Mudamos para www.tradutorprofissional.com

Mostrando postagens com marcador postura profissional.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador postura profissional.. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

E a transparência?

Logo que o Danilo lançou a enquete, eu fiquei com vontade de comentar, mas resolvi esperar e ler o que as outras pessoas tinham a dizer antes. Foi uma boa decisão. Mas uma coisa estava me martelando e continua, porque não vi ninguém tocar no assunto. Tradutor A pegou um serviço da empresa B e repassou para o tradutor C, era isso, não?

A mim, pouco importa o preço do repasse. Creio que cada um aceita aquilo que acha que merece ou consegue e, uma vez aceitos o serviço e o valor, essa é uma reclamação estéril e até, conforme o caso, antiética. Acho a questão da transparência com a empresa que solicitou o serviço muito mais importante.

Se ela foi avisada e concordou, não vejo problemas. Mas e se não foi avisada? Como fica a confidencialidade do documento? Eu já peguei uma meia dúzia de textos para traduzir que só vieram ao conhecimento público bem depois da tradução. Imagina se eu repasso e isso cai na boca de quem não deve, como eu fico perante o meu cliente?

Sei não, acho que arrumar cliente hoje é tão difícil, manter também, com tanta oferta de mão de obra... que eu é que não vou me arriscar a perder um numa bobeada dessas.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Os Perigos da Terceirização

Uma colega nossa terceirizou um trabalho e se deu mal. A pessoa contratada fez metade, a colega contratante fez algumas observações sobre qualidade, a contratada devolveu a segunda metade do trabalho sem fazer, dizendo "sou tradutor, não redator, procure outra pessoa para terminar".

Não vi o trabalho nem sei quem fez, portanto, estou analisando o problema em tese, presumindo que o relato acima seja um retrato fiel do acontecido. Se não for, pouco se perde, porque não estou mencionando nem insinuando nomes. Estou só tentando tirar alguma lição de um caso que é mais frequente do que se pensa.

A primeira regra do profissionalismo é "aceitou, tem que fazer, tem que fazer direito e tem que fazer no prazo". Só se devolve um serviço em caso de força maior (doença, luto em família, computador que pega foco, coisa assim) ou quando o serviço difere do combinado (cliente disse "mil palavras para amanhã", mas são dez mil).

O problema da qualidade é mais complicado, porque qualidade de tradução tem um elemento de subjetividade e, entre outras coisas, depende em grande da postura teórica do avaliador. Mas há certos procedimentos considerados indispensáveis: passar revisor ortográfico, conferir se nomes, números e datas estão corretos e de acordo com a praxe da língua de chegada, conferir para ver se não houve saltos. Além disso, se houver memória de tradução ou glossário, é obrigação do tradutor respeitar. Se achar que a terminologia é absolutamente inaceitável, deve se entender com o contratante. Desrespeitar de motu proprio, jamais.

Quando o comprador da tradução é intermediário, cabe a ele o dever de mandar revisar o serviço. Mas isso não dá ao tradutor o direito de não aplicar os procedimentos citados no parágrafo anterior. Revisão existe para aperfeiçoar tradução boa, não para consertar tradução ruim. Tradução ruim a gente joga fora e faz de novo, que sai mais barato.

Roxa de raiva, a colega deve pagar o tradutor, por menos profissional que o serviço lhe tenha parecido. Há quem diga que, juridicamente, não tem nada a pagar. Pode ser. Mas, do ponto de vista da estratégia, é melhor pagar, para não passar por caloteira.

Claro que esse tradutor jamais vai trabalhar de novo para nossa colega. Mas vai trabalhar para outros e vai criar os mesmos problemas. Enquanto não mudar de postura, dificilmente vai fazer carreira. Vai ficar sempre com as raspas de tacho de serviço, reclamando da profissão.

Lamentavelmente, existe mais de um lugar onde se possa reclamar de um cliente (intermediário ou cliente final) que não tenha pago, mas não há um santo lugar onde se possa postar uma mensagem reclamando de um tradutor que não tenha feito sua parte.

A gente reclama, e não se razão, que trabalhar para intermediário é grande risco. Mas intermediar não é risco menor.