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domingo, 18 de março de 2007

Ajustados e desajustados

Há relativamente poucos tradutores mais velhos que eu em atividade. A turma vai se aposentando e morrendo e, de qualquer maneira, a profissão aumentou tanto que, mesmo que todos os que traduziam no meu tempo de iniciante ainda continuassem trabalhando, ainda constituiriam uma parcela pequena da categoria.

Comecei em 1970, na mesma época em que os cursos superiores de tradução. E demorou muito para os formados começaram a conquistar seu lugar ao sol. É uma história complicada, sobre que um dia ainda escrevo algo. Mas o fato é que, ainda hoje, uma parte, provavelmente a maioria, dos tradutores atuantes não tem formação superior como tradutor. Quem são os tradutores atuantes, então?

Antigamente, ninguém "queria ser tradutor". Caia-se na tradução, muitas vezes por falta de opção. Eu fui um caso e estou longe de ter sido o único.

Alguns eram aposentados que queriam ganhar mais uns trocados; outros não conseguiam emprego por algum motivo, bebida, por exemplo. Conheci um que era piloto de avião e foi aposentado na marra por um problema cardiológico, antes de adquirir direitos a uma polpuda aposentadoria. A cardiopatia não recomendava que lhe fosse confiado um jato lotado de passageiros, mas para tradutor, ele estava mais do que bom. Como sempre se supôs que os escritores fossem por natureza, bons tradutores (suposição com que não concordo, mas isso é outra coisa), havia muitos escritores traduzindo e muitos mais assinando traduções alheias, em troca de uma módica remuneração. Muitos desses escritores, aliás, jamais tiveram uma linha de seu trabalho publicado.

Havia muitas mulheres, algumas cultas, outras meramente metidas a cultas, que, num mercado onde as oportunidades para mulheres eram menores que hoje, traduziam para os alfinetes, para ajudar na despesa ou mesmo para sustentar a casa. Mas traduziam por absoluta falta de opção.

Ninguém, aos dezoito anos de idade, dizia quero ser tradutor. Isso veio depois, com os cursos superiores. Muitos dos primeiros alunos desses cursos, entretanto, eram gente que gostava de inglês, mas não queria dar aula.

Algumas dessas pessoas que caiam na tradução, porque cair é o termo, se achavam na nova atividade. Eu tive a sorte de ser um deles e não sou o único. Quando me vi traduzindo meu primeiro livro, senti que era esse o meu lugar. Acho que até dá para perceber. Pelo menos espero.

Mas outros passaram e passam a vida reclamando e lembrando que são formados nisto e naquilo, já trabalharam em tal e qual empresa, mas, vítimas das vicissitudes e maldades do mercado e da vida, estavam fazendo tradução. Lembram, com inveja e azedume, os tempos em que exerciam suas verdadeiras profissões e os antigos colegas que progrediram e conseguiram se estabelecer profissionalmente. São os desajustados da profissão.

O que me surpreende é a quantidade de desajustados que sai das faculdades. Seria de esperar que gente que se matricula num curso superior de tradução e fica lá durante quatro anos não entrasse nesse time.

Mas o fim dessa conversa fica para mais tarde. Por hoje é só. Amanhã, volto às cinco habilidades. Espero que você volte para ler os próximos capítulos destas novelas. E já que está aqui, talvez queira dar uma olhada nos eventos Aulavox, todos a distância, quer dizer, você na sua casa, eu na minha e Aulavox fazendo ligação. A Reunião na Sala 7 é grátis, o resto é pago. Fazer o quê? Este mundo não é justo.

28 comentários:

Carolina Silveira Nunes disse...

Danilo:

Não era só no seu tempo que algumas pessoas "caíam" na tradução. Este é meu último ano de curso e infelizmente me sinto assim. "Caí" na tradução e espero que em determinado momento eu me encontre nela.

Bruna Liliane disse...

É interessante percebermos a admiração dos jovens pelo trabalho dos tradutores mais experientes como você, Danilo. Acredito que o incentivo que leva muitos a quererem se aprofundar mais na estudo da tradução, entrando até num curso superior nessa área, não é só o fato de gostarem de inglês e não quererem dar aulas. Eu, por exemplo, fui despertada para o mundo da tradução ao ouvir falar de nomes conceituados, como o de Lia Wyler e Lenita Esteves, que serviram como inspiração para meu ingresso na faculdade de Tradutor e Intérprete.

Michele Oliveira disse...

Ola Danilo,
O que você acha que acontece para que se tenha tantos desajustados saindo da faculdade? E o que você diria para aqueles que estão em dúvida se é a tradução sua vocação?

Cleberson Luiz de Paula Neves disse...

Caro Danilo.

É uma pena que muitos iniciaram a tradução apenas por necessidade. Eu demorei para iniciar uma faculdade e quando encontrei uma que fosse de Tradutor eu simplesmente amei. Quero que esta seja a minha profissão. E sinto muito orgulho dela. Espero que outras pessoas possam também sentir o mesmo. O amor a profissão nos torna os melhores.
até mais...

Kelly Ariane disse...

A tradução ñ foi feita p/ todos.
Inclusível eu estou me adaptando a essa nova aréa da minha vida pois sou aluna do 1°ano de Tradutor do unasp e logo no inicio senti q ñ era p/ mim agora estou me adaptando.
Termino lhe fazendo uma pergunta: O q te levou a ser Tradutor?

Tradutor
Kelly Ariane
064717

Anônimo disse...

Olá Danilo.
Há uns cinco anos que resolvi fazer o curso de tradutor, e estou gostando muito, realmente é isso que eu quero.

Nome: Fernanda da Silva Monteiro.
Curso:tradutor
RA:0062441

Anônimo disse...

Antigamente ninguém via tradutor como uma profissão por não ter curso superior e muitos faziam isso por obrigação para ganhar algum dinheiro.Mas agora muitos vê isso como profissão e gostam do fazem como eu eu que estou gostando muito e não vejo a hora de comerçar a trabalhar.

Curso:Tradutor e interprete
Vanessi Araujo Ferraz de Campos
RA:041301

Sabrina Caroline Hostins Fraça disse...

Nunca pensei em fazer tradução antes, tive a experiência de morar no exterior por sete anos, então o conehcimento que tive da língua inglesa e o fato de eu me adpatar me levou a isso. Hoje faço o curso para me tornar uma profissional e estou adorando, acho que não poderia ter escolhido outra coisa.
Infelizmente o mercado de trabalho leva muitas pessoas a fazer oque não gosta, acho que esse é o caso dos desajustados.
Um abraço

Mônica Sanchez disse...

Gostei do texto e isso é bem verdade, fora alguns que entra em um curso de tradução com um inglês básico e acha que a faculdade tem a obrigação de ensinar inglês.até parece né, se a pessoa realmente que fazer um curso deste nível, precisa não só saber o inglês mais com certeza o português.

Jairo Cesar Silveira disse...

Ao mesmo tempo que é ruim pensar que está aumentando cada vez mais os profissionais da área de tradução, é muito bom saber que as oportunidades no mercado de trabalho estão sendo cada vez mais ampliadas.
Essa questão também nos leva a refletir sobre a qualidade do trabalho. Será que com essa maior quantidade de pessoas traduzindo profissionalmente, também é percebida a decadência da qualidade dos textos? O que você acha, Danilo?

Anônimo disse...

Até pouco tempo atrás, a profissão de Tradutor não era tão valorizada como é hoje e as pessoas não valorizavam esta adorável profissão. Talvez por isso muitos seguaim este ramo como sendo o único caminho.
Quando aqueles que você adequadamente entitulou de "desajustados" , acredito que, na verdade não houve falta de oportunidade, mas houveram outros que se empenharam mais do que estes e se sobressairam mostrando mais competência e vocação naquilo que se propuseram a fazer, tomando-lhes o lugar.

Marco A.Azevedo - Unasp - E.C

Lilian de Azevedo Zanin disse...

Desajustados mesmo né Danilo.
O pior é que mesmo que ainda esteja no segundo ano, eu já conheço alguns que parecem meio desajustados.
O importante é que eu me prepare para estar completamente ajustada com a profissão que escolhi.
Acredito que em qualquer profissão tenhamos os ajustados e desajustados... é o que vemos em médicos que seguem essa carreira porque seus pais achavam "bunitinho" por exemplo.
São formados nisso, ganham bem (na maioria das vezes pelo menos), mas não gostam do que fazem.
Acho que mesmo que descubra-se tarde ou sem querer, aquilo pelo que você se apaixonar é o que você deve exercer. Você pode não ter um salário tão bom no começo, mas sua paixão pelo que faz te tornará conhecido e reconhecido, e consequentemente melhor remuneração virá.
Sinceramente, acredito que Tradução deva ser paixão, ou não será nada relevante.

Aron Affonso Volante disse...

Como dizem alguns: Quem vive de passado é museu! E como estes nos ensinam!
É chato ver e saber que muitos "cairam" na tradução por falta de opção ou por terem problemas que os impediam de trabalhar em suas áreas.
O melhor disso tudo é saber como escolher o que se quer saber e trabalhar em cima disso com amor e empenho!
Os 3 testes vocacionais que fiz apontaram a área de Tradução (entre outras, é claro) como a opção com maior pontuação.
Meses antes de minha decisão pelo curso tive a oportunidade de fazer as legendas de 1 filme que ainda, naquela época, não estava disponível em português. Como a legenda era para algo interno de uma Associação, nada oficial, fizemos com calma, eu e um americano, amigo meu. Com certeza devo ter usado os métodos Tupiniquinglish, porém, hoje vejo que não fiz um mal trabalho se comparando minha versão com a oficial brasileira. Não usei técnicas, nem sabia de antemão que existiam. Isso fez com que eu tomasse uma decisão mais concreta sobre o que querer fazer e onde! Está sendo ótimo aprender tudo o que estou aprendendo, e quero mais. Prefiro ser Ajustado que Desajustado!
Até mais.
063.090
aron_utah

Marlon Vicente Stefan Geraldo disse...

Felicidade e satisfação. A primeira palavra vejo como momentânea e na maioria das vezes passageira. Agora "satisfação"... aah! Essa é indispensável! Fazer aquilo que motiva, que dá o friozinho na barriga, que aumenta o desejo em querer mais e tal, isso sim é o que há.
Como sou iniciante, vejo um horizonte muito, mas muito grande a minha frente. Por outro lado, gostei quando voce disse que todos somos iniciantes; isso faz motivar, faz ver esses quatro anos como uma metamorfose ambulante... como diria o Raulzito. Mudança constante em prol da melhoria contínua!
O que contou muito pra que eu ingressasse nesse curso, foram as aulas de inglês de uma maneira empolgante e o incentivo de alguns profissionais da área.
O objetivo é continuar com a "camisa" da tradução e sempre buscar uma boa forma para os trabalhos e fazer da profissão, um grande prazer.
Prazer este, de comentar neste espaço.
Abraços

Anônimo disse...

Ola, infelismente isso ainda acontece de escolher uma profissão, passar anos estudando aquilo que não gostaria e tomado por não decisões prórias e outras coisas mais, sendo que outros ainda possam ser chamados de desajustados.

Simone Franco de Andrade disse...

è! isso ainda acontece hoje, pois existem muitas pessoas que possuem outra profissão e traduzem para ganhar um dinheirinho por fora. Mas nada mais satisfatório do que fazer aquilo que realmente gostamos, e a tradução é uma área muito satisfatória.

Suellen vaz disse...

Sim, tradutor profissional para aquele que investiu e estudou muito pra ser, é mais do que justo e ainda cria um certo credito dizer e ser um tradutor profissional, não que os outros amadores ou semiprofissionais sejam invisiveis e dispensaveis, mas já que é para ser o melhor então que seja o tradutor profissional.
E que nos podemos nos dedicar muito, estudar, e buscar mais conhecimento e dizer com a boca cheia sim, sou tradutor profissional.

suellen vaz disse...

se for pra cair que cai de cabeça, embora isso nao aconteça e muitos casos, mas é bom saber que o campo é bom, sei que bom para o que se esforça, o que se deve fazer é aprimorar vestir o moleton e enfrentar o frio, comigo sei que isso que quero,melhor , estudar é tudo que mais preciso e estou fazendo, e que todos que estao no ramo que esteja satisfeito, afinal vamos tornar isso uma fonte de trabalho e satisfaçao.

Bruna G. Luiz disse...

Depois de ler este texto só posso continuar afirmando que o problema da tradução é a falta de reconhecimento que, talvez, surja com os próprios profissionais da tradução que, por falta de opção e por gostarem da língua inglesa, tornam se tradutores sem perspectivas.
Mas, "cá entrte nós", nada mais satisfatório do que fazer aquilo que realmente gostamos e, no fim do trabalho, ter aquele sentimento de "puxa, fui eu quem traduziu".

Laila Meliga dos Reis disse...

Eu realmente há tempos pensei em fazer esse curso, por gostar muito de inglês e de aprender mais sobre todas as línguas.Talvez não tenha sido o incentivo certo para esse curso, mas cada vez mais eu me apaixono mais no curso que estou fazendo.
Como foi dito antigamente faziam traduções, mas nem havia o ensino superior e hoje já é considerada uma profissão que eu já amei desde o início.
Estou realmente muito satisfeita com o curso e não espero a hora de me formar e começar a trabalhar, fazer meu primeiro trabalho!

Anônimo disse...

Eu realmente há tempos pensei em fazer esse curso, por gostar muito de inglês e de aprender mais sobre todas as línguas.Talvez não tenha sido o incentivo certo para esse curso, mas cada vez mais eu me apaixono mais no curso que estou fazendo.
Como foi dito antigamente faziam traduções, mas nem havia o ensino superior e hoje já é considerada uma profissão que eu já amei desde o início.
Estou realmente muito satisfeita com o curso e não espero a hora de me formar e começar a trabalhar, fazer meu primeiro trabalho!
Laila Meliga dos Reis
ra:041406

Regiane de Cássia Lopes disse...

Realmente há muitos desajustados em todas as profissões, principalmente na tradução. Tenho percebido que muitas pessoas ainda continuam trabalhando com tradução por falta de opção, e não porque se identificam com a profissão. Além disso, apesar da existência do curso superior de tradução, muitos têm se matriculado apenas com a intenção de estarem em contato com uma língua estrangeira, o que contribui para o crescimento do grupo daqueles que não conseguem se encaixar no mercado específico.

Fernanda Guimarães disse...

Escolhi fazer o curso de tradução porque eu gosto muito da língua inglesa mas eu pouco sabia sobre as teorias da tradução, descobri muitas coisas que eu nem fazia idéia de que precisava saber para traduzir. Os tradutores não ficam famosos, a maioria das pessoas não sabem o trabalho que envolve traduzir alguma coisa. Eu penso que essa profissão não tem o reconhecimento merecido, e se antes se fazia tradução por falta de opção, hoje felizmente há pessoas que traduzem por amor e mesmo assim não tem o devido reconhecimento.
Gostaria de obter dicas de empregos que um tradutor pode exercer além de traduzir livros. Obrigada!!

Alexys SouL4PraisE disse...

É evidente que quando se fala em traçar a "rota perfeita profissional" de nossas vidas, entramos em dúvidas focadas não somente em nossas aptidões, mas também nossos anseios. Aliás, quem já não quis seguir uma profissão com a qual nunca teve contato ou afinidade?
Dentro desses padrões, é que às vezes, mesmo os "Bem-resolvidos" se vêem encurralados... Antes de iniciar a faculdade de Tradutor e Intérprete, tive muitas dúvidas quanto à uma de minhas aptidões (música), e minha motivação veio com o alvo financeiro. Porém, creio que devemos levar em conta , embora muitos não o façam, as aptidões que temos ou não... São elas as diretrizes que nos levam mais rápido aonde queremos chegar...

Andrea M. Oliveira Padovini disse...

Olá Danilo...
Bom, acho que não sou um "peixinho fora d'água", pois além de gostar muito do Inglês acho esplêndido o fato de você traduzir, e então contribuir para o crescimento de outras pessoas, você ser o instrumento da comunicação.
Estou no Segundo ano de Tradutor e Intérprete e até agora, e o que me deixa preocupada é que não consigo escolher por uma das duas opções. Estou um pouco dividida,mas sei que quero trabalhar nessa área.
Lamento o fato de antigamente as pessoas terem desmerecido essa tão valiosa e necessária profissão.

Vivian H. Pasini disse...

Hey Danilo!

Estou fazendo faculdade de tradutor porque amo inglês, mas não me vejo como uma boa professora. Muitos já me disseram que infelizmente não conseguirei sobreviver só disso. Por isso, pretendo fazer o meu melhor durante esses próximos quatro anos, garantindo assim o meu lugar no mercado de trabalho, afinal, nunca falta espaço para os melhores.

Flavia Carolina disse...

Isso é uma verdade...pois muitos saem de uma faculdade de tradutor e nao sabe se é isso que querem... saem com uma tradução a desejar. Muitos me disseram que tradução não da dinheiro, mas será que quando alguém faz uma faculdade faz somente para ganhar dinheiro ou por gostar de trabalhar com isso?

Anônimo disse...

Caro Danilo
Fiquei muito feliz ao saber que havia um curso somente para tradução e interpretação e gostaria de cursá-lo mas não tenho essa informação de onde ,qual universidade ingressar se vc souber por favor entre em contato comigo pelo e-mail: soldierboy_915@hotmail.com
grato Enoque