Sexta-feira. A maioria de nós está se preparando para o previsível e inevitável: o cliente que liga na sexta de tarde e pede um serviço para segunda de manhã - e lá se vai o nosso fim de semana. Que você me diz disso?
Tenho uma colega que diz que é absolutamente normal. Lembra que todo pessoal que trabalha em hospitais enfrenta o mesmo problema e enfrenta com naturalidade. Tem toda a razão. O mesmo problema enfrentam os policiais, motoristas de transporte público, pessoal da aviação comercial, turma que trabalha em shopping e tantos outros que muitas vezes têm que trabalhar no fim de semana, isso quando não têm que varar a noite em serviço.
Outros colegas dizem que o cliente abusa, pedindo urgência para serviços que poderiam perfeitamente aguardar uma semana para começar, que é vício do cliente, uma forma de demonstrar sua força e deixar clara a relação entre senhor e escravo. Têm toda a razão.
Outro grupo argumenta que os culpados somos nós, que se nós metodicamente recusássemos serviços para a noite ou fim de semana, o cliente deixaria de pedir. Ou se pelo menos cobrássemos taxa dobrada por esse serviço. Estão certíssimos.
Há também o caso de mais de um colega que adora trabalhar de madrugada e nos fins de semana e, para isso, sequer espera taxa de urgência. Uma de nossas colegas diz que por ela cobraria taxa de urgência para fazer serviço durante o dia nos dias de semana. Não há como discordar.
Finalmente, há o caso dos colegas que dizem que quem se recusar a fazer serviço noturno e de fim de semana se arrisca a perder o cliente. Estão carregados de razão.
Se todos têm razão, como é que fica? Boa pergunta!
Eu sempre achei que dizer "não" é importante e poder dizer "não" é mais importante ainda. Dizer não educadamente, sem aquelas diatribes do tipo você pensa que sou seu escravo?! Pouco escândalo, por favor. Esta senhora pode
ter toda a razão do mundo, mas seu comportamento não é o que se recomenda a um profissional.
Mas dizer não é um direito sagrado. Você não tem a obrigação de aceitar todo o serviço que te oferecem. Enfie isso na sua cabecinha tradutória de uma vez por todas. Se o cliente deixou a tradução para a última hora, não é culpa sua e se ele está meramente pressionando para mostrar quem é que canta de galo no galinheiro, menos culpa ainda você tem.
Você não tem a obrigação de trabalhar no fim de semana nem de noite, pronto. Nem tem a obrigação de contar toda a sua vida (há seis meses não tiro uma folga, minha mãe está no hospital à morte e faz uma semana que não vou ver a coitadinha, minha pulga de estimação está com cólicas) como justificativa. Simplesmente diga - Que pena! Para segunda-feira não dá, pode ser para terça? - e acabou. Quanto mais explicações você der, pior é.
Se o serviço for realmente urgente, o cliente pode ir procurar outro e, se achar, talvez você ganhe um concorrente de peso. Então, aí vai outro dos meus bordões: procure clientes o tempo todo. Se você tiver muitos clientes e muito serviço, vai ter mais confiança e segurança para recusar um serviço - ou para cobrar taxa de urgência.
Por outro lado, se você gosta de trabalhar nos fins de semana ou de noite, faça desse gosto uma arma de marketing. Quando o cliente ligar todo maneiroso pedindo um serviço para amanhã de manhã, avise que até prefere trabalhar de noite.
Dessa maneira, a questão de se o cliente está abusando ou não, se ele realmente precisa da tradução com toda essa urgência ou não, se torna absolutamente irrelevante.
E por hoje é só. Mas antes de encerrar, gostaria de reforçar o convite para a
Reunião na Sala 7, grátis, a distância, na qual todos são bem-vindos, inclusive você.