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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

TPIC no RS - Capítulo 2

Por gentileza do nosso colega Guilheme da Silva Braga, nosso correspondente eventual para o extremo sul e circunjacências, tenho o prazer de informar que uma turminha lá do RS entrou em contato com o Ouvidor da JUCERGS para pedir uma correção do edital do concurso. E não é que corrigiram rapidinho!? Não, desculpe, gaúcho não faz nada rapidinho: lá as coisas saem ligeirinho. O edital corrigido está aqui.

Além de agradecer ao Guilherme pela cortesia de me dar o aviso, é hora de aplaudir a JUCERGS, que fez as coisas civilizadamente. Se todos fossem assim, este seria um mundo melhor.

Pretendemos, Kelli e eu, ir a Porto Alegre em março, para o tal do congresso da ABRATES. Quem sabe, vamos ter a possibilidade de cumprimentar os aprovados.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

TPIC no RS

Deu uma epidemia de concurso para Tradutor Público e Intérprete Comercial. Começou com Minas Gerais, depois veio Santa Catarina, Rio de Janeiro e, agora, Rio Grande do Sul. O edital está aqui, caso interesse.

Isso é muito bom. Deveria haver mais concursos para TPIC. Muitos TPICs ficam zangados quando eu digo isso, argumentando que se houver mais concursos e nomeações, cai o volume de serviço. Não é isso, evidentemente, o que diziam antes de ser nomeados, época em que defendiam, com unhas e dentes, a "abertura da porteira" — o que mostra que o conceito de verdade pode depender em grande parte do lado do muro em que você está.

A afirmação me parece errada, de qualquer modo, porque o objetivo do concurso é atender melhor o público, não garantir serviço para ninguém. Uma colega minha, partiu para a distorção "então, vamos aprovar qualquer um…". Não, eu não disse "aprovar qualquer um": o concurso tem que ser rigoroso, para que o público seja bem atendido. 


De qualquer maneira, o campo está cheio de "quaisquer uns" que trabalham como terceirizados para TPICs, simplesmente porque se sujeitaram a receber o que lhes ofereceram. O problema está na terceirização indiscriminada, não no excesso de TPICs. Aliás, desconfio que exista até quarteirização e qunteirização nessa história — mas isso é só um desconfiar, porque não tenho nem provas nem indícios.

Mas, voltando ao RS, o edital tem uns aspectos interessantes. O primeiro, entre os que eu vi, está em II.A.h, onde se exige:

- licenciatura em letras, com especialização para o idioma para o qual se inscrever ou

- certificado de proficiência e formação em língua estrangeira no idioma para o qual se inscrever

É uma inovação. Nunca vi isso. Nem sei se é legal porque parece que não está nas leis que regem o ofício de TPIC, mas isso é coisa para advogado responder. Tradicionalmente, o exame é aberto e presta quem for cidadão brasileiro, residente no estado e mais umas coisinhas. Nunca se exigiu diploma de nada. Alguns dos melhores TPICs em SP são advogados que nunca fizeram curso de letras e, ao menos uma das melhores TPICs que conheço, jamais fez faculdade de coisa nenhuma.

Mas, tudo bem, exigir um diploma específico até que tem lá sua lógica, numa época como a nossa, de altas especializações. Agora, ainda que mal pergunte, por que licenciatura e não bacharelado? O TPIC não vai ensinar coisa alguma, ou vai? Para que precisa ser licenciado? Além disso, se é para pedir diploma, porque então não restringir a quem tenha especificamente diploma de letras tradutor?

E essa história do certificado de proficiência e formação em língua estrangeira, eu não entendi muito bem. Se você entendeu, por favor, poste um comentário me explicando.

Também fui dar uma olhada na empresa que vai conduzir o concurso: Hilda Ferreira de Moura ME, que aparece numerosas vezes no Google, algumas como localizada em Campo Grande, MS outras como localizada em Surubim PE. Está conduzindo concursos aos quilos por aí. Estranho que uma ME possa encarar tanto concurso junto. Deve estar cobrando uma ninharia e, por isso, ganhando todas as licitações. Será que tem gabarito para enfrentar um concurso para TPIC?

Sempre é bom lembrar que não sou TPIC nem nunca prestei concurso nem em SP nem em outro qualquer estado nem sou terceirizado de qualquer TPIC que se possa imaginar.

(Confesso que detesto essa história de "festas" e estou doido para que chegue janeiro e voltemos à vida normal.)

domingo, 15 de novembro de 2009

Concurso para Tradutor Público ("juramentado) no RJ - desregulamentaram a profissão?

Recebi este comentário durante a noite:
Caros colegas, acabei de descobrir na página da Jucerja que a mesma revogou, com a Deliberação 32/2009 de 6 de novembro (coincidentemente logo após a divulgação dos resultados da prova escrita do concurso) a Deliberação JUCERJA n.º 106, de 29 de outubro de 1998, que trata da regulamentação do ofício de Tradutor Público e Intérprete Comercial. Como interpretam isso? Não se trata de uma nova regulamentação revogando a velha. A regulamentação em si é que foi revogada.

Fui conferir e, e fato, a 32/2009, que se encontra aqui, revoga esta aqui  — sem substituir por nada. Uma coisa muito esquisita, de fato.

Alguém, por favor, me explica como é isso?

Agradeço ao comentarista anônimo e, realmente, do fundo do coração, espero que ele e eu estejamos enganados. Porque, no meu entendimento, desde 29 de outubro de 2009 e até que se publique nova regulamentação, não há regulamentação alguma sobre a profissão de Tradutor Público e Intérprete Comercial no Estado do Rio de Janeiro.

Agradeço muito a quem puder comentar ou agregar alguma informação. É de bons comentários que se faz um blogue útil à coletividade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O concurso da JUCERJA e outros para TPIC III

Embora pareça que muita gente capacitada tenha sido reprovada, nem em particular nem em público vi alguém alegando que os aprovados no RJ eram incapazes (mas surgiu uma acusação desse tipo em outro estado — a ver se consigo apurar alguma coisa fundamentada, para postar aqui). Portanto, salvo melhor juízo, continua válida a recomendação de não hostilizar os aprovados. Se houvesse um caso de suborno envolvido, teriam sido aprovados alguns incapazes também. Pouco posso dizer sobre a capacidade dos candidatos, porque, embora conheça vários deles pessoalmente, nunca vi o trabalho deles.
Mas é interessante, muito interessante, a quantidade bárbara de reprovações e um resultado que, do ponto de vista estatístico, é totalmente anômalo, ponto abordado pelo nosso colega Erik Borten em uma mensagem brilhante à trad-prt. Já escrevi a ele pedindo permissão para usar aqui, mas ainda não obtive resposta.
Por outro lado, tenho a satisfação de reproduzir, com a devida permissão, uma mensagem da nossa colega Sheyla Barretto de Carvalho, que me pareceu equilibrada e inteligente.
Prezados colegas,
Apesar de inconformada com as notas que me foram atribuídas na prova para tradutor público, desejo esclarecer que credito o resultado do concurso a erro no formato adotado para a correção das provas, não necessariamente à fraude.
Posso parecer ingênua ao afirmar isso, porém, conheço há anos alguns dos profissionais aprovados (como Adriana Rieche, Fernanda Mathias, colegas minhas na PUC-RJ, Patricia Tate e Adriana Schwartz no idioma inglês; Annie Cambe no idioma francês) e sei que são todos merecedores da aprovação recebida.
Acredito que o professor César Cardoso é competente o bastante para receber aprovação, independentemente de ser colega de membro da banca examinadora.
Conheço também Leonardo Morais e sei que há muito tempo atua na área de tradução, portanto, prefiro acreditar que tenha sido aprovado por merecimento.
A impressão que tenho é que distribuíram as provas do concurso para diferentes avaliadores e a maioria deles não soube aplicar as regras de correção recomendáveis para provas de tradução/versão.
Não está autorizado o uso do meu nome em emails como aquele divulgado recentemente por uma "Comissão": acusatório, sem assinatura e cuja opinião é divergente da minha.
Tenho plena confiança na minha capacidade como profissional da área de tradução/interpretação, construída ao longo de uma carreira bem-sucedida de quase 20 anos de muito trabalho e dedicação e da qual muito me orgulho, mas desejo me solidarizar com aqueles cuja confiança possa ter sido abalada pelo resultado do concurso.
As aprovações podem ter sido justas, no entanto, as reprovações, em grande parte, certamente não o foram.
Atenciosamente,
Sheyla Barretto de Carvalho
Tradutora-Intérprete
Sócia-Fundadora do Brasillis
membro da Abrates, da ATA, do Sintra
membro da OAB-RJ
membro do CRA-RJ

domingo, 8 de novembro de 2009

O concurso da JUCERJA e outros para TPIC

Estou recebendo, além dos comentários que você vê aí abaixo, umas quantas mensagens particulares de amigos que prestaram o concurso e que me mandam informações interessantes, mas pedindo que eu as divulgue mascaradas, de modo a lhes proteger a identidade.
Uma delas vem de uma pessoa que afirma ter prestado o concurso de boa-fé, não ter subornado ninguém, não saber de antemão o que ia cair, tendo recebido a aprovação com base exclusivamente em seu trabalho. Queixa-se de estar sofrendo hostilidade por parte de colegas reprovados. Conhecendo o remetente, acredito que tenha agido de boa-fé no concurso, conhecendo o mundo, sei o que quer dizer com "hostilizado", porque eu próprio sou alvo de muita hostilidade, às vezes aberta, às vezes encoberta — e olha que não fui aprovado em concurso algum. Pode ser muito irritante ou muito divertido, conforme o estado de ânimo do momento. Mas o colega que me escreveu, que queria comemorar a vitória, ficou frustradíssimo com as alfinetadas recebidas. Não será o único. O hábito do perdedor hostilizar o vencedor é tão velho quanto desprezível.
Longe de mim dizer que o tal do concurso foi bem conduzido: quanto mais sei sobre ele, mais sei que foi uma vergonha. Vou voltar ao assunto várias vezes, até que, de um modo ou de outro, se esgote. Entretanto, a conclusão de que todos os aprovados conseguiram passar por ter agido de maneira criminosa, via subornos, apadrinhamentos ou coisa pior ainda, me parece um erro. Não vamos agora, sem prova alguma, por mera suspeita, acusar de desonesto o colega que antes tínhamos por amigo e honesto. Há que investigar e a grita é forte, o que deve forçar a uma investigação. Talvez, inclusive, incluindo uns casos estranhos havidos em pelo menos mais um concurso para TPIC e mais umas coisinhas. Lamentavelmente, esta foi uma semana corrida demais e não pude agitar as coisas; a semana que vem, espero, será melhor.
De uma coisa, creio, podemos ter certeza: na raiz do problema está um ponto levantado pelo nosso colega José Henrique Lammensdorf, que é TPIC em SP e que não prestou o concurso no RJ. Ele lembra que os TPICs são um peso morto para as Juntas Comerciais. TPIC recolhe ISS ao município, ao passo que as JUCs são estaduais. Em todos os Estados, o interesse da JUC pelo que quer que aconteça com a Tradução Pública é extremamente limitado. Fazem o que não podem evitar fazer.
Mas sobre isso, volto a falar amanhã.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Concurso para Tradutor Público ("juramentado) no Rio de Janeiro

Estão girando pela Web mensagens iradas sobre os concursos para TPIC recentemente promovidos no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina. Para dizer a verdade, eu já esperava. É sempre assim: quem passa, elogia o concurso; quem não passa sempre encontra um advogado pronto a jurar que um mandado de segurança garante a nomeação e é "causa ganha". Isso faz parte da vida e da própria cultura brasileira. Tapetão está aí para ser puxado, como todos sabem.

Mas parece que, desta vez, a coisa foi feia. Vou me deter aqui somente em um ponto do concurso do Rio: segundo se diz — e eu ainda não tive como apurar a origem da denúncia — foi usado um gabarito de correção. Ou seja, para cada texto, haveria uma "tradução padrão" e os desvios dessa tradução teriam sido punidos com descontos de pontos. Se isso aconteceu, foi um crime. Não sei como a lei tipificaria esse desatino, mas foi um crime hediondo que vai deixar uma mancha, uma grande nódoa na reputação de quem o cometeu.

Só cabe gabarito em teste de múltipla escolha e os exames da JUCERJA não foram testes de múltipla escolha nem cabe esse tipo de avaliação em exame de tradução. Só isso desqualifica completamente o concurso, aos meus olhos.

Sei de uma pessoa que foi aprovada e sei que é profissional séria e competente. Conheço muitos dos reprovados e fico me perguntando o que terão feito para merecerem a reprovação, porque são gente conceituadíssima. Em qualquer concurso, sempre há uns tantos "conceituados reprovados", ou porque estavam em mau dia, ou porque gozavam de conceito imerecido. Parece, entretanto, que o número de reprovações de gente conhecida e respeitada na primeira fase do teste excede o que se poderia esperar.

Quer dizer, há algo errado, muito errado. As informações estão pipocando de cá e lá e ainda é cedo para termos certeza de alguma coisa. Mas, ao menos, essa história do gabarito precisa ser tirada muito a limpo. Por primorosa que seja a tradução do gabarito, o sistema é absurdo.

Ainda devo voltar ao assunto muitas vezes, talvez menos do que ele mereça.

Post scriptum: mal tinha publicado este artigo, me escreveu um colega que diz que as coisas não são bem assim. Não pode dar detalhes agora e pede que eu nome seja mantido em segredo. Diz que vai escrever mais  tarde e, sendo quem é, tenho certeza de que não vai faltar. Vamos ver o que acontece. Estou adicionando este PS para deixar as coisas tão claras quanto possível.  



A ideia é publicar mesmo os comentários anônimos, desde que estejam dentro do que eu próprio considerar os limites da seriedade. 




segunda-feira, 20 de julho de 2009

Concurso para TPIC no Rio

Parece que, desta vez, sai o concurso para TPIC no Rio. O G1 publicou esta nota, com dois links que remete à documentação. Dei uma olhada assim, muito por cima. Estou atarefado demais para comentar agora, espero comentar amanhã.

Informação postada por Ágata Sousa no Twitter, num sensacional furo de reportagem.


domingo, 12 de julho de 2009

O Concurso para TPIC é Inconstitucional?

Escreve o Michael, em um comentário que prefiro publicar aqui, com a omissão de um breve trecho que nada tem que ver com tradução, por me parecer de interesse mais geral. Fala aí, Michael!

É impressiona-te com todos sabem e ninguém faz nada: o concurso para TPIC é inconstitucional, afronta o direito de exercer sua profissão livremente (e para seu sustento). O "agentes auxiliares do comércio" é ultrapassado! e como é do conhecimento de todos, não são funcionários públicos, ou servidores, como queiram.

Têm que trabalhar duro, pagar impostos, levar calote, e AINDA PRESTAR UM CONCURSO que é exigido por um Resolução Normativa (infraconstitucional). Precisamos juntar forças e entrar com um Ação Direta de Inconstitucionalidade.

O CONCURSO É INCONSTITUCIONAL!!!!!

Michael, já tinha visto muitas críticas à legislação que rege o ofício de TPIC, mas nunca tinha ouvido falar que o concurso fosse inconstitucional. Não estou dizendo que não seja. Estou dizendo que nunca tinha ouvido ou lido a informação. Quer dizer, se "todos sabem" eu estou fora do "todos".

Não sou parte interessada: jamais quis ser TPIC e, não é agora, nos meus 66 anos, que vou mudar de ideia. Mas se você é parte interessada e acha que o concurso é inconstitucional, sugiro que você prepare sua argumentação e monte um blogue (custo zero, como este) e comece a arregimentar interessados para sua ADI. Se você fizer isso, divulgo sua campanha aqui e alhures, com todo o prazer, como já divulguei outras, que me pareceram igualmente merecedoras de divulgação.

Minha posição é sempre a mesma: se você acha que ninguém faz nada, vá e faça você. Não diga "precisamos juntar forças", assuma você a tarefa de começar a juntar forças. Outro dia, ainda escrevi sobre isso, ao tratar da luta da Denise Bottmann contra os plágios. Ela achou um abuso essa história de plágio e em vez de reclamar que ninguém fazia nada, resolveu ela fazer - e está dando certo, muito certo.

Este blogue mesmo é a realização desse conselho: eu achava (e acho) que alguém tinha que analisar certas questões relacionadas com nossa profissão e achava um horror que ninguém analisasse. Discuti o assunto com diretores de uma das associações representativas de nossa profissão — mas a discussão morreu no nascedouro. Em vez de reclamar que "ninguém faz nada", criei este blogue estou fazendo eu. A sensação é ótima. Nem todos concordam com minhas opiniões, mas isso é outra coisa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Concurso para TPIC em Minas Gerais

Houve lá o tal do concurso para TPIC em Minas.


Muita gente reclamou porque o número de vagas era restrito e a eles parecia que, não sendo o TPIC remunerado pelo Estado, conviria aprovar e nomear todos os que tivessem alcançado nota superior a um determinado mínimo. Nisso, há muito de razão, mas os TPICs atuais (e mesmo os aprovados) hão de julgar que já há TPICs demais para tão pouco mercado.


A outros pareceu estranho o fato de que os textos a traduzir existissem na Internet, achando que lá isso tinha um cheiro de maracutaia, mas em si, não significa muito. Por um lado, há milhões de textos na Grande Teia e não se poderia adivinhar qual seria; por outro, mesmo que o texto tivesse sido escrito pelos próprios examinadores, não se poderia dizer que isso garantisse o segredo. Mas, claro, fala-se, muitas vezes só pelo falar mal das autoridades. Não que nossas autoridades sejam uns santos, mas também nem tudo o que fazem é errado ou desonesto.


No fim das contas, os aprovados comemoraram, os reprovados reclamaram, o que faz parte do jogo e sempre foi assim, desde que o mundo é mundo. Um grupo de tradutores nomeados ad hoc (pronuncia-se "adoque"), treze, ao que se diz, todos reprovados, resolveu contratar um advogado para anular a prova. Isso é absolutamente normal. Mesmo que o concurso tenha se realizado com a maior lisura, quem perde apela para o tapetão.


Aqui em SP, no último concurso, ainda no século passado, houve vários recursos, deu notícia de jornal e tudo. Um dos recurrentes se dizia  competente, tinha estudado e vivido no exterior, o escambau. Foram revisar a prova e notaram que a figura confundia “where” com “were”, entre outras coisas. Vexame geral, mas já passou e caiu tudo no esquecimento, a grande lata de lixo da história.


O interessante, neste caso, é os ad hocs serem os autores da reclamação.  Ad hoc é nomeado sem concurso. Não quer dizer que sejam incompetentes, mas é um absurdo, falha geral do sistema, até porque muitos estão há muito tempo adocando (se me permitem o neologismo) e ad hoc deveria ser realmente para casos excepcionais. 


Os maiores beneficiários do concurso deveriam ser os ad hocs, porque, com sua experiência, deveriam ser os primeiros colocados e regularizariam sua situação. Como foram reprovados, não sei. Mas leva a pensar um pouco sobre muitas coisas, mas duas em especial: que exame é esse, onde treze profissionais experientes são reprovados? Ou, que profissionais são esses, que a despeito de sua experiência, foram reprovados no exame de admissão à profissão que exercem? Quer dizer, alguém tem que explicar alguma coisa.


Estou eu (e muito mais gente) morto de curiosidade por saber o resultado e até mesmo por  saber o que  está acontecendo agora. Mas a Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, discreta como boa mineira, está de bico calado. Então a gente espera. Enquanto isso, espera também o concurso em Santa Catarina e, ao que dizem, no Rio de Janeiro. O do Rio deve dar muito pano para mangas, se eu sei como as coisas são. Em outras épocas, daria até marchinha para o carnaval. 


Por hojem, é só. Veja, aí do lado, rolando, o convite para a Sala 7.


O Blogger está brincando comigo hoje. Ah, a Kelli está de volta. Doravante, todos os erros são responsabilidade dela.



sexta-feira, 9 de maio de 2008

Qualidade de tradução juramentada

Escreve um leitor irritado com a qualidade de uma tradução juramentada que leu. Não vi a tradução e, mesmo que tivesse visto, não ajudaria nada, porque é para uma língua que não conheço direito. Mas, sim, há traduções juramentadas de baixa qualidade. O missivista acha que o TPIC signatário da tradução foi nomeado por ter amigos influentes. Pode ser e pode não ser. Vamos ver se consigo colocar as coisas nos seus devidos lugares.

O TPIC não é um supertradutor e não jura que a tradução é perfeita. Jura, unicamente, que é o melhor que consegue fazer e que é a expressão do que diz o original. Então se o documento diz que o Brederodes Brunzundungas era auxiliar de aprendiz de laçador de cachorro da carrocinha de alguma obscura cidade no Alasca, a tradução não pode dizer que ele era coordenador do curso de direito em Harvard. Tenho uma amiga TPIC que quase se atraca com um cliente que queria que ela traduzisse may elect to como obriga-se, porque uma coisa é uma coisa e a outra coisa é outra coisa. Não quer dizer que as traduções dela ou de qualquer outro tradutor sejam perfeitas.

Além disso, são especialistas na tradução de certos tipos de documento. Esperar que um deles faça boas traduções de comerciais de TV é querer demais – embora sempre haja as exceções. Cada macaco no seu galho, de modo geral, embora haja os polivalentes, ou talvez devesse dizer poligalhentes.

Lamentavelmente, entretanto, há traduções juramentadas de qualidade muito má, sim. Por quê? Mil razões. Em alguns estados, há uma série de tradutores ad hoc e nomeados a título precário que nunca foram concursados e mesmo os concursos, que não se realizam há muitos e muitos anos, podem não ter sido dos mais estritos. Deus sabe o que sabia o primeiro colocado entre os que se candidataram a TPIC de alemão no Estado de Baixo Solaranjas do Oeste em 1965. Alguns desses profissionais podem ser de alta categoria, mas nem todos serão e os critérios para nomeação são algo obscuros.

Mesmo em SP, as coisas deixam a desejar. O último concurso foi honesto e disso parece que ninguém duvida. Parece que o penúltimo também foi. Não há acusações de suborno ou favorecimento conhecidas e comprovadas, embora haja quem diga que muita gente boa foi reprovada. Mesmo assim, conheço um par de pessoas aprovadas a quem eu jamais confiaria uma tradução. Como terão passado? Por quê? Sabe Deus. Mas tenho certeza de que não foi à custa de suborno nem de amizades.

Alguns dos TPICs também repassam serviços a terceiros, jurando que revisam tudo direitinho, palavra por palavra, algo que pode estar mais nas intenções do que nas ações de cada um. Essa prática é combatida por muitos, porém bastante comum. E é bem possível que quem recebe esses serviços ainda os repasse a outros. Nunca se sabe, realmente, quem fez uma tradução.

Mas é bom não generalizar: há uma elite de TPICs que presta serviços de alta qualidade. Pena que não seja fácil, para o usuário, saber quem é o melhor profissional para a língua que lhe interessa.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Caixa Postal

M. preparou um pequeno glossário de uma língua falada em certo país e algumas áreas circunvizinhas e me pergunta se precisa de ordem do governo do país para publicar seu trabalho.
Não, não precisa. Mas é bom citar as fontes de onde retirou o material.

K, por outro lado, quer saber quando vai haver concurso para Tradutor Juramentado e Intérprete Comercial no Rio Grande do Sul. Não sei. Você tem que perguntar à Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul. Esses concursos são raros, muito raros. Em SP, onde são mais freqüentes, o intervalo médio está em torno de 25 anos. Está rebentando aí um em Minas Gerais, isso sim.

Se você pretende prestar concurso para TPIC, lembre-se que o exercício da profissão é limitado aos cidadãos brasileiros, naturalizados ou natos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Tradutor Público – O Concurso em Minas Gerais

Escreveu o Fernando, levantando umas questões interessantes:
"Pretendo prestar o concurso agora para TPIC de Minas Gerais, mais tenho medo de não estar apto para o cargo, devido aos aspectos legais das traduções. Primeiramente pensei em prestar de qualquer maneira, mesmo até para ‘rechear’ meu currículo ainda jovem de tradutor, quando me deparo com isto:

"1.5 A nenhum tradutor público e intérprete comercial é permitido abandonar o exercício do seu ofício, nem mesmo deixá-lo temporariamente, sem prévia licença da JUCEMG, sob pena de multa e, na reincidência, de perda do ofício.

"Pesquisando um pouco mais, cheguei à informação de que existe um compromisso que envolve 2 laudas por dia. O que pude entender é que o TPIC não pode recusar esse trabalho, gostaria de saber mais sobre como funciona isso na prática.

"Você postou no orkut que não existe trabalho para tantas vagas, é obrigação do tradutor aceitar todo trabalho que lhe é pedido?

"O tradutor habilitado em todo o território do Estado de Minas Gerais que mora em uma cidade do interior, pode pegar serviços via internet, por exemplo, de Belo Horizonte? Ou recusar serviços de outras cidades mais longe? A internet é um meio usado ou somente traduções entregues pessoalmente?

"Me desculpe estar tomando seu tempo e da minha falta de profissionalismo. Se puder me ajudar agradeço."

Fernando, pedir informações não é falta de profissionalismo. Vamos ver o que consigo te responder.

Não sei qual vai ser o teor do concurso. Não tenha como certo que enfatize muito o aspecto jurídico. Preste. Na pior das hipóteses, você dá uma volta em Belo Horizonte.

Depois de nomeado, de fato, você precisa de licença da Junta para deixar o seu ofício, mesmo que temporariamente. Isso não quer dizer que você precise ficar disponível para os clientes dia e noite. Significa que se você for, por exemplo, ficar três meses no exterior, precisa requerer licença à Junta e a Junta normalmente concede sem problemas. E se você for aprovado e não quiser tomar posse, direito seu. E se tomar posse e no dia seguinte pedir afastamento, também direito seu.

Não conheço qualquer compromisso de duas laudas por dia. Não creio que exista. Tradicionalmente, não se cobra taxa de urgência quando o prazo exigir menos de duas laudas por dia útil, norma que pode estar incluída no regulamento da JUCEMG ou não. Mas nada te obriga a fazer duas laudas por dia.

Na prática, o cliente aparece com um trabalho, o TPIC cota preço (de acordo com a tabela da Junta Comercial de seu estado) e prazo. Se o cliente quiser urgência e o tradutor tiver disponibilidade, pode-se aplicar a taxa de urgência prevista pela Junta. Cobrar a taxa é direito do tradutor, mas o cliente não pode impor prazo dizendo estou pagando a taxa de urgência. Se você não puder fazer no prazo pretendido, recusa o trabalho e pronto. Evidentemente, é seu interesse aceitar e procurar atender, mas não sua obrigação. E se aceitar, tem de cumprir.

O TPIC recebe papel e entrega papel. Quer dizer, se eu quiser uma tradução de uma certidão de nascimento, tenho de levar a certidão ao escritório do TPIC, que faz a tradução, assina, numera e carimba o verso da certidão original e apõe o número da tradução no carimbo. O cliente apresenta original e a tradução juntas à autoridade competente e cabe a quem recebe comparar o número do carimbo com o número da tradução, para ver se não estão fazendo safadeza com ele. Sendo assim – e sendo os preços tabelados e iguais em todo o estado – me parece pouco provável que alguém em BH vá procurar um TPIC em Santo Antonio do Amparo. Por outro lado, quem morar em Perdões ou Santo Antonio do Amparo, talvez prefira os serviços de um TPIC em Campo Belo, mesmo que mande e receba documentos pelo correio.

Você não disse onde mora e, a bem dizer, conheço mal as Gerais, mas pode haver um bom mercado regional para esses serviços em certas áreas do estado. A capital tem maior clientela, mas também tem mais concorrência. E, de qualquer maneira, todo TPIC também faz traduções não juramentadas, o que eles chamam "livres" , e que podem vir via Internet. Quer dizer, nada impede que você more em Santana do Jacaré e seja um tradutor bem sucedido, com clientes em tudo quanto é canto deste mundo. Mas um TPIC que more em Santana do Jacaré , dificilmente vai ter muitas traduções juramentadas.

Para mais informações sobre o concurso, clique aqui e aqui e e para mais informações sobre o ofício de Tradutor Público e Intérprete Comercial, clique aqui.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Apostila para o concurso para tradutor juramentado (TPIC) em Minas Gerais


O nosso colega e TPIC em SP professor Dr. Francis Henrik Aubert (USP) preparou uma apostila para o concurso realizado aqui em SP há anos, com modelos exemplos e outras informações úteis para quem vai prestar o concurso para a língua inglesa. Os interessados em adquirir um exemplar devem entrar em contato com ele próprio em fhaubert@hotmail.com.

Não ganho comissão.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Concurso para TPIC ("Tradutor Juramentado")

A Junta Comercial do Estado de Minas Gerais está promovendo concurso para Tradutor Público e Intérprete Comercial, vulgo "Tradutor Juramentado". O edital está aqui. Leitura interessante principalmente para quem imagina que vai prestar o concurso, ser aprovado e viver de papo para o ar até o fim dos tempos.

Existe, também, um documento tragicômico sobre o mesmo assunto, que você encontra aqui. Além das sevícias à lógica e a língua portuguesa, ainda criaram a língua libanesa.

domingo, 11 de novembro de 2007

tradutor público, tradutor juramentado

Onde encontrar um tradutor juramentado

Este artigo foi escrito para as centenas de pessoas que procuram um tradutor público e caem neste Blog por engano.

O nome oficial do que o povo chama "tradutor juramentado" ou "tradutor oficial" é tradutor público e intérprete comercial, abreviado TPIC.

Juramentada é a tradução, não o tradutor. O TPIC não pode traduzir cópias nem e-mails: precisa do original, mesmo. Isso significa que, muitas vezes, a melhor escolha é o TPIC que fica mais perto da sua casa. Os preços são tabelados e, a rigor, todos os TPICs do mesmo estado devem cobrar as mesmas taxas. Há quem cobre fora da tabela oficial, o que é ilegal, mas, de qualquer modo, raramente vale a pena ficar telefonando para meio mundo para ver quem cobra menos.

Para ser TPIC é necessário prestar um concurso promovido pela Junta Comercial do Estado em que reside o interessado. O concurso é promovido de raro em raro: em São Paulo, o intervalo médio excede 20 anos. Fora de SP, é mais raro ainda. O TPIC não recebe nada do Estado: vive do que cobra dos interessados em obter traduções juramentadas.

Cada TPIC traduz um ou mais línguas. Quer dizer, o profissional pode ser TPIC para a língua russa, mas não para a inglesa, por exemplo, caso em que mandar para ele um documento em inglês é inútil, porque, mesmo que ele entenda o que está escrito, não pode fazer uma tradução juramentada do texto. Entretanto, se você perguntar a um TPIC de qualquer língua onde se encontra um que uma outra, é bem possível que ele tenha uma sugestão inteligente.

A Junta Comercial de cada estado tem uma lista de todos os TPICs do estado, geralmente em seu site na Internet. É só abrir e escolher. Ou telefonar, perguntando. Talvez no seu estado não exista TPIC para a língua que você quer, caso em que você pode e deve procurar nos outros estados. Mesmo assim, pode não dar certo. Não há TPICs para todas as línguas. Por exemplo, não existe TPIC para sueco, no Brasil. Nesses casos, recorra ao consulado do país em questão, neste caso a Suécia, que eles te explicam como proceder.

Tenha em mente que a tradução juramentada é exigida para todo documento em língua estrangeira a ser apresentado a uma autoridade no Brasil. Quer dizer, se você estudou na Argentina e quer apresentar o diploma a uma universidade brasileira, por mais que o texto do diploma possa parecer óbvio, deve ser acompanhado de tradução juramentada.

A legislação é diferente em outros países e, embora a lei brasileira credencie os nossos TPICs para fazer "versão", quer dizer, traduzir para uma língua estrangeira, não é certo que essa tradução seja necessária ou válida onde vão usar o documento. Quer dizer, se você quer se matricular numa universidade canadense, por exemplo, em vez de meramente mandar a documentação para um TPC no Brasil, deve começar se informando lá, com a universidade escolhida, sobre o que eles querem, em que língua querem e como querem traduzido.

Para obter mais informações sobre TPICs e suas características escreva TPIC ali em cima, onde diz "pesquisar no blog". Finalmente, eu não sou TPIC nem trabalho em escritórios de TPICs nem tenho nada que ver com a promoção de concursos para TPIC, com as tabelas da JUCESP ou com a regulamentação dessa ou de qualquer outra profissão.

sábado, 11 de novembro de 2006

Comentários da semana

A Luciene Lima comenta

Puxa, quanto tempo para se abrir um concurso [para TPIC], não? E será lícito que um tradutor que more no Rio de Janeiro, por exemplo, preste concurso para tradutor juramentado na Bahia e, se aprovado, exerça tal função no Rio de Janeiro? Obrigada!

Luciene, é necessário comprovar residência para ser nomeado. Quer dizer, você só pode ser nomeada na Bahia se tiver residência na Bahia. Depois, se mudar para o Rio ou outra cidade, pode pedir transferência. Dizem que alguns dos nomeados no último concurso em São Paulo de repente decidiram mudar para outros estados, causando, digamos, certa curiosidade. Mas o problema principal, creio eu, é que muita gente espera que a nomeação como TPIC lhes traga pronta segurança financeira e isso, pode ter certeza, não é verdade. É um título, é mais uma porta, mas não é nenhuma solução maravilhosa.

Lembre, por favor, que eu nunca prestei o concurso e que, por isso, nem de longe se possa dizer que estou dizendo essas coisas para desencorajar a concorrência.

O Fabio M Said diz, entre outras coisas,

Discordo que o exercício de tradução de autor brasileiro para um idioma estrangeiro seja absolutamente inútil. […] pensando bem, faz sentido, pois na tradução do vernáculo para idioma estrangeiro o aspirante a tradutor é obrigado a pensar mais criticamente a sua própria cultura para poder verter seus elementos para a cultura alheia. Porém, é horripilante constatar que seja exigida versão literária em um concurso para tradutor público, como aconteceu no último concurso na Bahia.

Fabio, mas é o que eu disse no meu artigo. Só serve para ter uma visão mais aprofundada do português, a partir de um ponto de vista mais distanciado. Dê uma olhada que você vai ver. O problema é que essa visão exige do professor um posicionamento que, no caso que eu mencionei, não existia. O professor pediu a tradução porque achava o autor interessante e nunca explicou aos alunos que a possibilidade de eles traduzirem literatura brasileira para o inglês era praticamente zero. Quanto à versão literária em concurso para juramentado, concordo com você plenamente.

domingo, 5 de novembro de 2006

Tradutor juramentado

Primeiro, saiba que o nome correto é Tradutor Público e Intérprete Comercial (TPIC). Embora "juramentado" seja comum, mesmo entre os TPICs, juramentada é a tradução, não o tradutor.

O TPIC é o único que pode fazer uma tradução juramentada e a tradução juramentada é a única que conta com “fé pública”. Gozar de “fé pública” significa que as autoridades são obrigadas a aceitar a tradução como correta, salvo prova em contrário. Em verdade, as autoridades somente podem aceitar documentos em português. Se o documento estiver em outra língua, tem de ser apresentado juntamente com uma tradução feita por TPIC, mesmo que a autoridade que o receber tenha condições intelectuais para entender o original perfeitamente bem.

Ocorre situação homóloga com as declarações e depoimentos verbais. O estrangeiro tem todo o direito de depor em sua língua e o juiz, por mais que entenda a língua do depoente, é obrigado a decidir com base na tradução feita por TPIC.

O TPIC não é servidor público e, portanto, nada recebe dos cofres públicos. Também, ao contrário do que muita gente pensa, não é obrigado a prestar serviços grátis a nenhum órgão público. O TPIC tem que ir atrás do trabalho, como todos os outros tradutores, tarefa em que uns são mais bem-sucedidos do que outros.

Para conquistar o título de TPIC, é necessário passar em um concurso promovido pela Junta Comercial do estado em que o tradutor reside. Acontece que as Juntas Comerciais raramente promovem esses concursos. Em São Paulo, onde são relativamente freqüentes, o intervalo médio entre um concurso e outro está em torno de 25 anos. À medida que os TPICs se aposentam, o quadro fica desfalcado e as diversas Juntas Comerciais se valem de diversos artifícios para manter quem atenda às necessidades de seus respectivos estados.

O concurso, pelo menos em São Paulo, costuma ser rigoroso e não são todos os que são aprovados. Além disso, são honestos. Se houve alguma desonestidade, alguma proteção, em algum concurso, pode ter sido em alguma daquelas línguas em que só havia um examinador e um candidato e o examinador sabia, de antemão, que não poderia haver outro. Nas línguas de grande e média demanda, não há chance de desonestidade.

Por outro lado, o tradutor juramentado não é um supertradutor. É simplesmente um tradutor competente. Se você precisar de uma boa tradução de algum documento que não vá ser entregue a uma autoridade e resolver contratar um juramentado porque entende que, tendo sido aprovado em concurso, há de ter competência, está usando um critério de seleção válido. Por outro lado, grande parte de nossos melhores tradutores jamais prestou concurso e é errado partir do princípio de que um TPIC é sempre mais competente que os outros tradutores.

É segredo de polichinelo que muitos TPICs têm muito mais serviço do que podem fazer pessoalmente e terceirizam o excesso, mantendo equipes numerosas de subcontratados, procedimento firmemente contestado por outros. A discussão levanta alguns problemas extremamente interessantes, que não vão ser discutidos aqui.

Uma coisa é certa: tornar-se TPIC não é fácil nem garantia de sucesso financeiro. O TPIC é obrigado a cobrar de acordo com uma Tabela de Emolumentos baixada pela Junta Comercial do seu estado. Para o leigo, a tabela parece ser uma verdadeira cornucópia. Quem é do ramo sabe que não é bem assim e que manter um escritório de tradução juramentada lucrativo não é tarefa simples.

Por fim, é bom lembrar que na maioria dos países, não existe o ofício de Tradutor Público e Intérprete Comercial e enviar “traduções juramentadas” para esses países não faz muito sentido. Por outro lado, de tanto lidar com as peculiaridades de cada país estrangeiro, muitas vezes é o TPIC o mais indicado para preparar uma documentação para uso no exterior.

Em tempo, e antes que me entendam mal: não sou TPIC, nunca prestei o concurso nem trabalho como subcontratado de TPIC nenhum. Quer dizer, se alguém pensa que estou defendendo meu terreno e minhas regalias, engana-se.