domingo, 13 de setembro de 2009
Agências: Cada Cabeça, uma Conta.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
A História não Grudou
Falando da má conta em que as agências costumam ter os tradutores, falei da acusação de ganância, que me parece injusta. Agora, falo de uma acusação justa: a de que muitos tradutores são bichos roleiros. E são mesmo. Deixa contar um caso para você. Não é o único, mas é um de que me veio à cabeça agora.
Recebemos, eu e uma colega, uma encomenda para um feriadão. A encomenda veio do exterior e o cliente não tinha a mais remota ideia do que acontecia aqui. Ela aceitou entregar a tradução na quarta de noite, eu aceitei revisar durante o feriado. Entrega direta para mim, na noite da véspera do feriado, com cópia para o cliente.
No dia da entrega, nada. No dia seguinte, cliente me escreve perguntando se tinha recebido. Não, não tinha. Prazo apertado, essas coisas, que você já conhece. Cliente liga da Europa para a casa da tradutora, ninguém atende. Começou, então, um diálogo surrealista por e-mail. Vou resumir, aqui.
A moça jurou que tinha mandado, na hora prometida. Se o serviço não tinha chegado nem ao cliente nem a mim, era por algum problema de internet, pelo qual ela não podia se responsabilizar. Só podia mandar de novo quando terminasse o feriadão, no domingo, porque o arquivo estava no computador doméstico, e ela estava num hotel, a 400 km de SP. Não podia re-enviar a mensagem porque tinha sido mandada de uma conta de gmail cuja senha não lembrava e que estava anotada em casa. Quer dizer, não dava de jeito algum.
Mandou no domingo de noite, faltava um pedaço. Avisei, respondeu horas depois, pedindo desculpas, dizendo que não entendia por que o arquivo tinha ficado incompleto, enviando agora o arquivo inteiro. Arquivo cheio de erros e problemas, serviço picaretado a mais não poder.
Jamais o cliente e eu vamos saber ao certo o que aconteceu. Temos nossas suspeitas. Na história da moça nenhum de nós dois acreditou — nem você está acreditando agora. A história era perfeita, totalmente plausível, não havia como provar que ela estivesse mentindo, mas não grudava. Simplesmente, não grudava.