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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Edição Extra: Desaforo!

Gente, é demais. Aconteceu de novo. Todo santo dia acontece, não tem exceção. Não falha um!

"Estudo inglês a 10 anos" 

Ótimo, mas, não teve dez minutos, nesses dez anos, para aprender a escrever português? Para aprender que é "há dez anos"? E quer se dedicar à tradução! De vez em quando, me ferve o molho de tomate que me corre nas veias e dá vontade de responder como se respondia no Brás, na minha infância. Mas não adianta. Primeiro que a destinatária da correção ainda responde com mimimi, 'tadinha. Segundo, que vem a turminha do "ah, temos que fazer críticas positivas" passar a mão na cabecinha de bagre. Farei, então uma crítica altamente positiva: quer ser tradutor? Ótimo. Gaste cada minuto livre de sua vida estudando a sua segunda língua (provavelmente o inglês) e para cada minuto que estudar a segunda língua, estude ao menos dois de português. Agora, escreva 100 vezes:

Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
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Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.
Estudo inglês há dez anos.

O enlace para este artigo é http://www.tradutorprofissional.com/2009/11/edicao-extra-desaforo.html. Quando aparecer pela sua frente um "a 10 anos", ou, pior "a 09 anos", responda com o link.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desaforo!


É mais uma história de estudantes que de tradutores, mas serve. Quando minha mulher entrou na faculdade, já casada, era vítima da esnobação de algumas colegas que se vestiam melhor que ela, frequentavam restaurantes onde nós nem pensávamos entrar - e não perdiam a oportunidade de demonstrar sua vasta superioridade sobre a Vera.

Um dia, descobriram que tínhamos em casa praticamente toda a bibliografia do curso, e a cara coleção dos Clássicos Aguilar quase que completa, ainda por cima. Perguntaram, admiradas, à pobretona da classe onde ela conseguia dinheiro para comprar tudo aquilo. A Vera não era muito conversadeira nem muito ágil nas respostas, mas, naquele momento, teve um raro lampejo e se saiu com um "simples, não compro as roupas que vocês têm nem frequento os lugares aonde vocês vão." Voltou para casa de alma lavada.

Posteriormente, várias vezes essas mesmas "colegas" lhe pediram livros emprestados e a resposta era sempre a mesma: livro, marido e violão, não se empresta, cada um que tenha o seu. Granjeou muitas inimizades, claro. Mas não deixou que os outros a fizessem de boba.

Nunca fiz faculdade, mas me irrito com o tipo de "colega" que nunca tem dinheiro para comprar equipamento ou material de trabalho e vive pedindo a caridade alheia, mas para vestir roupas de griffe, viajar para o exterior, frequentar locais da moda, nunca lhe falta o dinheiro.

Para mim, está na mesma categoria do cliente que tem dinheiro para pagar uma boa agência de publicidade, uma gráfica de primeira, mas na hora da tradução, fica esmolando serviço a meia paga porque não tem mais verba.

Uma variante dessa gentalha é o preguiçoso que pede em lista ou Orkut ou o que seja a tradução de palavras que estão em qualquer dicionário. Pega o serviço mas quer que eu faça a pesquisa.

Não ajudo essa gente. Não sustento chupim. Só ajudo quem está fazendo sua parte.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Readaptação de tabela de valores"


Recebi, de uma agência escocesa, uma mensagem avisando que, dada a demanda por bons tradutores, estão aumentando nossas taxas. Estou - e não só eu - lotado de serviço.

E, aí, me aparece uma colega avisando que um cliente dela passou uma circular afirmando que está readaptando a tabela de valores para acompanhar a concorrência do mercado. Isso, para mim, é um eufemismo para dizer: pretendemos pagar ainda menos. Vão para o diabo que os carregue, com as devidas desculpas ao demônio e sua Ilma. família. Ainda por cima, é covarde: entende, ele é bonzinho, não quer baixar as taxas, são os outros, entende? São os outros, é o mercado. Os "outros" devem estar dizendo o mesmo. Nunca se esqueça que somos os outros dos outros.

Existem intermediários que só conhecem uma estratégia de negócios: cobrar menos do cliente final e pagar menos ao tradutor. Nem todos são desonestos, mas são todos incompetentes, porque ter exclusivamente a estratégia de esfolar o fornecedor é prova cabal de incompetência.

O que quer que aconteça, não importam as condições, esse pessoal aplica sempre a mesma estratégia: corta preços, corta pagamentos e vive da miséria de tradutor. A tal da crise é mero pretexto a mais: essa turma SEMPRE chora as mágoas e pede descontos. Chega de ser boba, reaja!

Uma sugestão: digamos que você esteja cobrando 100 dos clientes atuais.

  • Se um cliente atual pedir para reduzir para 80, recuse, com firmeza e educação. Não é sempre uma excelente resposta. Se você tem serviço a 100, não faz sentido trabalhar por 80. Se o cara fez um mau negócio e não pode pagar mais, ele que de dane.
  • Se aparecer um cliente novo oferecendo 100, diga que seu mínimo é 120. Serviço a 100, você já tem, não troque seis por meia dúzia.
  • À medida que for agregando os 120 à carteira, volte aos 100 e diga todos estão pagando 120. Se o cara recusar, larga dele. Por que trabalhar por 100 se você está conseguindo 120?
Ah, uma coisinha, sempre procure trabalhar melhor que o cara que faz por oitenta.

Pode ter certeza de que, com essa estratégia você vai perder clientes. Mas a perda não deve preocupar. É melhor ter 80% do seu tempo ocupado com quem pague 120 do que 50% ocupado com gente que paga 80 e mais 50% com quem paga 80. Assim, você pode descansar um pouco.

Lembre-se: coragem não garante vitória, mas sem coragem, você vai ser sempre derrotado.

sábado, 4 de abril de 2009

Fiquei cabreiro



Lá pelos meados da semana, me deu uma gana enorme de repassar uma série de conceitos a respeito de tradução e, em menos de três dias, encontrei uma boa dúzia de caras que chamam a tradução "parte da literatura". Para usar uma expressão muito em moda na minha adolescência, fico cabreiro com essas coisas. Tradução não faz parte da literatura coisa nenhuma.

Não precisa ser muito inteligente para saber que a tradução literária é importante. Também não precisa ser muito inteligente para saber que uma boa parte dos teóricos da tradução tem a tradução literária como ponto de partida. Mas também não precisa ser muito inteligente para saber que a maior parte do trabalho de tradução hoje e sempre não tem nada que ver com literatura. Conheço dezenas de tradutores que jamais traduziram nada de literatura na vida - muito menos de alta literatura. Quer dizer, para essa turma acha que tradução significa exclusivamente tradução de obra literária e que nós, a maioria, os que traduzem textos não literários, simplesmente não somos tradutores. Tradutores são eles, em sua nefelibática arrogância.

Agora, então faço uma pergunta, se tradução faz parte da literatura, por que se fala em "tradução literária", em vez de "literatura tradutória"? Ou será que eu esqueci o pouco português que sabia e agora num sintagma nominal desses o substantivo significa a espécie e o adjetivo é que indica o gênero?