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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Você sempre Passa nos Testes?

Escreve o Paulo:

Eu gostaria de saber uma coisa, você sempre passa nos testes em que compete com outros tradutores? Já aconteceu de não passar? Pergunto isso para aliviar minha frustração, pois algumas vezes eu passo nos testes outras não.

Bom, Paulo, não sei por que você não passou: não vi o teste (e, aliás, prefiro não ver). Mas não ser aprovado faz parte do jogo. Os motivos são inúmeros, desde absoluta incompetência do candidato até absoluta incompetência do avaliador e todas as outras possibilidades que você possa imaginar mais umas tantas em que você jamais pensaria.

Na minha infindável coleção de historinhas, tenho a de um cliente, uma firma de auditoria, que tinha, entre sócios e gerentes, umas trinta pessoas (naquele tempo, isso era bastante gente; hoje seria pouca). Um dos gerentes avisou a encarregada de serviços de tradução que, em qualquer caso, para ele, eu era a última escolha, porque meu texto era ruim. "Qualquer um dos outros é melhor que o Danilo".

Nunca descobri o que ele queria dizer com isso, porque nunca tive uma chance de conversar com o homem e ver a que ele objetava, o que é uma pena. Isso nos leva à conclusão lógica desta nossa conversa: o pior não é ser reprovado, o pior é não ter a mais remota idéia do motivo da reprovação.



segunda-feira, 28 de abril de 2008

Fiz um teste numa agência!

O colega novato está todo pimpão porque fez teste em uma agência. Mandou o teste, está ansioso pela resposta. Mas a resposta não vem. Podiam – diz numa mensagem a um grupo de tradutores – ao menos dizer se foi aprovado. Esperava, é verdade, um retorno mais pormenorizado, o teste corrigido, avaliado, comentado. A decepção é grande.

Mas, querendo o não, é assim que funciona.

As agências recebem toneladas de currículos e de testes todos os dias e como todos os dias nas agências são uma verdadeira loucura, a análise sempre fica para amanhã. E cumpridores de seus compromissos, o amanhã vemos isso é mantido todos os dias.

Currículos e testes são guardados em pastas para leitura futura, às vezes com alguma marca para identificar o par de línguas e especialização. Alguns são destruídos na hora, quando quem recebe acha que o candidato não tem condições de trabalho. Por exemplo, um CV onde consta estudo inglês à dez anos provavelmente vai para o cesto de lixo na hora. A maioria dos testes e CVs, entretanto, é preservada.

As agências vivem sob pressão imensa, tanto de prazos como de custos e, de modo geral, preferem entregar os serviços a gente em quem já tem confiança. Quer dizer, o setor de vendas aceitou um pedido de 120 laudas para fazer em três dias. Não tem quem dê conta sozinho, tem que dividir entre três tradutores e rezar para nenhum atrasar. Quem vai se arriscar com um desconhecido, numa hora dessas, especialmente se for inexperiente?

Bom, e quando é que chega a hora do novato, do iniciante? Geralmente, na hora do sufoco. Não tem ninguém conhecido para dar jeito em um serviço; então, vamos abrir a pasta de CVs e testes. Fuça-que-te-fuça, achamos alguém que parece ter alguma chance. Liga para ele já, pelo amor de Deus! Telefone não atende. Pega outro, vamos, rápido, que o tempo se escoa. Tem mais este, vamos ver, trim, trim, trim, alô, é da casa do fulano? Olha, nós temos um serviço para você. Está ocupado? Obrigado, fica para a próxima. Outro, vamos lá. Até que aparece um que pega o serviço. O gerente de projeto suspira, faz uma prece e carrega na Maracujina.

Lembre, agora, por favor, que eu não tenho uma agência e nem repasso serviço a ninguém, mas sei como as coisas acontecem. Não estou dizendo que este seja o melhor dos mundos, estou afirmando que este é o mundo em que vivemos. Também é bom lembrar que a vida nas editoras é menos histérica, porque os prazos, embora apertados, não se contam em horas e nem é comum dividir serviço entre meia dúzia de tradutores.

Para você, que está começando, isso significa que a agência à qual você mandou o teste ou o CV pode demorar meses para te chamar, ou pode não chamar nunca. Por isso, fazer três ou quatro contatos não é nada. Pense em termos de ao menos uma dúzia. E não espere milagres instantâneos. Pode demorar um bom tempo até formar a carteira. Mas o primeiro cliente é sempre o mais difícil de conseguir.