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domingo, 3 de agosto de 2008

Quanto representam as editoras no mercado de tradução brasileiro?

A pergunta vem da Denise Bottmann, aí em baixo, em um comentário sobre minha afirmação de que as editoras representam coisa de 5%, se tanto, do nosso mercado, se tanto.

A ver se me explico melhor agora.

Não existe dimensionamento preciso de nosso mercado. Por isso o se tanto. Há algumas observações empíricas de gente que se tem por bem informada.

Ninguém sabe quantos livros são traduzidos no Brasil e, mesmo que soubesse, não ia resolver, porque o que conta, do ponto de vista do volume de serviço, é o número de palavras (ou laudas, se quiserem), não o número de títulos. Também ninguém sabe quantos filmes são traduzidos para o setor cinema-TV-DVD nem muito menos quantos são traduzidos para o setor de publicidade e treinamento e nunca aparecem nas emissoras de TV, locadoras ou cinemas.

O mercado de juramentada é igualmente complicado: é fácil saber quantos TPICs há, mas é segredo de polichinelo que muito da tradução juramentada é e sempre foi feito por gente que não é TPIC. A quantidade de traduções juramentadas feita para atender às exigências da lei das licitações, por exemplo, é enorme e uma grande parte delas vai diretamente do tradutor para o lixo, porque ninguém vai ler mesmo. Mas são feitas e quem faz é remunerado.

Mas esses setores são a ponta do iceberg.

Muitos profissionais trabalham quietinhos em suas casas, para empresas comerciais industriais e para agências, no Brasil e no exterior. Eu sou um deles. Há cerca de 35 anos não aparece um trabalho meu assinado e, nesse período, traduzi milhões de palavras. Faça a conta: digamos que eu traduza só duas mil palavras por dia, que trabalhe somente 300 dias por ano. Multiplica isso por 35 e vê o que dá. Sou mais a regra que a exceção.

O setor de localização tem uma verdadeira usina de tradução. Os manuais, menus e telas de ajuda de todos os programas hoje vêm em português e isso representa uma montoeira de trabalho de tradução.

Muitas firmas e empresas, nos setores de auditoria, engenharia, advocacia, manufatura, têm suas equipes internas e ainda subcontratam gente de fora para os picos de serviço.

Existe uma fímbria do mercado, de tradutores eventuais (muitos deles exercendo também o magistério) trabalhando para clientes eventuais, que nunca foi nem vai poder ser quantificada. Uma miríade de pequenos fornecedores atendendo clientes com pequeno volume de serviço. Ainda a semana passada, uma sobrinha professora numa franquia de escolas de inglês da grande São Paulo me disse que várias de suas colegas ensinam em empresas e acabam pegando traduções que assumindo uma participação cada vez maior em sua renda.

Fora o que se faz, no meio acadêmico, para pessoas físicas.

Para não esticar este comentário por mais duzentas laudas, gostaria de lembrar que o grosso do mercado é de traduções do inglês, seguido pelo espanhol e, mais de longe pelo francês, alemão e italiano. Mas há os mercados para tradução de outras línguas (chinês, japonês, russo, grego, árabe e o que mais seja) de que as editoras praticamente não participam. E existe também o importante mercado de "versões", ou seja, tradução para línguas estrangeiras, de que as editoras praticamente não participam.

Quem participa das listas Trad-prt, Tradutores, Trad-livros, Profissaotradutor e da Comunidade 50302 do Orkut nota quanta gente há ativa que está fora do setor editorial. Na Litterati, evidentemente, é o contrário: é quase que só pessoal de editora. Mas a Litterati é uma lista especializada.

É por isso que alguns colegas chegaram à conclusão de que o volume de trabalho representado pelo setor editoria é exíguo, em torno lá dos seus 5%, a despeito de sua grande importância para a cultura. Aliás, o fenômeno não é exclusivamente brasileiro. Muito pelo contrário, até que aqui as editoras representam muito para nós tradutores. Em países como EUA e RU, sua presença é comparativamente menor e há inúmeros países onde se faz muita tradução sem que jamais alguma seja publicada em livro.

Antes que me esqueça com volume, quero dizer quantidade de palavras, caracteres ou laudas oferecidos à tradução, não número de clientes.

Agora, por favor, dê uma olhada aqui.

2 comentários:

denise bottmann disse...

ih! tradutor é mesmo uma raça avoada!
abracitos
d.

denise bottmann disse...

prezado danilo:
tenho tentado contato com vc por e-mail e pelo blog. tá difícil! tento mais uma vez. recebeste minha msg de onte?
tentamos tomar como base dados que vc publicou, na faixa de uma proporção 5:100, literária:outras - não conseguimos fechar os números de jeito nenhum! nem em termos absolutos, nem em termos relativos.
te pedi uma especificação melhor a respeito, mas não entendi bem a resposta. teria como vc especificar melhor: ou, em todo caso, pelo menos vc sustenta essa proporção? posso usá-la em nossa pauta para o minc, como dado concreto indicando vc como referência?

obg
d."

seria legal ter uma resposta sua :)

abç
denise