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sexta-feira, 6 de julho de 2007

Saudade dos tempos de traduzir para o inglês

Durante muitos anos, traduzi mais para o inglês do que para o português. Essa história acabou quando comecei a trabalhar para agências americanas: lá, como na Europa, a regra é cada um trabalha da língua estrangeira para sua própria língua materna. Há muitos anos que a tradução para o inglês deixou de ser significativa na minha carteira. Curiosamente, um dos poucos clientes de tradução para o inglês é uma agência em Nova York que, um dia, no sufoco, apelou para mim porque não tinha opção e, depois, ficou freguesa. Mas é pouco serviço.

Pouco serviço e, muitas vezes, pouco rendoso, embora a paga unitária costume ser maior. Pouco rendoso porque dá um trabalho diabólico e não sei se o diferencial de pagamento compensa. Se levado a sério, é um serviço terrível, extremamente desgastante, mesmo que você domine o inglês. Escrever tupiniquinglish, aquelas coisas esquisitas que você vê nos sites em inglês das nossas empresas, não chega a ser difícil, chamar o LALUR de book of real profit ascertainment, é moleza. Difícil é achar uma terminologia decente para as nossas coisas e escrever umas coisas que não deixem o leitor atônito com um texto em que todas as palavras estão em inglês, mas o texto, em si, não está em inglês; onde todas as palavras fazem sentido mas o texto em si não faz.

Mas é um excelente treino, inclusive para a tradução do inglês para o português. Porque, se ficar atento, ao traduzir para o inglês vai começar a perceber quantas coisas esquisitas você escreve ao traduzir para o português. E vai poder crescer muito como profissional. Ao traduzir para o inglês, li milhares de páginas de textos em português, escritos por "profissionais da área" que jamais teria lido se trabalhasse exclusivamente do inglês para o português.

Às vezes, sinto falta desse tipo de serviço. Mas o mercado anda exigindo de mim outras coisas e há que fazer o que o mercado quer.

Obrigado pela visita e volte amanhã, que tem mais. Aproveite que está aqui e dê uma olhada nos cursos para a semana que vem, O Uso de Programas Freeware como suplemento as Memórias de Tradução e Wordfast Avançando – Pandora Box. Como os cursos são via Aulavox, você pode fazer, não importa onde esteja. Para mais informações, clique aqui.

2 comentários:

Fabio M. Said disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Emilio Pacheco disse...

Traduzir do português para o inglês me fez atentar para o quanto o brasileiro gosta de eufemismos. Principalmente quando o assunto é dinheiro. Brasileiro não paga: "recolhe", "distribui", "acerta". Brasileiro não lida com dinheiro e sim com "recursos", "valores", "fundos", "meios". No Brasil não existem pessoas pobres e sim "carentes".