terça-feira, 22 de setembro de 2009
Causo Relampo
sábado, 24 de janeiro de 2009
E essa tal de crise, heim? (continuação)
Quando consultado sobre preços, jamais diga "Ah, bom, eu estava cobrando dez, mas sabe, a crise anda feia e tive que baixar para oito". Isso é uma demonstração clara de que as coisas andam mal para o seu lado e onze entre cada dez clientes, ao ouvir uma afirmação dessas, vão tentar chupar o teu sangue por canudinho.
Se o cliente perguntar como você anda de serviço, lembre que nada obriga você a dar essa informação. Quanto você tem de serviço, quanto trabalha, quanto ganha, são dados confidenciais. Já chega o leão, que fica futricando a nossa vida. Não se pode responder com um ressonante "não é de sua conta", lamentavelmente. Se você for do tipo gozador, pode sair com uma brincadeira qualquer, do tipo "não seja curioso", "é confidencial", "quê? Detetive, você, agora?" ou coisa que o valha. Se não for, ou se o relacionamento com o seu cliente for mais formal, cite o último serviço bom que você fez — mas não vá dizer "bom, há três meses recebi uma lauda e meia de uma agência aí, mas ainda nem conseguir receber". Enfim, você me entende.
Logo volto ao assunto, mas por hoje é só.
Redigido por Danilo, com as habituais sugestões, revisões, palpitações e puxões de orelhas da Kelli.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
E essa crise, heim?
Até um agnóstico empedernido como eu sabe que o futuro a Deus pertence, mas tem uma que outra coisa que a gente pode ir esperando.
O volume de serviço deve cair verticalmente. Quem tinha muito serviço, vai ter um fluxo médio, quem tinha médio vai ter pouco. Quem já tinha pouco pode ficar sem nada.
Caindo o volume, cai o preço. Vai ficar cada vez mais difícil cobrar "Tabela do SINTRA". Até aí, tudo bem. Mas a turma que trabalha para aquelas editoras e agências que pagam entre uma miséria e quase nada por palavra e ainda atrasam o pagamento vai ter que tomar uma atitude, porque chega a um ponto em que não vale a pena mais trabalhar — se é que ainda vale trabalhar para essa gente. Mas tem um limite, sim, e conheço vários colegas que estão nesse limite, embora nem todos tenham percebido.
Quer dizer, trabalhar menos a preço mais baixo. O bicho vai comer.
Pior são os aproveitadores. A crise mal estava se iniciando e já tinha agência chorando lágrimas de crocodilo, pedindo descontos e favores absolutamente sem necessidade, jogando com o nosso medo. Vai ter muito disso, sempre tem.
As piores são as agências que vivem de subcontratar serviço no exterior. Sabe como funciona, não? A Empresa X, lá fora, precisa de uma tradução para o português. Encontram três agências que traduzem "from Afrikaans to Zulu" e leiloam a tradução entre elas. Leiloam, porque não entendem uma palavra de português e, portanto, como critério de escolha, só têm o preço. Ganha a Alpha International, que funciona no fundo do quintal de um aventureiro qualquer, mas tem um site bonito. A Alpha Internacional então leiloa o serviço entre várias agências brasileiras, porque, na verdade, nunca tiveram um tradutor de português nos seus cadastros. Como não sabem nada de português, o critério único é o preço. Ganha a Agência Beta Brasil, que, então distribui o trabalho entre seus tradutores. Quer dizer, ao pegar o serviço da Beta Brasil, você é vítima de dois leilões reversos.
O assunto é fascinante, mas tenho que ficar por aqui. Volto a ele no próximo artigo, que deve aparecer no sábado.
Redigido por Danilo, com as habituais sugestões, revisões, palpitações e puxões de orelhas da Kelli.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Me dá um desconto aí!
- Tivemos de dar um desconto ao cliente final;
- Atuamos no mercado XXXX, onde os preços são mesmo menores;
- Foi uma concorrência brutal, contra fulano e beltrano, que, sabidamente, cobram pouco e tivemos de cobrar ainda menos para ganhar;
- O trabalho já tinha sido feito uma vez, por outro tradutor, ficou mal feito e não podemos cobrar do cliente duas traduções, estamos, inclusive, absorvendo um prejuízo;
Aceitar ou não aceitar, eis a questão! Claro que, se você está com a corda no pescoço, qualquer cinco milréis é dinheiro e eu já fiz mais de um serviço a meia-paga.
Por outro lado, se você for aceitar, pode ter certeza de que o mesmo cliente vai voltar com outro pedido de desconto: a concessão de um desconto sempre gera mais pedidos de descontos. É quase impossível migrar de meia-paga para remuneração integral, não importa qual seja o cliente.
O cliente pode até jurar que é só esta vezinha que ele vai pedir desconto e que vai haver muito mais serviço com remuneração normal e mais mil coisas, mas não demora vem outra choradinha. Se você concedeu desconto uma vez, não importa qual seja a alegação feita pelo cliente, na próxima vez ele vai lembrar que você deu o desconto e não se esquecer de pedir outro. E lá começa o chororô de novo.
Só para evitar choradeiras futuras, já vale dizer que não. Mas, como já insisti aqui mais de uma vez, tem de ser um não firme e educado.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Revisão de tradução automática
Um colega conta que tem recebido propostas para revisar tradução automática.
Para evitar mal-entendidos, tradução automática é aquela feita com programas tipo Babelfish, que não tem nada, mas nada mesmo, que ver com tradução feita com auxílio de Wordfast, Trados, DéjàVu, etc.
Isso dito, podemos voltar ao assunto. Então, um colega conta que tem recebido propostas para revisão de tradução automática. Um grande progresso, porque não faz muito tempo o consenso era que tradução automática se mandava para a frente com casca e tudo.
Aqui, então, o problema é quanto cobrar. Há anos estão dizendo que está para sair um programa de tradução automatizada que vai acabar com a raça dos tradutores, mas ainda estamos esperando. Entretanto, estão cada vez melhores. E nem todos são tão toscos quanto o Babelfish e o Powertranslator. Com isto e mais aquilo, uma coisa e outra, tem mais de uma agência testando esses recursos, para tentar reduzir custos, já que não têm mais como segurar a paga dos tradutores, que já anda baixa o suficiente.
Acho essa tentativa legítima. Todos, incluindo nós e nossos clientes, têm o direito de procurar reduzir custos. Eu estou agora procurando mexer numas coisas aqui no escritório para reduzir meus custos e aumentar meu lucro também. Por que os meus clientes não podem fazer o mesmo?
O fato é, por outro lado, que revisar textos traduzidos automaticamente demora mais e, portanto, deve custar mais. Se, no fim das contas, juntar tradução automatizada com revisão humana sair mais barato para a agência, sorte deles.
Mas eu não vou reduzir meus rendimentos para fazer gracinha para agência. Se aparecer pela minha frente um serviço desses, vou fazer uns testes e, em seguida, cotar um preço condizente com o tempo que vai me tomar. Esse preço vai variar desde aproximadamente o que eu já cobro por revisão de tradução humana até meu preço para fazer a tradução total do texto de novo. Posso errar da primeira vez, mas, com o tempo, vou aprender.
Aliás, mesmo quando se trata de tradução humana, vale a pena dar uma boa olhada antes de cotar um preço, porque tem uma turma por aí que é pior que o Babelfish. Mas isso já é outra história.
Obrigado pela visita e volte sempre. Agora, vou procurar atualizar este blog todos os dias com algo de interessante. Antes de ir embora, por favor, clique aqui e deixe seu comentário.