O nome dela é Bianca Bold mesmo, a brincadeira é da nossa colega Aurea Akemi Arata e caiu como uma luva.
Conheci a Bianca faz menos de três anos, durante uma conversa em uma comunidade do Orkut. Naquela época, estava terminando o curso de letras e, por motivos particulares, tinha um pé em Recife, outro em Salvador. Um pouco chateada, porque queria ser tradutora e acreditava que, para ganhar a vida traduzindo, era necessário viver em São Paulo ou no Rio, mudança que, na época, seria muito complicada para ela.
Os mais veteranos, como é costume ali na comunidade, deram à Bianca a orientação que podiam. Me lembro de ter dito que não importava onde fosse a casa dela, seu endereço profissional era a Internet. Outros recomendaram fazer cursos, participar de eventos para tradutores, manter-se visível e mais mil coisas.
Dá a impressão de que a Bianca anotou tudo e leu, releu, analisou, estudou, decorou - e fez tudo direitinho.
Primeiro, que se tornou ativa na comunidade, dando opiniões, fazendo perguntas, comentários e, principalmente, amigos. Perguntava só depois de esgotar seus recursos de pesquisa, ajudava sempre que podia. Não perdia a oportunidade de estudar e aprender - nem muito menos de ajudar. Orgulhosa - mas não arrogante - jamais pedinchava serviço nem apadrinhamentos. Serviço e padrinhos não se pedem: conquistam-se. Assim, foi construindo sua reputação, os mais velhos, que sempre são uma boa fonte de indicações, dizendo "essa moça é boa, vai longe". E longe ela está indo, mais longe há de ir.
Conheci a Bianca pessoalmente em um jantar, em SP, durante um congresso. Inteligente, comunicativa, falou com todos e a todos encantou. Deu opiniões sérias e até contundentes sobre o congresso. Quer dizer, bajulação não é com ela.
Periodicamente, na Comunidade do Orkut, contava que tinha conseguido um serviço e começou a trabalhar com audiovisuais, sonho de muitos, realização de poucos.
Teve um problema pessoal, daqueles que fariam muitas sentar na beira da calçada e chorar, mas a Bianca transformou o problema em energia. Enfiou na cabeça que ia para o Canadá. Foi. Chegou lá, se registrou em tudo quanto foi lugar onde era possível uma tradutora se registrar e começou a receber convites para servir de intérprete. Faz testes, presta exames, está em todas. Ganhou clientes novos, sem perder os que tinha no Brasil.
Ontem, almoçamos juntos, num grupo de umas vinte pessoas. A Bianca, toda satisfeita, contava que tinha saído de uma consecutiva braba, que tinha exigido muita pesquisa e preparação, porque era sobre um assunto que ela conhecia pouco. Estudou, pesquisou, trabalhou, fez a parte que lhe competia. O cliente ficou satisfeito e até deu a ela um prêmio especial. O mais curioso é que a interpretação era entre Italiano e Inglês.
Uma carreirinha dessas, de meros três anos, e a moça já foi mais longe do que muitos vão em dez ou vinte. A Bianca é um exemplo para todos nós e tem a minha admiração.
Se você mora fora do "eixo São Paulo-Rio" e acha que, por isso, não tem futuro na tradução, pense na história da Bianca. E não se esqueça de que ela já tinha uma clientela feita antes de ir para o Canadá. Mas também tenha em mente que ela não conseguiria nada do que conseguiu se não fosse competente.
A Kelli continua em licença terpsicórica até segunda-feira.
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domingo, 23 de novembro de 2008
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