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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Você trabalhou no feriado?

Você trabalhou no feriadão? Todo mundo de papo pro ar e você, aí, malhando no computador? Muita gente não se importa de trabalhar nos fins de semana e feriados. Eu sou um deles, porque faço parte do MSP (Movimento dos Sem Programa). Mas outros sofrem muito.

Trabalhar em feriado é, em parte, o preço pago por tantas vezes sairmos no "horário de expediente", quando os outros estão trabalhando; às vezes, o preço pago pela nossa própria desorganização; outras vezes, o preço de não saber dizer "não".

Se você trabalhou no feriado, seria bom ver por quê. Se trabalhou porque queria ou por falta de coisa melhor que fazer, tudo bem. Se trabalhou por não saber dizer "não", saiba que padece de uma grave doença endêmica entre os tradutores. Um dos meus bordões neste blogue é que precisamos aprender a dizer "não", educadamente, sem bronca, sem explicações. Se você não está a fim de fazer o serviço, não precisa explicar que é porque tem que almoçar com a sogra e, principalmente, não precisa dizer que tem que almoçar com a sogra se, na verdade, quer aproveitar para passar o fim de semana na praia. Se você trabalha por conta própria, como eu, só tem a obrigação de cumprir o que prometeu ao cliente e não deve satisfações a mais ninguém.

Por outro lado, se você tiver trabalhado no fim de semana por ter sido indisciplinado durante o resto da semana, acho que está na hora de aprender a se disciplinar - ou, ao menos, não se queixar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Hoje é sexta-feira

Sexta-feira. A maioria de nós está se preparando para o previsível e inevitável: o cliente que liga na sexta de tarde e pede um serviço para segunda de manhã - e lá se vai o nosso fim de semana. Que você me diz disso?

Tenho uma colega que diz que é absolutamente normal. Lembra que todo pessoal que trabalha em hospitais enfrenta o mesmo problema e enfrenta com naturalidade. Tem toda a razão. O mesmo problema enfrentam os policiais, motoristas de transporte público, pessoal da aviação comercial, turma que trabalha em shopping e tantos outros que muitas vezes têm que trabalhar no fim de semana, isso quando não têm que varar a noite em serviço.

Outros colegas dizem que o cliente abusa, pedindo urgência para serviços que poderiam perfeitamente aguardar uma semana para começar, que é vício do cliente, uma forma de demonstrar sua força e deixar clara a relação entre senhor e escravo. Têm toda a razão.

Outro grupo argumenta que os culpados somos nós, que se nós metodicamente recusássemos serviços para a noite ou fim de semana, o cliente deixaria de pedir. Ou se pelo menos cobrássemos taxa dobrada por esse serviço. Estão certíssimos.

Há também o caso de mais de um colega que adora trabalhar de madrugada e nos fins de semana e, para isso, sequer espera taxa de urgência. Uma de nossas colegas diz que por ela cobraria taxa de urgência para fazer serviço durante o dia nos dias de semana. Não há como discordar.

Finalmente, há o caso dos colegas que dizem que quem se recusar a fazer serviço noturno e de fim de semana se arrisca a perder o cliente. Estão carregados de razão.

Se todos têm razão, como é que fica? Boa pergunta!

Eu sempre achei que dizer "não" é importante e poder dizer "não" é mais importante ainda. Dizer não educadamente, sem aquelas diatribes do tipo você pensa que sou seu escravo?! Pouco escândalo, por favor. Esta senhora pode ter toda a razão do mundo, mas seu comportamento não é o que se recomenda a um profissional.

Mas dizer não é um direito sagrado. Você não tem a obrigação de aceitar todo o serviço que te oferecem. Enfie isso na sua cabecinha tradutória de uma vez por todas. Se o cliente deixou a tradução para a última hora, não é culpa sua e se ele está meramente pressionando para mostrar quem é que canta de galo no galinheiro, menos culpa ainda você tem.

Você não tem a obrigação de trabalhar no fim de semana nem de noite, pronto. Nem tem a obrigação de contar toda a sua vida (há seis meses não tiro uma folga, minha mãe está no hospital à morte e faz uma semana que não vou ver a coitadinha, minha pulga de estimação está com cólicas) como justificativa. Simplesmente diga - Que pena! Para segunda-feira não dá, pode ser para terça? - e acabou. Quanto mais explicações você der, pior é.

Se o serviço for realmente urgente, o cliente pode ir procurar outro e, se achar, talvez você ganhe um concorrente de peso. Então, aí vai outro dos meus bordões: procure clientes o tempo todo. Se você tiver muitos clientes e muito serviço, vai ter mais confiança e segurança para recusar um serviço - ou para cobrar taxa de urgência.

Por outro lado, se você gosta de trabalhar nos fins de semana ou de noite, faça desse gosto uma arma de marketing. Quando o cliente ligar todo maneiroso pedindo um serviço para amanhã de manhã, avise que até prefere trabalhar de noite.

Dessa maneira, a questão de se o cliente está abusando ou não, se ele realmente precisa da tradução com toda essa urgência ou não, se torna absolutamente irrelevante.

E por hoje é só. Mas antes de encerrar, gostaria de reforçar o convite para a Reunião na Sala 7, grátis, a distância, na qual todos são bem-vindos, inclusive você.