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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ABRATES e SINTRA, mais uma vez

Este meu artigo gerou um artigo do Óscar Curros que aparentemente foi tirado do ar pelo próprio autor,  reacendeu a velha polêmica sobre ABRATES e SINTRA e gerou este comentário de um dos leitores aqui do blogue:

Danilo,

Sinceramente, não dá pra se entusiasmar com o SINTRA. Trata-se de uma saleta minúscula no final da Rua da Quitanda com uma única atendente. Tive a desagradável surpresa de visitá-lo. Imagina você andar no solão do Rio toda a rua da Quitanda para, finalmente, conhecer o seu sindicato e se deparar com a realidade.

Ao perguntar o que o SINTRA faz pelo tradutor, a única resposta é "o Sintra coloca o seu nome no sítio e oferece uma tabela sugestiva de preços". Tenha santa paciência, mas o SINTRA ainda precisa crescer para aparecer. Cobrar R$ 260,00 por ano para fazer isso é uma piada. Em todo o escândalo do Concurso para Tradutor Juramento do RJ, ele ficou caladérrimo e não moveu uma palha.

A ABRATES pelo menos se agitou um pouquinho nesse episódio do famigerado concurso, realiza os congressos de tradução, faz lá sua prova de credenciamento e etc.

Pronto. Desabafei. 


O artigo do Óscar Curros foi  discutido nas listas e no Orkut. Resumidamente:

Alguns tradutores não se associam porque as entidades não fazem nada, no que têm toda a razão. Outros tradutores afirmam que as entidades não fazem nada porque os tradutores não se associam e, por isso, falta dinheiro, no que, também, têm toda a razão. É um círculo vicioso a ser rompido.

Um terceiro grupo diz que quem reclama da diretoria está sempre errado e, em vez de reclamar, deveria montar uma chapa, candidatar-se às eleições e levar a entidade avante, para ver o que é bom para a tosse. Estes, a meu ver, estão sempre errados.

Quando eu vou a um restaurante e digo que a comida está mal feita, não se espera que eu consiga cozinhar melhor. Quando eu critico o prefeito, governador ou presidente, não se espera que  me candidate governe o faça um governo melhor que o deles.

Eu, por exemplo, sou péssimo administrador e, se fosse eleito diretor de uma das entidades, faria coisas horríveis, inimagináveis. Por isso que faço pela profissão aquilo que aparentemente sei fazer: escrever e falar.  Alguma coisa tenho que fazer, alguma coisa temos todos que fazer, se não for uma, que seja outra. Como diz o velho samba, “quem não sabe tocar violão nem pistão toca surdo.” A história do “não tenho tempo”, essa sim é um absurdo. Se você não tem tempo para os outros, não pode esperar que os outros tenham tempo para você.

Mas o fato é que, como mencionado no comentário reproduzido acima, o SINTRA não empolga a categoria nem com ações nem com propostas ou informações. A ABRATES faz bem mais, com os congressos e credenciamentos, mas ainda falha muito no quesito informação e divulgação. Note-se que o Congresso de Porto Alegre está aí, explodindo, na praça, com uma programação cada vez mais apetitosa — mas a página inicial do sítio da ABRATES sequer menciona o evento!

Do SINTRA, nada se sabe. Não acredito, não posso acreditar, que a diretoria não se reúna, não converse, não discuta, não tenha ideias a compartilhar conosco, não tenha planos. Alguma coisa hão de estar fazendo.

Provavelmente, nenhum dos diretores sabe como atualizar uma página em html, o que é perfeitamente desculpável e fazer um jornalzinho impresso agora está fora de cogitação, pelo custo. 

Mas se tivessem um bloguinho, a coisa seria simples, simples até demais. Qualquer pessoa razoavelmente alfabetizada por manter um blogue. Se até eu consigo, ora, esferas!

(Amanhã volto à Casa das Rosas — alguns dos colegas presentes à reunião me desafiam a falar sobre a Denise. Pois não perdem por esperar.)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Óscar Curros, Fundador da Óscar Curros Translations

O Óscar Curros, CEO e Fundador da Óscar Curros Translations, escreveu  em seu blogue sobre ABRATES e SINTRA, citando coisas que escrevi aqui.
Alguns colegas me perguntaram se eu não ia responder. Não tenho o que responder, oras! O Óscar Curros não me perguntou nada, só citou algo que escrevi. Meio picadinho, é fato, mas com o devido crédito. E deu lá suas opiniões, às quais tem todo o direito, como eu o tenho cá às minhas, que não são as dele, assim como as dele não são as minhas, se me faço claro. Não vou agora duelar com o colega mesmo porque não entendi bem o encadeamento das ideias, a começar pela referência ao Garganta Profunda, que me pareceu ter muito pouco que ver com o peixe.
De qualquer modo, o artigo me pareceu pouco mais do que uma tentativa velada de atrair gente para a IAPTI. Não faço, nem pretendo fazer, parte da IAPTI. Pode ser até uma entidade valiosa — pode até distribuir carteirinha válida no Brasil, como perguntou um colega numa das listas — mas certamente, sendo uma associação internacional, não teria como substituir nem SINTRA nem ABRATES, que nos representam em nível local. São coisas bem diferentes. Por exemplo, não me parece que a IAPTI, com todo seu valor, pudesse fazer algo sobre a estranha história do concurso para TPIC no Rio de Janeiro.
Alguns colegas também ridicularizaram o título de “CEO e Fundador da Óscar Curros Translations” que o Óscar atribuiu a si próprio, já que a Óscar Curros Translations parece ser tribo de um só ou muito poucos índios e um título tão altíssono, grandíloquo e sesquipedal pode parecer enganoso a alguns e megalomaníaco a outros.  Também acho meio exagerado, mas é a moda, agora e, evidentemente, direito dele usar, mesmo porque é pura verdade: o fundador é ele e certamente é ele quem apita.
Como eu ia dizendo, entretanto, é moda, agora, e conheço vários e várias CEOs, Diretores, Presidentes, Chairmen, Chairwomen, Chairpersons e Chairodiaboqueoscarregueatodoseles de empresas muito pequenas, que mal e mal comportam o chefe e uma recepcionista, se tanto. A Internet nos iguala a todos e permite a uma empresa microscópica se apresentar como se fosse uma grande multinacional. Pensei até em adotar para mim o nome de Vetusto e Venerável Grão-Nababo Geral das Traduções Nogueira, mas achei melhor desistir da ideia, embora continue preferindo “nababo” a “CEO”, que me parece antipático em português.
Sou a favor da liberdade de expressão e as opiniões do Óscar são bem-vindas, lembrando-se sempre que são as dele.
Por hoje, é só, que estou inundado de problemas. Amanhã, se estiver vivo, devo escrever sobre o debate da Casa das Rosas.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Mais sobre o Congresso da ABRATES


Inscrição dos que moram no exterior

Paulo Wengorski, presidente da ABRATES me autoriza a informar que quem vier do exterior pode se inscrever na hora, com um preço especial. Aparentemente, a ABRATES teve uma dificuldade burocrática com as empresas de cartões de crédito e não tem um jeito de aceitar pagamentos do exterior. Então, se você mora no exterior, venha e, ao chegar, apresente-se e pague a inscrição.

O programa

Está tomando forma a programação do congresso da ABRATES na Leal e Valerosa. Pelo jeito, vai ser muito bom. Algumas das pessoas que vão falar são minhas conhecidas de longo tempo, outras tiveram seus nomes elogiados por colegas exigentes, que não são fáceis de enganar com pirotécnicas verbais.

Uma menção especial para nosso colega João Roque Dias (talvez pouco conhecido no Brasil por ser português a mais não poder) que vai falar, entre outras coisas, sobre grafia de unidades de medida. A grafia é a mesma em ambos os lados do Atlântico e a maioria dos tradutores comete erros bisonhos na área. Eu próprio, que já andei xeretando o assunto, tenho várias dúvidas.

Esta é a programação, copiada da mensagem recebida da ABRATES.

Segue a programação preliminar do III Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da Associação Brasileira de Tradutores, que será realizado nos dias 19, 20 e 21 de março no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre, RS. Os horários serão divulgados em breve. Ainda faltam confirmações de alguns participantes dos painéis e palestrantes.

Primeiro dia: sexta-feira, 19/03

* Oficina 1: Terminologia e Glossários - Cleci Bevilacqua e Maria José Finatto

* Oficina 2: Tradução Simultânea - Ayrton Farias

* Oficina 3: a confirmar

Segundo dia: sábado, 20/03

* Painel 1: Tradução Juramentada - Tamara Barile (SP), Beatriz Rodrigues (Buenos Aires), Renato Beninatto

* Painel 2: Mercados Regionais - Claudia Chauvet (Centro-Oeste), Ayrton Farias (Nordeste), Danilo Nogueira (Sudeste), Mônica Koehler Sant'Anna (Sul)

* Painel 3: Tradução Literária - Sergio Flaksman (RJ), Luiz Angélico da Costa (BA), Moacyr Scliar (RS)

* Painel 4: Formação em Tradução e Interpretação - Marcia Martins (PUC-Rio), Cristina Carneiro Rodrigues (UNESP) e outros a confirmar

* Painel 5: Direitos Autorais - Denise Bottmann, Sergio Molina, Dra. Eliane Abrão

* Painel 6: Organizações - Beatriz Rodriguez (CRAL/ FIT), Heloisa Barbosa (Sintra), Paulo Wengorski (Abrates)

* Palestra 1: Credenciamento de Tradutores e Intérpretes - Vagner Fracassi (ex-presidente da ABRATES)

* Palestra 2: Internet, o continente do conhecimento, e a arte da tradução - Roney Belhassof (consultor em gestão do conhecimento)

* Palestra 3: Intérprete de Língua de Sinais: um novo profissional que se apresenta - Angela Russo

* Palestra 4: Conhecimento enciclopédico e tradução - Patricia Chittoni Ramos

* Palestra 5: Terminologia em textos técnicos - Maria da Graça Krieger

* Palestra 6: a confirmar

* Apresentações de temas livres propostos pelos participantes e selecionados pela comissão

Terceiro dia, domingo, 21/03

* Painel 7: Legendagem: Nick Magrath, Bruno Murtinho (4 Estações), Carol Alfaro

* Palestra 7: Ortografias: a Bela e o Monstro (1ª Parte - O Acordo Ortográfico: para quê?/ 2ª Parte - Unidades de Medida: uma Ortografia essencial para tradutores) - João Roque Dias (Portugal)

* Palestra 8: As armadilhas da tradução do espanhol - Carlos Ancêde Nougué

* Palestra 9: Tendências no mercado mundial de traduções ou "será que eu vou ter trabalho no ano que vem?" - Renato Beninatto

* Encerramento

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Não é muito evento para um mês só?

Pois é. Ontem os círculos tradutórios se viram inundados por conversas sobre o I Encontro Internacional de Língua e Tradução, promovido, teoricamente, pelo Instituto de Línguas Miguel de Cervantes e Instituto Phorte (que nome horrível!). Na prática, é coisa da Gama Filho. Já tinha informações particulares de que eles estavam para lançar alguma coisa, agora, saiu publicamente.

Nada contra. A Gama Filho é muito agressiva e usa métodos muito modernos, tais como montar um curso de pós graduação cheio professores capazes que funciona em várias cidades. O Encontro, como era de esperar,  vai ter muita gente de alto quilate e vai ser uma vitrine para os cursos da Gama Filho.  A organização parece estar ótima, com programa pronto, oferta de eventos à distância e mil outras coisas. Altamente recomendável. A organização do evento da ABRATES continua paupérrima, lamentavelmente.

O problema pior entretanto é a data. Por que os dois eventos tão juntos? O mundinho da tradução é pequeno e eu já sabia do congresso da ABRATES em julho do ano passado e do da Gama Filho desde o mês passado. Realmente, não acredito que os responsáveis pelos eventos estivessem menos bem informados que eu. Por que, então, essa programação louca? Mera coincidência? Não creio.

Se a ABRATES sabia do evento da Gama Filho ao marcar sua data, foram descabeçados, porque o poder de fogo do adversário é avassalador. Por outro lado, se a Gama Filho já sabia do evento da ABRATES ao marcar o seu, foi de uma descortesia ímpar, não só para com a ABRATES, mas também para com a classe tradutora, porque, para muitos, dois eventos em duas semanas é demais. Fazer o quê? É essa a elite tradutória.

O que eu vou fazer? Já tinha decidido ir a Porto Alegre, de uma maneira ou de outra, por motivos pessoais, e, depois de convidado para participar de uma mesa redonda, vou mesmo. Além disso, já tenho até encontros marcados lá com amigos diversos. Assunto encerrado. Vou ao evento da Gama Filho? Talvez. Mas, para mim, é fácil. O evento da Gama Filho é no Bixiga, que não fica muito fora de mão para mim. Para a maioria, entretanto, é uma escolha dura. 

domingo, 10 de janeiro de 2010

Edição Extra: Cidade do Panamá chamando ABRATES! Alô, alô!!!!!!!!!

Alô, alô ABRATES, Cidade do Panamá chamando e eu fazendo aquilo que os radioamadores chamam um “patch”! Fala Antonia! Câmbio!

Olá Danilo,

recebo sempre seus textos e são, para mim, algo muito especial e agradável de ler. Sou brasileira e tradutora juramentada na Cidade do Panamá, na América Central, e estou muito interessada em participar do próximo congresso da ABRATES, mas, sinceramente, eles ainda não abriram a possibilidade da inscrição internacional e assim fica difícil definir todos os detalhes da viagem, sem ter essa segurança de já estar inscrita. Queria sugerir que vc insistisse um pouquinho nesse aspecto, no blog, pra ver se o pessoal organizador fornece mais informação na página do congresso. Conto com sua força.

Um abração de uma gaúcha

Antonia Porto Alegre - é meu sobrenome mesmo.

Câmbio!

Se você que está me lendo agora tiver alguma ligação com a organização do Congresso, ou souber de alguém que tenha, por favor, dê uma mão para a Antonia. Eu vou mexer os meus pauzinhos aqui, a ver no que dá. Mas eles estão muito enrolados, mesmo. Imagina que na página da ABRATES eu não consegui encontrar um link para o Congresso? Pode até estar lá, mas deve estar meio que talvez um pouco difícil de achar. A página é esta caso você se interesse. mas eu, e creio que muita gente mais, acha que deveria haver um link bem visível, com um aviso em bom tamanho, na página inicial da ABRATES. Uma pena, porque, mesmo sem divulgação apropriada, o entusiasmo é grande e vai muita gente. Vazou o nome de alguns dos palestrantes, além dos dois que estão na página do Congresso e são gente boa, que vale a pena ouvir e conhecer pessoalmente. E Porto Alegre está cada dia mais bonita.

E eu quero ver a Antonia lá, turma da ABRATES, vê se vocês se mexem! A minha parte, eu já fiz.

Antonia, quero o teu abraço lá em Porto Alegre. Se você encontrar um senhor, alto, esbelto, charmoso, um toque de gris na rala mas vasta cabeleira esvoaçante à brisa do Guaíba, daqueles que fazem palpitar os corações de mulheres com idade de serem suas filhas, já fica sabendo que não sou eu. Mas, de alguma forma, você me acha.

E fico muito satisfeito de que você lê o blogue e que tem sido útil. Eu fico aqui, batuscrevendo essas coisas e são mas mensagens e comentários dos leitores que me dizem se alguém se interessa, se vale a pena continuar escrevendo.

Atualização: Ana Iaria, pelo Twitter, me manda isto. Duas observações: primeiro que o "soon" é o relaçõespubliquês para "Deus sabe quando" e a Antonia tem todo o direito de se preocupar, porque o tempo se esvai e viagens internacionais não se planejam em cinco minutos. 


Segundo que "International Inscription" para um congresso promovido por uma associação nacional de tradutores é uma vergonha. Que direito temos de reclamar da turma que usa Babelfish? 


Continuo planejando ir, acho que vai haver gente interessante falando, quero rever amigos, quero abraçar gente que nunca vi pessoalmente antes, mas a organização é um caos. E, pelo amor de Deus, tirem aquele "inscription" de lá.


Atualização 2: Acaba de me telefonar o Presidente da ABRATES, Paulo Wengorski, que, além de assumir a responsabilidade pessoal por resolver o problema da Antonia (e tirar as "inscriptions" do site), ainda me convidou para participar de uma mesa redonda. Eu ia mesmo ao Congresso, agora, vou com mais gosto. Entretanto, não retiro absolutamente nada do que disse até agora: a organização precisa melhorar muito. 


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A ABRATES, o SINTRA, o Congresso, Porto Alegre — e eu.

Você vai ao Congresso da ABRATES em Porto Alegre? Eu vou. Ou melhor, pretendo ir, porque a gente planeja e, no fim, dá tudo errado. Mas quero ir, pretendo ir, devo ir. Quem me conhece, sabe que eu tenho uma ligação afetiva muito forte com Porto Alegre, criada quando morei lá, ainda recém-casado, e fortalecida em visitas posteriores, quando fiz vários amigos na comunidade de tradutores do Rio Grande do Sul. Para ir a Porto Alegre, qualquer pretexto serve, nem precisa ser um bom motivo.
Quero ver a terra, quero abraçar os amigos, quero participar do Congresso. Estive nos dois primeiros, no Rio. Ao terceiro, tive de faltar, porque minha mulher já estava doente demais para viajar ou ficar sem mim mais do que algumas horas.
Mas o Congresso parece estar muito devagar. Não se vê nada nas listas de tradutores. Pouco ou quase nada no Twitter, embora a ABRATES tenha seu arroba próprio. Creio que nada no Facebook, uma que outra coisa no Orkut, mas, de oficial, praticamente nada. Parece até que o Congresso é secreto. Eu até fiz um agito no Twitter, mas, do pessoal da ABRATES, só apareceu o Marcelo Neves — que não participa das listas — e, mesmo assim, mais como particular do que como Tesoureiro da ABRATES.
A página é de uma pobreza franciscana. Há menos de três meses do Congresso, sabemos o nome de dois palestrantes:  Renato Beninatto, meu amigo de muitos anos, fundador da lista trad-prt e provavelmente uma das pessoas que melhor conhece o mundo da tradução profissional e Carlos Ancêde Nougué, de quem eu não tinha ouvido falar, mas parece ser pessoa de alta competência. O fato de que eu não conhecia Carlos Ancêde Nougué, a despeito dos meus 40 anos de militância tradutória, mostra uma das facetas importantes desses eventos, que é alargar nossos horizontes.
Mas fico aqui parafusando se SINTRA e ABRATES não fariam bem em sair um pouco do casulo, para postar umas coisinhas nas listas, Orkut e Twitter. Não ia custar tanto assim e podia até fazer muito pelo movimento, porque ambas as entidades parecem eternamente envolvidas em uma nuvem de mistério. Certo que ambas têm suas páginas na Internet, mas são coisas mortas, mais que mortas. Nem sei quando foram atualizadas pela última vez.
Nem um bloguesinho elas têm. Se a Kelli e eu conseguimos manter este blogue, porque nossas duas entidades representativas não podem? 
Agora vou contar para você de onde saiu este blogue: há anos, sugeri à ABRATES a criação de uma seção "Colegas de Amanhã" no site da entidade, para orientar os iniciantes e atrair mais associados para a ABRATES. Propus-me a escrever todos os textos sozinho ou juntamente com outros colegas. Recebi uma proposta amável e a sugestão de que formássemos um grupo de três, para não termos só a minha opinião. Os dois colegas lembrados para participar eram conhecidos meus e gente de capacidade. Aceitei na hora, satisfeitíssimo com a chance de trabalhar com eles.
Nunca mais me disseram nada sobre o projeto. Mudou a diretoria e não sei se a anterior julgou o projeto tão idiota que nem valia a pena repassar aos sucessores, ou se foram os sucessores que acharam a ideia toda uma bobajada só. Só sei que morreu o assunto. Ninguém é obrigado a concordar com minhas ideias, mas podiam ter dito que o projeto não ia sair.  
Depois de uns meses, me enchi de esperar resposta a criei este blogue que já estou escrevendo há mais de três anos. O ano de 2010 promete ainda mais.
Feliz ano novo!

domingo, 5 de novembro de 2006

Entidades de classe dos tradutores

Há duas entidades de classe para os tradutores: SINTRA e ABRATES. Ambas são alvo das mesmas críticas, as quais discuto abaixo.

São entidades puramente cariocas


O fato de que ambas têm sede no Rio de Janeiro tem motivos históricos e não me incomoda em nada. Em algum lugar têm de ter sede, pode ser no Rio ou em Boca do Acre. Já que estão no Rio, que no Rio fiquem. O fato de que a estrutura de ambas as entidades é tal que torna impossível a participação de tradutores dos outros estados pari passu com quem mora no Rio, me incomoda muito e já levantei o problema várias vezes.

Não me parece que alguma diretoria de qualquer das entidades tenha se preocupado com a questão. Todas quererem organizar uma "seção" ou "delegacia" paulista forte, mas nenhuma quer segregar os assuntos nacionais dos ligados especificamente ao Rio de Janeiro.

Quer dizer, a solução começa com a separação entre a "nacional" e a "carioca". Parece o famoso "departamento feminino" que há, ou havia, em alguns clubes e grêmios. Conta-se que um dia convidaram uma mulher consciente de sua igualdade com os homens para que dirigisse o "departamento feminino" de uma agremiação e ela respondeu que, antes de aceitar a honra, queria saber quem ia cuidar do departamento masculino. Nem SP nem nenhum outro lugar deve aceitar ser o "Departamento Feminino" das nossas agremiações. Quer dizer, sou frontalmente contrário à criação de uma "delegacia paulista" ou "seção paulista" enquanto não for criada a "delegacia carioca". Ou o Rio de Janeiro não é um estado? E tem que haver um modo de fazer com que quem mora fora do Rio possa participar ativamente das discussões e decisões. Ou será que alguém espera que todos compareçamos às reuniões no Rio de Janeiro?

Enquanto viger a situação atual, ou você está no Rio, ou é sócio de segunda classe. O statu quo parece convir.

Não fazem nada pela classe

Fazer, fazem, mas pouco, muito pouco, quase nada. Não fazem mais porque não têm recursos. A ATA faz mais porque tem mais recursos. Americanos são "born joiners": entram para a sociedade, pagam, comparecem à assembléia, montam chapa, elegem diretores, pagam anuidade, fazem a entidade crescer e partem para a briga. No Brasil, a turma quer que primeiro a entidade faça alguma coisa para depois se associar, paga a anuidade com atraso, não vai à assembléia, se nega a participar de chapa e depois fica reclamando que "eles não fazem nada". Não existem "eles", existimos "nós".

A turma parece crer que entidade profissional é como convênio de assistência médica. No convênio, um grupo de capitalistas junta recursos para oferecer serviços a um público pagante, na expectativa de que a receita exceda a despesa e os donos possam auferir lucro. Na entidade profissional, os profissionais se juntam e juntam seus recursos para criar uma associação que os represente e defenda.

Quando acontece algo errado, a turma reclama "e o que faz o SINTRA?". Nada. O SINTRA, não faz praticamente nada e a ABRATES faz, mas pouco e devagar. Não tem poder de resposta rápida. Mal-e-mal as entidades conseguem se manter vivas e ainda por muito favor.

Uma associação profissional é como o que os americanos chamam "bucket brigade", aquela turma que fazia uma fila para ir passando balde de água de mão em mão e apagar um incêndio. Todo mundo comparece e dá uma mãozinha. Ficar de fora e reclamar que a "bucket brigade" não funciona, pega mal.

São entidades fechadas em si próprias

Acho absolutamente ridículo o fato de que nenhuma das duas entidades faz das listas de tradutores em o Orkut um veículo de comunicação com a classe. Participo de pelo menos cinco listas brasileiras de tradutores (isto se não participar de mais) e ainda de um grupo de tradutores ativíssimo no Orkut. Rolam conversas importantes, discussões interessantes mas não aparece nenhuma das duas entidades para participar nem para dizer "juntem-se a nós". Quer dizer, as entidades se fecham em si mesmas, só se comunicam com a categoria para se defender e para reclamar que ninguém colabora. Não há uma, uma só, uma única iniciativa organizada de comunicação com a categoria. É de se perguntar se realmente querem ampliar a representatividade da entidade ou preferem manter o stato quo, embora publicamente lamentem a pouquidão dos associados.

Aliás, também não há uma lista de discussão de assuntos profissionais patrocinada por uma ou ambas as entidades. O isolamento é total. Saem boletins esporádicos, vez que outra uma mensagem eletrônica circular, convocando para uma assembléia. Mas nenhum, nenhum mesmo, esforço de comunicação com a classe, exceto os dois congressos da ABRATES.

Os congressos


A iniciativa de maior impacto das entidades foram os congressos da ABRATES. O primeiro foi um sucesso; o segundo foi muito criticado. O fato é que, bem ou mal, fizeram. Antes pouco que nada. Espero que alguém, que tenha talento organizador, promova o terceiro.

Participar ou não?

Sou associado de ambas as entidades. Quem me convenceu foi o Paulo Wengorski. Convenceu-me de que não me assistia o direito de reclamar sem participar. A ABRATES me fez três pedidos: um artigo e duas participações em congressos. Atendi os três. Quando começou a história do credenciamento, participei dos prolegômenos, mas me afastei porque achei que iria surgir um conflito de interesses, dado o fato de que, na época, eu era ativíssimo como instrutor na Via Rápida. Não me arrependo. Não ia faltar quem alegasse que estava participando da equipe em proveito próprio. O SINTRA não me pediu nada nem tinha razão para pedir. Se pedisse, teria procurado ajudar, dentro de minhas limitações.

Gostaria de participar das discussões e assembléias das duas, mas não tenho condições de ir ao Rio de Janeiro para isso. Só poderia participar via Internet.

Participar da diretoria ia ser mais difícil ainda, dado que sou mau administrador nem moro no Rio. Minha colaboração há de limitar-se ao que eu sei fazer, para não fazer besteira. Cada um tem sus limitações e problemas, mas me parece extraordinário que a esmagadora maioria de nós não possa contribuir com nada, nada, absolutamente nada para com a profissão, salvo reclamar que "ninguém faz nada".