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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Tradução para legendagem

Um dos passatempos nacionais é falar mal de legendagem. Encontrar erro no serviço dos outros é fácil e divertido. Fazer serviço sem erros é mais difícil e, provavelmente, menos divertido.

Essa história de ficar catando erro em serviço dos outros é perda de tempo. Quando você encontra um erro no serviço de um colega, não aprende nada: se você encontrou uma tradução e notou que estava errada, é porque já sabia.

Melhor ficar procurando os acertos, aquelas sacadas em que você jamais tinha pensado, soluções que nunca tinham passado pela tua cabeça. E legendagem é sempre uma lição extraordinária para todos nós, mesmo quando não é nenhum primor de trabalho.

Legendagem tem terríveis limitações quantitativas: duas breves linhas de texto que têm de ficar um certo tempo na tela, se não, o espectador não consegue ler. Nem todos neste mundo fizeram curso de leitura dinâmica e, além disso, o espectador não pode se dedicar exclusivamente à leitura da legenda: precisa ver o filme, também. Por isso, salvo se for um daqueles filmes tipo Ingmar Bergman em que só se diz uma palavra a cada quinze minutos, é bom nem pensar em traduzir tudo: você precisa aprender a ouvir duzentas palavras e traduzir tudo aquilo com, digamos, cinqüenta. Aquela historinha de que a tradução em português é mais longa simplesmente não funciona para legendagem. A legendagem tem de ser mais curta, muito mais curta.

O truque é fazer com que a mensagem fundamental passe, o que exige do tradutor uma capacidade extraordinária para selecionar e resumir. E ficar rezando para o leitor não ser surdo e perceber o tom de, digamos, ironia, alegria ou tristeza do artista, que você não tem como mostrar na legenda.

Para piorar, não se pode usar vocabulário muito complexo. Tem uma palavrinha porreta que cabe exatinho ali, mas os limites do vocabulário do expectador têm de ser respeitados e ninguém fica vendo filme de dicionário na mão. Então tem de se virar com uma coisa mais simples e pronto.

Para rematar, em legendagem, não há notas do tradutor. Quem quer fazer legenda, tem de aprender a se virar sem essa muleta tão amada de alguns colegas que traduzem livros.

Embora não tenha a mínima vontade de trabalhar com legendagem, tenho vontade fazer um curso, para aprender as técnicas. Deve ser muito divertido e útil para qualquer um de nós, independentemente do nosso tipo de trabalho.

Por hoje, é só. Amanhã, deve ter mais. Passou um furacão dos bons por aqui, furacão capaz de furar um Rothweiler, mas parece que está amainando: acho que vou poder voltar a postar todos os dias, o que é uma delícia para mim. Obrigado por ter dado uma chegadinha. Se gostou do que viu, conte para os colegas. Se não gostou, conte pelo menos para mim, para ver seu eu consigo melhor este negócio todo. Sugestões são bem-vindas.

5 comentários:

Isabel Silva disse...

Confesso que por vezes também faço o mesmo mas isso deve-se um pouco à minha atitude "critica" de futura tradutora, do género "Acho que a opção X ficaria melhor ali que a opção Y". Mas o que mais procuro são erros ortográficos, algo que se encontra bastante nas legendas.
Tenho vários colegas de curso que querem especializar-se em legendagem, eu pretendo especializar-me na àrea da tradução técnica para turismo. O próximo ano lectivo será o meu ultimo ano da licenciatura.
Tenho aprendido bastante com este blog, tem em mim uma leitora atenta.
Continuação de bom trabalho.

Mel Savi disse...

Excelente e verdadeiro esse comentário. Levando em consideração as restrições de tempo, espaço e até mesmo as condições de trabalho, muitos tradutores fazem milagres nas legendações! Dou risada quando meus amigos xingam as traduções e penso que eles não tem idéia do que significa trabalhar não apenas com essas restições, mas também para uma platéia que nem sempre entende palavras um pouco mais sofisticadas!
Afinal, ler não é ouvir! :)

Ps: Recebo os posts no meu RSS e adoro!

Abraço,

Melina Savi

Enig disse...

Oi Danilo

Tb admiro muito os legendadores e já teve época que assistia a seriados com boa tradução de caderninho na mão.

Fiz uma vez um curso de legendagem e foi o que bastou para ver que essa é uma das áreas mais difíceis do nosso mercado.

Abrs
EM

Anônimo disse...

COMO FAÇO PARA FAZER UM CURSO DE LEGENDAGEM A DISTANCIA ?
IMPERADOR33@yahoo.com.br

Danilo Nogueira disse...

Escreva para a Carol Alfaro em

legendagem@scribatraducoes.com.br