, que esperava outra reação, perde o pé de apoio. Nem sempre funciona, mas, ao menos, é divertido. E, de qualquer forma, nenhuma estratégia funciona sempre.

Tem outra interessante. Eu coto, digamos, mil reais e, no dia seguinte, vem lá o cliente dizendo que tem quem cobre setecentos. Fico quieto. O cliente diz alô, está ouvindo? Claro que estou. Pergunta o que eu tenho a dizer. Bom, ele pediu, não é? Eu estava caladinho, no meu canto, e ele pediu minha opinião, certo? Então, não reclama:

Independentemente de quanto eu cote, sempre vai haver quem cobre menos. Você encontrou um que cobra setecentos, poderia ter encontrado por menos, bem menos. É só procurar um pouco. Cabe a você, agora, decidir se quer o serviço do colega por setecentos ou o meu por mil. Toda decisão envolve riscos, não é só esta. E é uma decisão sua, inteiramente sua, como também é sua a responsabilidade pelo resultado. Não há nada que eu possa fazer. Se você optar pelo colega de setecentos e o serviço for bem feito, você economizou trezentos para a sua empresa. Se fizer um serviço mal feito, você desperdiçou setecentos e pode perder muito mais, sei lá, quanto vale esse texto para você.

Quer dizer, jogo o problema no colo dele de novo. Mas não vou dar desconto pelo simples motivo de que ele disse que tem alguém que cobre menos. Nem que eu tivesse certeza de que era verdade. Aliás, se ele tem quem faça mais barato, porque não faz com o outro logo de uma vez?

7 comentários:

Anônimo disse...

Perfeito, Danilo... PERFEITO!!!

Luciano disse...

Bom dia. Acho a tua posição em relação à pechincha um pouco radical, embora no fundo em concorde em teoria contigo.

Eu, particularmente, gosto de pechinchar. Gosto de chegar em um loja e tentar reduzir o preço. Não, não se trata de nenhuma mania ou obsessão -- é simplesmente uma maneira de economizar. O brasileiro em geral é assim. E por que haveria de ser diferente no ramo da tradução?

É claro, dá para comparar o tradutor com o restaurante, como tu fizeste. Mas também dá para comparar o tradutor com as Casas Bahia. Naturalmente, tudo somente como exercício de comparação totalmente desprovido de preconceito ou juízo de valor.

No fim das contas, também não gosto de dar desconto, mas não acho que tais pedidos devam causar irritação.

Um abraço,

Luciano

Alex Phoenix disse...

Olá Danilo! Adorei ter encontrado o seu blog. Seus posts são muito inteligentes e criativos.

Eu gostaria de lhe convidar para visitar o meu, que trata de vários assuntos, para todos os gostos:

http://alex-phoenix.blogspot.com

Espero que goste! E eu também linkei o seu lá. Se aceitar a parceria eu agradeço muito!

Abraços e continue sempre o bom trabalho!

Alex

Emilio Pacheco disse...

Assim como o Luciano acima, conheço gente que gosta de pechinchar. Que acha que isso faz parte do jogo. Já fui criticado por nunca pechinchar. Mas realmente não gosto. Certa vez uma namorada minha passou um sábado inteiro pechinchando o preço de um carro. Ligava para uma concessionária e dizia: "Consegui por tanto." Ganhava um desconto. Ligava para outra e dizia: "Consegui por tanto." Ganhava outro desconto. E assim ela perdeu um dia inteiro para ganhar o melhor desconto que conseguiu. Em compensação, perdeu de aproveitar o sábado. Mas, para ela, aquilo era uma curtição. Eu realmente não consigo pechinchar, não adianta. Mas já fui criticado por isso. Já escrevi sobre isso no meu blog aqui:

http://emiliopacheco.blogspot.com/2005/08/miudezas.html

Danilo Nogueira disse...

O cliente tem todo o direito de pechinchar e de pedir um desconto. Eu tenho todo o direito de não gostar de pechincha e não dar o desconto.

Anônimo disse...

Minha atividade profissional é de fazer compras...se ñ penchincar ñ faria sentido minha importancia na empresa.Ate porque muitos sabem que os brasileiros gostam de pechinchar e os vendedores colocam os preços nas alturas pra ñ perder tanto...assim funciona o comencio...para tanto, exalto a importancia dessa "arte"...pois quem sabe a dificuldade de conseguir o seu dinheiro sabe como valoriza-lo o maximo possivel!

Danilo Nogueira disse...

E a minha é fazer vendas (das minhas traduções)e quem sabe a dificuldade de fazer o seu trabalho também sabe como valorizá-lo o máximo possível.

Mas é a lei a vida: enquanto tiver gente disposta a traduzir por dez, você não vai me pagar doze. Por outro lado, enquanto houver quem me pague doze, não adianta pechinchar que não vou trabalhar por dez.