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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Desaforo!


É mais uma história de estudantes que de tradutores, mas serve. Quando minha mulher entrou na faculdade, já casada, era vítima da esnobação de algumas colegas que se vestiam melhor que ela, frequentavam restaurantes onde nós nem pensávamos entrar - e não perdiam a oportunidade de demonstrar sua vasta superioridade sobre a Vera.

Um dia, descobriram que tínhamos em casa praticamente toda a bibliografia do curso, e a cara coleção dos Clássicos Aguilar quase que completa, ainda por cima. Perguntaram, admiradas, à pobretona da classe onde ela conseguia dinheiro para comprar tudo aquilo. A Vera não era muito conversadeira nem muito ágil nas respostas, mas, naquele momento, teve um raro lampejo e se saiu com um "simples, não compro as roupas que vocês têm nem frequento os lugares aonde vocês vão." Voltou para casa de alma lavada.

Posteriormente, várias vezes essas mesmas "colegas" lhe pediram livros emprestados e a resposta era sempre a mesma: livro, marido e violão, não se empresta, cada um que tenha o seu. Granjeou muitas inimizades, claro. Mas não deixou que os outros a fizessem de boba.

Nunca fiz faculdade, mas me irrito com o tipo de "colega" que nunca tem dinheiro para comprar equipamento ou material de trabalho e vive pedindo a caridade alheia, mas para vestir roupas de griffe, viajar para o exterior, frequentar locais da moda, nunca lhe falta o dinheiro.

Para mim, está na mesma categoria do cliente que tem dinheiro para pagar uma boa agência de publicidade, uma gráfica de primeira, mas na hora da tradução, fica esmolando serviço a meia paga porque não tem mais verba.

Uma variante dessa gentalha é o preguiçoso que pede em lista ou Orkut ou o que seja a tradução de palavras que estão em qualquer dicionário. Pega o serviço mas quer que eu faça a pesquisa.

Não ajudo essa gente. Não sustento chupim. Só ajudo quem está fazendo sua parte.

6 comentários:

Anônimo disse...

Danilo, eu brinco (mas é sério) que metade dos problemas ambientais do mundo estaria resolvida quando ter status significasse ler, apreciar música e outras artes, viajar e conhecer de tudo (mais poluente, mas ainda assim aceitável em especial se o roteiro não se restringir a shopping center e restaurante "chique"), até praticar bem um esporte, e não fosse medido pelo tamanho do closet lotado de roupas inúteis, nem por ter sempre o carro mais bacana! A redução de emissão de gases do efeito estufa seria imediata! Ou seja, além de deixar boas lembranças a Vera fez à humanidade o favor de não deixar uma grande pegada ecológica. :-) Raquel

Biju disse...

Fui eu quem ficou (fiquei ?) com a alma lavada agora ! Faço a mesma coisa aqui no trabalho. Só ajudo que faz a sua parte.
Bom dia para você .

Ana Iaria disse...

Danilo, eu te disse que estou adorando ser Odete Roitman. É um luxo bancar a vilã, com classe é claro ;-) Mas faz um bem danado não ajudar quem mente pra conseguir trabalho e depois vem pedir água. A última ganhou a resposta: Oh, o filtro de spam pegou seu imeio....

Ana

Emilio Pacheco disse...

Tem gente que me critica pela quantidade de livros, CDs e DVDs que eu compro. Talvez imaginem que, com o mesmo dinheiro, eu poderia comprar um carro novo. É difícil para eles entender que, para mim, minhas coleções valem mais do que um carro novo.

Joao p. disse...

Acontece comigo o tempo todo, e não apenas profissionalmente. Pedem emprestado um dia, depois outro, daí se acomodam e, quando vejo, sou eu que tenho que implorar pra ter minhas coisas de volta. Via de regra, pra viajar dias, ficar sem trabalhar por opção e cair na esbórnia não falta. É difícil detectar rapidamente esses espertalhões, geralmente eles passam um bom tempo me dando nó até que eu decido cortar o cordão umbilical.

Anônimo disse...

"Nunca fiz faculdade, mas me irrito com o tipo de "colega" que nunca tem dinheiro para comprar equipamento ou material de trabalho e vive pedindo a caridade alheia, mas para vestir roupas de griffe, viajar para o exterior, frequentar locais da moda, nunca lhe falta o dinheiro" - Falou tudo Danilo, é o que não falta no mundo, gente "cenossão" financeira. Se as pessoas soubessem o valor real das coisas ÚTEIS, a maioria dos problemas financeiros do mundo seria resolvido.