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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Fidelidade

Fidelidade parece que anda fora de moda. E não é só a conjugal ou a partidária: e a tradutória também. Mas aqui se fala de tradução, não de casamentos e política, então vou falar de fidelidade tradutória.

Que me perdoem os teóricos da moda, mas eu acho fidelidade essencial. Meus clientes também acham, o que me parece mais importante ainda, porque são eles que me pagam. Então, me vem aquele colega versado em algumas teorias modernosas que andam por aí, à solta, e, com um risinho sarcástico, me informa, como se eu não soubesse ainda, que a fidelidade tradutória é impossível, que a voz do tradutor se faz sempre ouvir, queiramos ou não.

Não me resta dúvida que a fidelidade é impossível e que a voz do tradutor sempre se faz ouvir, queiramos ou não. Mas o fato é que o leitor que saber o que o autor do original quis dizer, não aquilo que você ou eu achamos que ele deveria ter dito. É isso o que o cliente e o leitor espera de nós: fidelidade ao original. E, se você aceita o encargo de traduzir alguma coisa e mete lá o seu bedelho mais do que o estritamente inevitável, fazendo com que a tradução. reflita mais o que você pensa do que o que pensava o autor, está entregando bugalhos ao cliente, em vez de os alhos combinados.

É meio como dar um recado. A pessoa diz - Danilo, por favor, diz ao Brederodes Funfas que não posso ir no sábado - e eu, ao encontrar o meu amigo Funfas, digo - A Melanésia pediu para avisar que vai no sábado, sem falta - porque a mim parece que a Melanésia faria bem em ir.

Sim, sim, mas é impossível ser fiel, diz lá o meu amigo. Sei disso. Mas digo que em sendo impossível ser totalmente fiel, há que ser tão fiel quanto possível. Quer dizer, isso de ser impossível ser infiel não quer dizer que agora é samba.

Ah, também sei que falar em original e tradução está fora de moda em certos círculos. Mas eu falo em original e tradução sem dó nem piedade. Não passo de um velho reacionário.

6 comentários:

Francisco disse...

Olá, Danilo.
Não pude participar de toda a última Reunião na Sala 7. Seria possível vc postar um resumo dos principais tópicos q vc comentou lá?
Obrigado,

Francisco

Anônimo disse...

Danilo,
É por atitudes assim que nunca me liguei muito em teorias. Prefiro a prática, o mais fiel possível.

Mas se acham que fidelidade é escravidão... usem tradução automática.

Stella Machado

Meg disse...

A idéia de fidelidade é uma das coisas mais complicadas, não importa o ramo no qual esse referente se aplique. Mas eu fico feliz em dizer que eu, recém saída do ovo, devo muito à teoria.

Concordo com o Danilo. Traduzir é pior que telefone sem fio, é difícil você não reinterpretar a Mensagem (com M maiúsculo porque Daniel Gile mandou) no meio do caminho. Mas devemos fazer o melhor que pudermos para agradar sim, a gregos e troianos (que por sinal, falavam a mesma língua o.O).

Só voltando à defesa da teoria, eu gostei de ter mexido com teoria de tradução porque mudou a minha percepção do trabalho em si, e inclusive me converteu ao trabalho, me transformando em "tradutora empoderada" (como a minha professora gosta de dizer).

Com a teoria meu trabalho ficou melhor e mais profissional, e eu devo muito às minhas leituras. Não sei se consegui explicar, mas depende dos seus objetivos. Pra mim a teoria funcionou. .o/

Anônimo disse...

Meg,

Não fui muito clara.
Não é que eu não valorize a teoria. Valorizo sim. No curso vi muita coisa que me ajudou, e como!
Refiro-me aos que ficam tecendo teorias a meu ver meio desnecessárias, meio complicadas. Dá a impressão de que a pessoa pensa mais a respeito de tradução e traduz menos. Prefiro partir para a ação e usar a teoria para dar uma arrumada no raciocínio.

Stella

Susana disse...

Danilo, concordo ipsis litteris com você! Sou fiel o quanto posso, não mudo nada desnecesariamente (pontuação, por exemplo, um item que costuma ser um diferencial importante de estilo), não uso paráfrase à toa, enfim, não compro essas teoria modernosas.

Karen disse...

Para mim a grande pergunta quanto a fidelidade é fidelidade a que, porque a meu ver, fidelidade ao que está escrito não é necessariamente fidelidade ao que a pessoa quiz dizer.... No começo do trabalho como tradutora eu vivia em dúvida sobre quanto podia modificar um texto, hoje, já acho simples porque se eu que eu escrevi diz o que acho que o cara quis dizer... tá decidido.