Mudamos para www.tradutorprofissional.com

Mostrando postagens com marcador ortografia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ortografia. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de outubro de 2009

Uma regra que pode ter escapado

Conheço mais de um tradutor que não sabe a diferença entre hífen e travessão, mas são entidades distintas, tanto para as regras de ortografia, como para nosso computador. Aliás, o computador tem ao menos dois tipos de travessão, de meio ou um quadratim (Alt 0150 e Alt 0151, respectivamente). Pouca gente se importa com esses detalhes, mas, como você sabe, o diabo mora nos detalhes.

Veja, agora, o que diz a antiga ortografia:

52 Travessão – Emprega-se o travessão, e não o hífen, para ligar palavras ou grupos de palavras que formam, pelo assim dizer, uma cadeia na frase: trajeto Mauá – Cascadura; a estrada de ferro Rio – Petrópolis; a linha aérea Brasil – Argentina; o percurso Barcas – Tijuca; etc.

… e o que diz a nova:

XV-7º Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando, não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares (tipo: a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação Angola-Moçambique, bem assim nas combinações históricas ou ocasionais de topônimos (tipo Áustria-Hungria, Alsácia-Lorena, Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, etc.)

Áustria-Hungria sempre foi com hífen, por ser visto como substantivo composto, mas agora, a ponte que liga o Rio de Janeiro a Niterói deixa de ser Rio–Niterói, por analogia com "estrada de ferro Rio – Petrópolis", para ser Rio-Niterói. Neste caso, de cambulhada, acaba a briga sobre se é Rio–Niterói ou Rio – Niterói, com espaços dos dois lados do travessão, porque hífen não leva espaço ao lado.

Aliás, ao que eu tenha notado, o Acordo Ortográfico nada diz sobre o travessão. Mas sobre isso falo outro dia, que preciso voltar aos nossos calotes.

Obrigado pela visita e volte amanhã.

quinta-feira, 19 de março de 2009

As regras que não existem

A revisora, extasiada e triunfante, corrigiu o meu erro, debaixo do nariz do cliente: uma vírgula antes de etc. Explicou que etc. era abreviatura de et caetera (como se eu não soubesse!) que, em latim, significava e outros. Como não se usa vírgula antes da conjunção e, ipso facto não se pode usar antes de etc.

Bonita dedução, mas não faz sentido. Sempre achei muito interessantes essas regras autógenas.
De onde saiu está essa regra? A revisora não sabia, mas afirmava que era simples lógica.

Lógica?


Uhm… talvez. Mas nas Instruções para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, Aprovadas unanimemente pela Academia Brasileira de Letras, na sessão de 12 de agosto de 1943, que, com algumas alterações relacionadas ao uso de acentos, ainda se encontram em vigor. Nas Instruções, etc. aparece 145 vezes, 18 das quais precedida de ponto-e-vírgula; as outras 127, precedida de vírgula. Você acha que a ABL cometeria o mesmo erro 127 vezes em um texto de menos de sete mil palavras?


Com a ABL estão os manuais do Estadão e da Presidência da República.


O Manual de Estilo da SECOM nos lembra: "Embora haja divergências entre os gramáticos, usa-se vírgula antes do etc. Assim o entendem Luft e Aurélio. Houaiss, na introdução ao seu dicionário, esclarece que por desnecessário, não se usou de vírgula antes de etc. — a não ser que houvesse alguma causa precípua para tanto."


O Manual de Estilo do Senado Federal não usa vírgula antes de etc. Os manuais de estilo da ECA-USP e da Zahar às vezes usam, às vezes não usam, sem critério que eu perceba.


Quer dizer, não é uma regra. Pode ser uma preferência estilística, pode até fazer parte do manual de estilo de uma determinada editora ou instituição, mas regra, não é - e usar vírgula antes de etc. não é erro.