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domingo, 4 de março de 2007

Uma questão de ética

Há tempos, um colega recebeu uma consulta sobre tradução de um site "adulto". Pessoa muito liberal, achou que o serviço não tinha nada de mais e aceitou.

Recebeu os textos e começou o trabalho. Serviço fácil, porque era meia dúzia de palavras que se repetiam diversas combinações e não havia, realmente, grandes questões de estilítica a enfrentar. Lá pelas tantas, começou a ficar preocupado: parecia que algumas das legendas se referiam a fotos de crianças. Aparentemente, havia uma página principal com fotos, que, clicadas, levavam a páginas, digamos, especializadas e, lá para o terceiro nível, surgia a pedofilia.

O colega parou, com o estômago embrulhado e perguntou, num grupo de tradutores, o que os outros fariam. As respostas variaram desde não tenho nada que ver com o conteúdo: eu traduzo até denuncie às autoridades, é seu dever de cidadão e a discussão ficou algo acalorada.

Não sei no que deu. Mas o problema é interessante. Um dos colegas alegou que não pode aceitar responsabilidade pelo conteúdo do texto e citou não sei que lei em favor de sua tese. Pode ser, mas não estou falando de direito, mas sim de ética. São coisas diferentes. Nem tudo que é legal é lícito. Sou agnóstico, mas sempre me lembro de um conhecido, muito religioso, que, quando ouviu alguém dizer a lei está do meu lado, respondeu a lei pode estar, mas acho que Deus não está.

Mas vamos ter de deixar o resto da conversa para amanhã. Por hoje é só. Muito obrigado pela visita.

Ah, antes que me esqueça, se você é estudante de tradução ou pretende começar o curso (coisa assim de "...estou terminando o colegial e..." acho que vamos ter uma novidade interessante para você esta semana.

E sábado que vem tem Reunião na sala 7. Grátis, nos computadores de todos os que quiserem participar. Não passamos rifa nem fazemos coleta.

5 comentários:

Lady Dark disse...

Oi! Ótimo blog.:)
Uma pergunta: como cobrar salário fixo, com jornada pré-determinada para um cliente?

Anônimo disse...

Danilo:
O Apóstolo Paulo, grande professor de ética, disse na Primeira Carta aos Coríntios:

6:12 - Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
10:23 - Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.

E também na Primeira Carta aos Tessalonicences:
5:21 mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom;
Outra versão diz: Examinai todas as coisas> Retende o que é bom. Este tem sido meu lema de vida desde a adolescência e estou satisfeita por havê-lo adotado.

Portanto, acho que o tradutor tem o pleno direito de rejeitar o que não lhe convém à consciência. Eu jamais traduziria algo que contrariasse meus princípios, nem que isso me custasse a perda do contrato e a editora me mandasse às favas.

Stella Machado

Cristine Martin disse...

Concordo plenamente com a Stella. E isto se aplica a todas as áreas de nossas vidas.

Um abraço,

Cristine

Anônimo disse...

Oi, Danilo!

Boa polêmica.

Existe uma extensa discussão em direito entre o legal e o legítimo. É infinda, como a vida nos mostra a cada dia, porque o legal e o legítimo nem sempre coincidem...

=o)

Danilo Nogueira disse...

Pois é. Aqui, não estava me atendo aos aspectos jurídicos da discussão, mas sim aos éticos.