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sexta-feira, 27 de março de 2009

FAQ Trados ou Wordfast?

A Lu pergunta, usando o formulário para contato:
Estou fazendo um trabalho de comparação entre trados e Worfast. Por isso gostaria de saber o que você. pensa sobre o tema. A seguir algumas perguntas como orientação, mas tem liberdade de resposta.

Grata

Perguntas Trados X Wordfast

Qual é sua experiência?

1. Quais são as principais diferencias entre eles?
2. Quais são as principais semelhanças?
3. Quais são as deficiências que o trados apresenta para o trabalho do tradutor?
4. E quais são as vantagens do Trados?
5. Quais são as deficiências que o Wordfast apresenta para o trabalho do tradutor?
6. E quais são as vantagens do Wordfast?
7. Qual é o melhor programa para os tradutores autônomos e por quê?
8. Qual é o melhor programa para as agencias e por quê?
Lu, grande parte das respostas às suas oito perguntas você encontra simplesmente digitando "trados" na caixa "pesquisar este blog" aí do lado, e apertando Enter.

Você não imagina quanto tempo demora escrever uma resposta, quanto eu trabalho e quantas outras pessoas estão na fila para receber ajuda. Então, por favor, peço a sua colaboração, para que eu não tenha que reescrever o que já escrevi e está disponível para todos.


Antes de você mergulhar na pesquisa, entretanto, algumas observações que completam o que já escrevi:


1. Cuidado com o nome Trados. É o nome de um grupo de utilitários, que inclui o Translator's Workbench (TWB). O problema está em que quando a turma fala Trados, normalmente se refere ao TWB, que, inclusive, vai ser retirado do mercado, em favor de outro utilitário do grupo, o Trados TagEditor.


2. Cuidado com o nome Wordfast. Há um problema terminológico grave, aqui, resultante do que me parece uma burrada de marketing. Existe o Wordfast Classic, que é o novo nome do antigo Wordfast 5.x, e o Wordfast Professional, que é o novo nome do Wordfast 6.x e que são programas absolutamente diferentes, que devem continuar a ser desenvolvidos separadamente e são vendidos, conjuntamente, como Wordfast Studio.


Provavelmente, seu trabalho é uma comparação entre TWB e Wordfast Classic. Mas isso, só você pode dizer. Se tiver alguma pergunta mais específica, para a qual não possa achar resposta consultando o blogue, eu respondo com prazer.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Pergunta: comprar nota fiscal é crime?

Pergunta um leitor do blogue, via formulário para contato:

Em seu artigo Nota fiscal, RPA, nota da prefeitura, recibo simples... o senhor comenta que comprar nota fiscal é ilegal. Há alguma lei que especifique claramente essa ilegalidade, ou a questão de comprar nota fiscal é ilegal simplesmente porque a lei não contempla essa possibilidade?
Se comprar nota fiscal de pessoa jurídica fosse legal, pode ter certeza de que haveria centenas de empresas dedicadas exclusivamente a esse serviço, com anúncios na imprensa.

Se João presta um serviço a Antônio e envia a Antônio uma nota fiscal emitida por Francisco, está prestando informação falsa, porque não foi o Francisco quem prestou o serviço. Isso é crime contra a ordem tributária, segundo a lei Nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990.


Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:


I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;

Para legalizar a operação, João teria de emitir algum documento que o tornasse fornecedor de Francisco, o que poderia ser uma nota fiscal ou um RPA. Claro, ninguém vai fazer isso, porque, economicamente, não valeria a pena.

Respondido?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

FAQ 2

Soube atraves de uma empresa que contrata servicos, que precisaria ter empresa aberta para poder pleitear uma vaguinha como tradutora de legendagem.

Mas pergunto: poderia ela ser empresa individual? ja' possui uma aberta no Parana', precisando somente alterar a natureza dela.

Como normalmente isso e' feito?

Em teoria, você também poderia prestar o serviço como autônoma, mas, nesse caso, a carga fiscal da empresa que contratar seus serviços fica tão alta, que eles fazem questão de trabalhar com profissionais que podem apresentar notas fiscais de pessoa jurídica. Essa é uma tendência geral do mercado, não uma ranhetice específica dos laboratórios de legendagem.

Normalmente, firmas individuais, como a que você diz que tem, são comerciais, não de prestação de serviço e, portanto, a nota fiscal delas não vai servir. Que eu entenda, você precisa de uma sociedade, não de uma firma individual. Mas isso é você tem que discutir com seu cliente e com seu contador.

Alguns clientes estão sugerindo que seus tradutores se juntem a "Associações Culturais", para reduzir os custos. Não me canso de dizer que essa história de cobrar como "Associação Cultural" não está lá muito de acordo com a lei e que mais dia menos dia o Leão vai dar uma rugida feia — dizem, inclusive, que já pegou uma e fez um estrago dos bons. Portanto, fuja dessa. Há um marcador "associações culturais" aí do lado. Clique nele e entenda melhor por que recomendamos fugir desse "jeitinho".

Na verdade, a história de se tratar de legendagem não altera o quadro: de acordo com a lei brasileira, se você não trabalha com vínculo empregatício ("carteira assinada") ou presta serviços como trabalhadora autônoma ou como pessoa jurídica ("firma", "empresa"). Não há outras opções.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

FAQ 1

A pretendente a tradutora

Na verdade é que eu to super confusa como todo vestibulando que se preze hahaha. Você trabalha de tradutor né? mas você fez algum curso/faculdade?Eu tenho um amigo que faz tradução e interpretação na Unibero, mas por enquanto eu vou tentar a Unesp por que é pública mesmo. Eu me interessei pelo curso, por enquanto é o que eu vou fazer mas sempre vem aquelas dúvidas: será que o mercado de trabalho é amplo? será que pra essa profissão uma faculdade faz mesmo diferença? Pelo que eu entendi você trabalha em casa né? Tem algum tipo de exigência pra ser um tradutor?

O que você leu acima é a mensagem recebida da T. Já respondi esse tipo de mensagem muitas vezes, mas, como ninguém leu o blogue de ponta a ponta, lá vai de novo.

A confusão é melhor do que a certeza total, T, principalmente porque é um modo mais humilde de examinar a realidade. Um tanto de confusão é bom, principalmente quando se é jovem.

Não "trabalho de tradutor", sou tradutor profissional desde 1970, o que é bem diferente: uma questão de postura, empenho, dedicação. Desde 1970, o dinheiro que entra na casa vem da tradução.

Não fiz faculdade, por motivos que não vêm ao caso agora. Do ponto de vista jurídico, não faz diferença: o exercício da profissão é livre, no Brasil e em qualquer lugar do mundo, e, por isso, você pode viver de tradução com ou sem faculdade. Do ponto de vista comercial, a faculdade ajuda muito. Enquanto você não puder apresentar um currículo com uma boa experiência, um título de bacharel facilita muito sua vida. Depois de uns cinco ou seis anos de prática, ninguém mais vai olhar se você tem graduação ou não, mas, no início, faz uma grande diferença.

Do ponto de vista intelectual, então, nem se fale. Você pode aprender em casa, sozinha, tudo o que ensinam na faculdade e até mais, porém não é nada fácil. Uma faculdade bem feita vai ajudar você a organizar as idéias e pensar melhor. Mas o acento aqui é em "bem feita". Não adianta fazer faculdade promovendo ausências coletivas ou tomando carona em trabalhos antigos. Precisa estudar. Principalmente, precisa estudar português como uma louca.

Você diz que pretende ir para a UNESP. Rio Preto? Dizem que é bom lugar para se estudar. Faculdade no interior pode ser uma escolha excelente. Talvez a Kelli possa te dizer alguma coisa sobre isso.

A maioria dos tradutores trabalha em casa, sim e, de modo geral, precisa constituir uma firma para poder trabalhar, o que não é grande dificuldade. Existe mercado, sim, e existe muita gente vivendo de tradução. O problema é que muita gente não quer, de verdade, ser tradutora, quer ser paga para ler coisas lindas. Então, fica exasperada quando, em vez de traduzir uma bela obra literária, é encarregada de traduzir um livro de auto-ajuda, ou de ficção de massa. Sabe, como se você fosse se especializar em cirurgia plática, mas só trabalhasse com mulheres lindas. Se a postura for essa, fica complicado. Agora, se você quiser traduzir, não falta serviço.

[Kelli] Eu não posso dizer muita coisa além do que o Danilo já falou, até por não conhecer ninguém de Rio Preto. Cursei Letras na UNESP, mas em Araraquara, e cada campus é bem diferente do outro. Posso adicionar uma coisa só: muito aluno pensa que os professores universitários são semideuses, e muitos professores se sentem assim mesmo. Quanto eu era estudante, o prédio com os departamentos e salas dos professores era conhecido como Olimpo, para se ter uma idéia. E as brigas de egos que tinha por lá condiziam com o nome.

A melhor coisa que eu fiz foi nunca me sentir diminuída ou receosa por causa disso. O melhor dos cinco anos do meu curso, academicamente falando, foi ir atrás de professor, ficar no pé, conversar nos intervalos e tratá-los com igualdade. Com respeito, mas com igualdade. Afinal, são gente como a gente. Consegui muito com essa postura. Aliás, sem ela, eu não estaria escrevendo neste blog agora.[/Kelli]


O mestrado do Mackenzie

Uma colega pergunta o que eu acho do curso de mestrado do Mackenzie. A bem dizer, praticamente nada. Dos professores, a única que conheço é a Valderez Carneiro da Silva, veterana e respeitada, desde os tempos heróicos da Faculdade Ibero-Americana. Dos outros, nunca ouvi falar, o que significa que não circulam muito nos ambientes dos tradutores profissionais, embora possam ser excelentes professores.

Esse, como acho que todos os outros cursos superiores, não trata de ferramentas de tradução assistida por computador. É um empurra-empurra ridículo, isso. A turma da graduação acha que é problema da especialização, a turma da especialização acha que é coisa para graduação. A turma do mestrado acha que não é problema deles e a de doutorado acha que de jeito nenhum é coisa para eles. Mas, quando você chegar no mercado, a maioria dos clientes vai querer saber se você sabe lidar com essas coisas.

De resto, o Mackenzie é uma instituição séria e um curso de especialização vai ajudar a arrumar as tuas idéias, embora ninguém, mas ninguém mesmo, vá virar tradutor em três semestres. Quer dizer: espere um bom curso, mas não um milagre. Muito depende de quanto você já sabe e de quanto você está disposta a se dedicar. Num curso desses, não se ensinam línguas. Quer dizer, ou você é boa de português e inglês, ou não vai aproveitar o curso. Por outro lado, não me canso de repetir que você faz o curso, não é o curso que faz você. Tem que dar duro. Os professores, por bons que sejam só podem ensinar; mas é exclusivamente a você que cabe aprender.