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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Você decide: O Repasse




Gostaria de abrir uma discussão, com base em uma história que apareceu outro dia na Web. Vou mascarar nomes (e espero que os comentaristas que conheçam a história não mencionem os nomes), porque gostaria de ver não uma crítica a este ou aquele portal ou tradutor(a), mas sim uma discussão da questão em si. Resumidamente:

  • Existem na Internet vários portais onde se oferecem serviços para tradutores.
  • Nossa colega Alfa entrou no Portal 1 e encontrou uma oferta de serviço, postada por Beta. Candidatou-se e conquistou o serviço.
  • Em seguida, entrou no Portal 2 e descobriu que Beta tinha conquistado o serviço lá, nesse Portal 2, onde tinha sido postado por Gama e que estava recebendo, por ele, aproximadamente três vezes o que estava pagando a Alfa.
  • Tendo tomado conhecimento da situação, Alfa escreveu a Beta e rejeitou o serviço.


Comente à vontade. Principalmente, gostaria de saber se, na sua opinião:

  • Beta tinha direito de repassar o serviço?
  • O fato de que Beta tinha repassado por um terço do que recebia é relevante?
  • Alfa tinha alguma obrigação de rejeitar o serviço?
  • Gama foi lesada?


Terça-feira da semana que vem, comento os comentários. Espero que sejam muitos.


30 comentários:

Simone do Vale disse...

Acho feio um tradutor se oferecer para um trabalho e repassar para outra pessoa sem conhecimento de quem o contratou, mas só nesse caso. Acho terrível um tradutor aceitar trabalhar por menos do que merece. Recusar o trabalho era a única opção.

José Henrique Lamensdorf disse...

Veja a historinha (fictícia) da Fustigen (tb. fictícia) no quadrinho em http://tinyurl.com/ykc6z4f

Jorge Rogério Penha Rodrigues disse...

Danilo,
Como você sabe, além de tradutor também possuo uma pequena agência de traduções e, portanto, prospecto clientes e terceirizo trabalhos de tradução e interpretação.
Então, desde que Beta garanta e se responsabilize pela qualidade do trabalho entregue a Gama, acho que ela tinha o direito de repassá-lo.
O fato de Beta pagar um terço do que vai receber não é relevante, já que Alfa aceitou livremente receber esse valor. Ou será que Beta apontou um revolver para a cabeça de Alfa obrigando-a a aceitar tal valor?
Alfa tem o direito de recusar o trabalho? Depende. Se Alfa já havia se comprometido e dado sua palavra de que faria o trabalho pelo preço combinado com Beta, acho que não tem.
Gama foi lesada? Absolutamente não. Gama contratou Beta sob as condições que ela (Gama) propôs.
Enfim, resumindo, o que é livremente negociado entre as partes não é caro.
E que venham as pedradas, pois sei que esta posição é polêmica e minoritária entre os tradutores. Mas, fazer o quê?
Abraços,
Jorge

Samba com cota disse...

Penso que seja falta de respeito por parte de quem repassou o serviço, caso 1) não tenha avisado ao cliente e 2) não tenha sido trnasparente com quem negocou o trabalho por apenas 1/3 do valor. Eu diria mesmo que isso indica séria falta de caráter caso se confirmem as hipóteses acima.

Ramon Souza

João Vicente disse...

Beta tinha direito de repassar o serviço?

Será que a questão é realmente ter o direito de repassar? Complicado, hein?! Dependendo do serviço (em geral, não de tradução), não faz muita diferença se o contratado ou outrem o fez; o que interessa é que fique bom. Mas, no caso de uma tradução, eu esperaria que o tradutor que eu contratei fizesse o serviço. Que tal olharmos de outra maneira? E se Beta repassa, recebe o serviço terminado, entrega-o ao cliente e o serviço está bem feito? Ninguém vai reclamar. Agora, isso tudo deve ser pensado contra o pano de fundo da realidade do mercado: Cada vez mais quem faz a tradução não é exatamente quem foi contratado lá no começo do processo. Salvo determinados nichos, o modelo de negócio é repassar a quem faz mais barato e embolsar a diferença. E a qualidade... bom a qualidade está implícita, como dizem por aí.

O fato de que Beta tinha repassado por um terço do que recebia é relevante?

O grau de, se me permitem, “emputecimento” de Alfa vai ser diretamente proporcional ao valor embolsado pelo repassante. Não tiro a razão daquela porque acho que também me aborreceria. Por outro lado, Alfa aceitou trabalhar pelo preço oferecido no Portal 1, não aceitou? É chato saber que alguém vai levar dois terços da féria para ficar sentado enquanto você sua a camisa, mas, repito, é assim que funciona em vários setores do mercado hoje em dia.

Alfa tinha alguma obrigação de rejeitar o serviço?

Acho que o caso não é exatamente de obrigação. Deveria fazer o que a consciência mandasse. Só ela sabe se é melhor cuidar do orgulho ferido ou do cheque especial estourado.

Gama foi lesada?

Nesse enredo tão batido, se a resposta for sim, o que mais tem por aí é cliente sendo lesado. Poderíamos retornar ao que eu disse na primeira resposta: se o serviço sair bem feito, não vai fazer muita diferença para Gama se foi Beta ou Alfa quem pôs a mão na massa nem quanto esta pagou para aquela. Mas, me colocando no lugar de Gama, acho que ficaria no mínimo surpreso se descobrisse que o meu projeto está sendo repassado. Quantas das grandes empresas contratantes de serviços de tradução/localização sabem onde vai parar o projeto delas? Entre as que sabem, será que se importam? Duas boas perguntas para o Renato.

Anônimo disse...

Na minha opinião, Beta só deveria ter repassado o trabalho se o cliente original estivesse ciente disso.
1.) Vamos supor que, lá na comunicação com o cliente, Beta deixou claro que repassaria o trabalho a alguém de sua confiança. Fez isso, quis tirar 2/3 do total para si, ok.
Não vejo problemas aqui. Espera-se que Beta, para fazer jus aos 2/3 que vai embolsar, faça algo mais que só abrir o e-mail de Alfa e enviar o trabalho para Gama. Espera-se que se responsabilize pela revisão, dê apoio à Alfa em dúvidas, etc. E, **principalmente**, se o cliente não cumprir com o combinado e não pagá-la, que ela mantenha sua palavra e pague Alfa.

2.) Caso Beta tenha obtido o trabalho de forma pessoal (mostrando seu currículo de tradutora, vendendo-se como o melhor recurso para atender o cliente), aí acho que Beta agiu mal, principalmente em relação à Gama - que a escolheu, supostamente, por sua capacidade.

O fato de reter 1/3, 2/3, ou nada, não vem ao caso - para mim. Está errado e acabou.

Quanto à Alfa, se tiver ficado claro, em suas investigações, que o cliente não estava sabendo dessa "terceirização", aí acho que agiu certo ao recusar o trabalho previamente aceito. Já recusei trabalhos que descobri que seriam juramentados por outra pessoa. Mas, veja, a causa da recusa não é o fato de Beta ganhar 3x o que estava repassando a Alfa.

Agora, se isso não estiver claro, não sei, não... Será que Alfa agiu certo?

Não tenho que pensar no que a pessoa/agência/empresa que está me passando trabalho está ganhando em cima daquele texto. Tenho que pensar se me interessa fazer o que está sendo pedido pelo valor oferecido, no prazo necessário.

Se ficar pensando: "ah, mas a agência/cliente está ganhando X em cima do meu trabalho e eu aqui ganhando X/3"... sei lá, acho que eu ficaria louca.

(nunca consigo me identificar na parte dos comentários, por isso assino:
Adriana Caraccio Morgan)

Roberto - Econolig disse...

A terceirização é o nome do jogo na tradução. Beta tem todo o direito de repassar o serviço desde que não fira seu contrato com Gama. Se Alfa aceitou o serviço deve ter achado o preço bom. Alfa não tem obrigação de aceitar ou rejeitar, faz de acordo com sua conveniência. Não creio que Gama tenha sido lesada, pois concordou em pagar o preço de Beta, principalmente se Gama for um cliente final, que normalmente paga mais caro por usar a intermediação de agências.
Acho que ao final esta foi uma boa lição para Beta repensar seus preços.

Tradsouza disse...

Rapidinho, que estou pelos tampos:

a) Sim.
b) Não.
c) Absolutamente não. Como digo sempre, não existe trato bom nem ruim, apenas o trato.
d) Se Beta pudesse garantir a Gama que o trabalho repassado a Alfa teria as características que Gama esperava do trabalho confiado a Beta, não há lesão nenhuma. Caso contrário, há.

Vapt-vupt.

Nina disse...

Danilo,
não acho errado repassar para alguém, isso não lesa o cliente (desde que você revise) e tampouco o colega, que está recebendo pelo trabalho o preço acordado. Quando eu era mais nova e dividia trabalho com colegas, eu pagava o mesmo que o cliente estava me dando. Depois, vi que não era tão justo, pois tinha trabalho com as revisões (mesmo que o trabalho estivesse bom) e não ganhava nada por isso. Existe outro problema; geralmente o cliente deposita na conta de quem tratou com ele, então o primeiro tradutor é que arcará com os impostos.
Além de tudo, correr atrás de clientes também deve ser considerado um trabalho. O que devemos evitar é pagar e receber preços aviltantes. Como não sei os valores, não posso dizer mais nada quanto ao preço. Um terço, em tese, é muito, mas sabe lá se a pessoa gasta com anúncios, quiçá tem escritório montado, etc.
O que vocês acham?

Sonia Augusto disse...

Se Gama sabia que Beta iria repassar o trabalho, não vejo nenhum problema nisso. Ao repassar o trabalho, Beta fez uma oferta de pagamento e, por algum motivo, ofereceu pagar 1/3 do que ia receber. Podia ter sido mais, podia ter sido menos, mas foi 1/3 do valor total que receberia. Alfa aceitou livremente esse valor, então, supostamente, achou que o valor era justo ou, pelo menos, estava acima de seu mínimo pelo trabalho a ser feito. Como aceitou livremente o valor, não tinha motivo para reclamações posteriores. Quando aceito um trabalho, eu quero que o valor reflita o que eu considero justo (ou acima do meu mínimo) para fazer esse trabalho. Não vem ao caso quanto o intermediário vai receber. Se não, valeria o argumento oposto: eu teria de cobrar menos quando o intermediário fosse receber bem menos!

Nina disse...

Danilo,
não acho errado repassar para alguém, isso não lesa o cliente (desde que você revise) e tampouco o colega, que está recebendo pelo trabalho o preço acordado. Quando eu era mais nova e dividia trabalho com colegas, eu pagava o mesmo que o cliente estava me dando. Depois, vi que não era tão justo, pois tinha trabalho com as revisões (mesmo que o trabalho estivesse bom) e não ganhava nada por isso. Existe outro problema; geralmente o cliente deposita na conta de quem tratou com ele, então o primeiro tradutor é que arcará com os impostos.
Além de tudo, correr atrás de clientes também deve ser considerado um trabalho. O que devemos evitar é pagar e receber preços aviltantes. Como não sei os valores, não posso dizer mais nada quanto ao preço. Um terço, em tese, é muito, mas sabe lá se a pessoa gasta com anúncios, quiçá tem escritório montado, etc.
O que vocês acham?

Bete Köninger disse...

Eu assino embaixo do que a Nina e o Ricardo (baita poder de síntese!) já disseram. Só acrescento que acho importante que Gama estivesse informada a respeito. Há uma diferença entre contratar uma agência e contratar um tradutor. Tenho clientes que me procuram porque querem que seja eu a tradutora, não um/a colega, mesmo que sob recomendação minha. Nesse caso, isso para mim faz parte do contrato e tenho que respeitar, assim como o prazo e todas as demais condições.

Marcio disse...

"Gama foi lesada?"

Se Gama foi lesada, depende de como Beta conseguiu lidar com a situação após a recusa de Alfa. Esse percalço fez com que Beta precisasse de um prazo maior - para fazer o serviço sozinha ou para repassá-lo para Delta - ou com que recusasse o serviço?

O que importa para Gama é receber a tradução no prazo estipulado e com a qualidade esperada.

"O fato de que Beta tinha repassado por um terço do que recebia é relevante?"

É relevante por que indica [embora não confirme] que Beta usou o título de tradutora para trabalhar como agenciadora/investidora, visto que o trabalho de tradução não equivale a 1/3 do trabalho total. Beta tem o direito de repassar, mas parece que aqui ela agiu como especuladora, o que é um comportamento de risco, do ponto de vista de Gama. Eu, se fosse Gama, possivelmente pensaria duas vezes antes de contratar Beta novamente.

Eliseanne Nopper disse...

Este assunto daria para escrever um livro.
Para resumir, considerando que Beta seja uma pessoa física, não uma Agência ou similar:

1) Beta tinha direito de repassar o serviço?
Depende do que Beta combinou com Gama. Se Gama contratou especificamente Beta, esperando que Beta fizesse a tradução por si, então Beta cometeu uma falta, a meu ver, séria. É a velha história dos TPICs que repassam as traduções. Por outro lado, se Gama queria a tradução, não importando muito o autor, então vai do julgamento de Beta, desde que Gama esteja ciente do repasse.

2) O fato de que Beta tinha repassado por um terço do que recebia é relevante?
Não. Se Alfa aceitou o valor, não há o que discutir.

3) Alfa tinha alguma obrigação de rejeitar o serviço?
Obrigação, em princípio, nenhuma. Mas volta a questão 1: Se Alfa sentir que está de alguma forma acobertando uma atitude antiética de Beta, pode se sentir compelido a rejeitar o serviço.

4) Gama foi lesada?
Depende do que Gama combinou com Beta e, principalmente, da qualidade da tradução que Gama recebeu. Só para jogar lenha na fogueira: não é a regra, mas às vezes o tradutor "fantasma" faz um serviço melhor que o que recebe os créditos.

Anônimo disse...

Oi,

Comentei ontem, mas devo ter feito alguma besteira ao enviar.Lá vai de novo só a título de voto, pois tudo já foi meio dito:

1) Alfa só teria razão na (remota) hipótese de descobrir que Beta estaria agindo de má fé ao repassar um trabalho que tinha se comprometido a fazer pessoalmente.

2) Alfa fez seu próprio preço. Só cabe reclamar ao espelho.

3) Gama quer serviço bem feito, dentro do prazo, pelo preço acordado com Beta. Beta é responsável por garantir isso. Gama não quer nem saber da existência de Alfa.

Raquel Schaitza (que não se sente tão só sabendo que a Adriana também não consegue se identificar).

Danilo Nogueira disse...

[Este comentário foi mandado para mim, diretamente, em vez de postado como comentário. Estou simplesmente repostando, é a opinião da Denise, exatamente como me veio]

Danilo,

Ótimo assunto! Faço questão de deixar minha opinião, pois ao meu ver Beta é um grandissíssimo chupim! Se ele conquistou o serviço e viu que não daria conta, deveria sim ter repassado. Mas da forma como aconteceu - por um terço do preço - não tenho dúvida de que quis se aproveitar de tradutores menos experientes, ou em começo de carreira, que pegam TUDO e um pouco mais, sem rejeitar nada. Acho falta de solidariedade, de companheirismo e de ética, porque todos já fomos iniciantes um dia. Mas ser iniciante não significa fazer 'nas coxas'. Qualquer serviço dá trabalho, requer pesquisa e o tradutor deve ser respeitado, principalmente pelos colegas. No lugar de Alfa, teria devolvido o trabalho também. Mesmo que Beta ao final sugerisse repassar todo o pagamento. Faria isso só de fúria! E como ensinamento a ele também!

Já passei por situação semelhante: peguei um trabalho de agência, logo em seguida recebi um trabalho de cliente particular. Valia muuito mais a pena. Não tive dúvida: liguei para algumas amigas e repassei o da agência pelo valor que eu receberia, só descontando os impostos da NF. Assim que recebi, depositei o pagamento a elas. Ah! e abri o jogo sim: expliquei tudinho, disse que tinha recebido outro trabalho mais vantajoso, etc. Elas toparam. Portanto, tudo foi às claras, elas receberam pouco porque agência paga pouco, mas não passei a perna em ninguém.

Cada coisa feia que vemos por aí, não?...
Um grande abraço.
Denise - uma leitora assídua dos seus textos

Camilinha disse...

Concordo com Jorge Rogério e Roberto Econolig.

É muito raro eu terceirizar um trabalho, pois ou tenho tempo para ele ou não tenho. Se houver um encaixe na minha agenda para que eu possa revisar o trabalho antes de enviar ao meu cliente, aí sim, faço a terceirização.

Não acho justo repassar o preço cheio, pois tenho que revisar para garantir que estará de acordo com o padrão que o meu cliente está acostumado a receber.

E, se estou trabalhando em cima, preciso receber com isso.

Fico com a frase que alguém já disse aqui: O que é livremente acordado está resolvido!

Silvia disse...

Olha, eu concordo com o que já andaram dizendo aí: o tradutor que aceitou o trabalho repassado fez isso porque quis. Achou que valia a pena pelo conteúdo, volume, prazo e preço. Aceitou porque quis.

Já dividi trabalho com outros colegas, repassado por mim ou por eles. É raro acontecer, mas acontece. Quando acontece, todo mundo sabe do repasse de trabalho. Se o cliente do meu colega sabe ou não, eu acho que o problema é deles, não tenho nada a ver com isso. Já aconteceu, inclusive, de algum colega pedir para eu enviar o trabalho diretamente ao cliente em nome dele. Ou seja, estava sabendo do repasse.

Os meus clientes, nas poucas vezes em que precisei fazer isso, sempre souberam. Em geral, dependendo do prazo solicitado, eu dou duas opções: manter o prazo e dividir com um ou mais colegas, me responsabilizando pela revisão final, ou estender o prazo e fazer sozinha.

Não sei se houve alguém lesado nessa negociação. Para mim, fica uma lição: transparência é essencial. Se todas as partes soubessem no que estavam se metendo, não teria acontecido essa confusão toda.

Anônimo disse...

Os comentários referem-se à terceirização... Não seria um caso de quarterização? Gama terceirizou e Beta quarterizou: responsabilizar-se pela qualidade? Duvido. Já estive no papel da empresa Gama e tive que devolver vários jobs bem remunerados. Quando entregava a um tradutor profissional na ativa, o mínimo que podia esperar era que o trabalho apresentasse qualidade superior àquela que eu própria fosse capaz de entregar. Quem paga bem (respeito pelo trabalho alheio), pode exigir qualidade (respeito pelo valor atribuído). Mas, de intermediário em intermediário, o chuchu chega caro e podre ao mercado, "falando mal" do trabalho de todos nós. Estou cansada das explicações "Ah! essa é a realidade do mercado..." ou "Todo mundo faz assim e, se eu não fizer, alguém vai fazer". Bom trabalho merece remuneração compatível; agenciamento merece adjetivação pouco lisonjeira ou faz rima com permuta.

Anônimo disse...

Acho que todos esses comentários estão levando a uma grande "wake up call".

Gamas: aprendam a contratar tradução em termos claros e profissionais.

Betas: joguem limpo se pretendem ter parceiros sérios e competentes.

Alfas: se são tarimbados comportem-se como tal, saber cobrar é parte do jogo. Se estão começando, lembrem que toda carreira, de pedreiro a CEO de multi-nacional, exige crescer e aparecer.

Raquel Schaitza

Petê Rissatti disse...

Acredito que não haja vilão nessa história, desde que as partes estejam bem cientes dos riscos que correm com esse passa-passa-três-vezes de trabalho. Só não seria justo se após aceitar o trabalho Alfa desse para trás, a menos que tenha um Delta de boa qualidade e que aceite os termos para substitui-lo (e no caso de ter uma boa justificativa para dar para trás). Vale também aquele pedido: não joguem nosso trabalho no chão com preços ínfimos, pois o cliente vai sempre puxar a sardinha para o seu lado, ou seja, pelo menor preço. E o barato, muitas vezes, vocês sabem por quanto sai...

Anônimo disse...

Corri os olhos rapidamente e parece que ninguém comentou o que vou abordar. Caso tenha me enganado, desculpem, o prazo aqui urge e ruge. Esquecendo um pouco o alfabeto grego,o pior negócio talvez tenha feito quem pegou o serviço na ponta da terceirização e não somente pelo preço baixo. Essa é uma razão óbvia e se quem o fez achou que serviu, serviu. O problema que vejo é outro. É que este mesmo tradutor eventualmente já poderia ter trabalhado para este cliente final ou tê-lo como um ótimo cliente "conquistável" futuramente. Caso isso se concretize ou pior, caso isso já tenha ocorrido no passado e CATs tenha sido recebidas e usadas para posterior devolução trazendo o nome do tradutor nos segmentos, aquele que trabalhou por uma fração do preço ficou desmoralizado para oferecer um preço digno pelos seus serviços para este mesmo cliente final no futuro. Afinal, fez um serviço dificílimo para uma agência que entregou o trabalho para o cliente cobrando menos por unidade (palavra, lauda ou o que seja) do que trabalhos que já tinha executado antes, ou que poderia executar futuramente para este mesmo cliente. Nem precisa ser CAT: a identificação de quem fez o serviço muitas vezes aparece em "propriedades" do arquivo no Word 2003 (no 2007 é diferente) e se ninguém lembrou de mudar a origem a evidência é clara. Sempre que possível peçam para ver o arquivo a ser traduzido para evitar o que acabo de narrar, caso ocorrido comigo, como já perceberam, há uns 3 anos.

SCarpenter disse...

Pagar um terço do que vai receber nao me parece justo.
Se eu passo o trabalho e reviso, entao desconto 1/3. Portanto o tradutor a quem repassei, recebe 2/3, e eu fico com 1/3 pela revisao.
My thoughts...

Felipe disse...

A pessoa mais prejudicada, no fim das contas,em tese, é o tradutor que aceitou o serviço por menos. Será também prejudicado o cliente final caso a tradução seja de má qualidade (e isso é altamente relativo). Agora, sendo eu novato como sou, também aceitaria um serviço mal remunerado. Já um tradutor com certo prestígio no mercado não pode se dar ao luxo de mendigar trabalho. Mas tudo isso é relativo. E se no fim das contas ele recusou o serviço quando descobriu que era uma "terceirização", é porque a crise não está tão brava pro lado dele.

LuBarb disse...

Acho que tudo é uma questão de matemática. A meu ver, todas as partes estão agindo de forma justa. Mas Alfa deveria pedir a Beta um aumento nos seus honorários, para cerca de 75% do valor recebido por Beta. Isso porque Beta terá o trabalho de rever o texto (ou contratar alguém de sua confiança para revê-lo), já que supostamente não irá querer sujar seu nome. E, além disso, sugiro que Alfa entre em contato diretamente com Gama, oferecendo seus serviços para um trabalho futuro. O site para tradutores é aberto, somos nós que devemos fazê-lo funcionar a nosso favor. Alfa, vá à luta! Beta, seja mais discreto da próxima vez! Gama, continue dando emprego para muitos tradutores!

Andabata Mandelbrot disse...

Alfa agiu mal.
Em bom português, vernáculo, há muitas palavras para caracterizar o comportamento de Alfa. Talvez "avarento". Talvez "comilão". Menos vernáculo, mais literato é falar em "cupidez".
Mas talvez mais correcto seja dizer: "inveja".

Se Beta aceitou um serviço, é responsável pela qualidade e execução do mesmo. Não é uma fotografia de revista, onde a cara não pode mudar. Não é um serviço de puta, onde se compra o corpo. É um serviço de conhecimento, onde se compra saber e qualidade. Beta até poderia usar Alfa só para a primeira versão, assegurando a revisão e a qualidade. O texto até poderia ser perfeitamente compatível com essa abordagem (muitos são). Ou não - mas isso é uma decisão de qualidade. Quem contratou Beta contratou um serviço, não um corpo nem uma cara.
Se Alfa aceitou o preço foi porque achou justo. Se Beta consegue vender mais caro, é porque tem mais valor. Talvez seja por estar mais atento. Talvez seja por responder aos mais mais depressa. Talvez seja por dar tranquilidade de qualidade a quem o/a contrata. Talvez seja porque escreve com cheiro a água de malvas. Não interessa.
Alfa basicamente aceitou um serviço - se não estava satisfeita com o preço, não aceitasse. Depois viu que Beta conseguia mais - e, por pura inveja, ficou chateado ou chateada.

Diria o povo: "Ó Alfa, se achas que está mal, tivesses tu arranjado o serviço!"

Carolina C. Coelho disse...

Sei que não é errado, mas eu não gosto da ideia de pegar um trabalho e repassá-lo a alguém. Talvez porque eu sou meio perfeccionista e gosto de fazer as coisas do meu jeito e, com meu nome no trabalho, não gostaria de ver outra pessoa cumprindo uma obrigação com a qual me comprometi. E, como disse um "anônimo", o tradutor que aceita o repasse está perdendo a chance de tentar ter o cliente diretamente.

Camila disse...

Danilo, acho que não tem nada de anormal pegar um trabalho e repassar para outro. E questão do preço também é válida. Se a Alfa concordou com o valor oferecido, qual é a bronca de Beta ganhar o triplo? Cada um dá e aceita o preço que acha justo. Beta fica responsável pelo serviço perante a Delta, pois para todos os efeitos foi a Beta que fez o trabalho.
Acho tudo normal, a única "errada" até aqui é a Alfa, que aceitou um valor, e depois de ver que podia pedir mais com certeza está lamentando e xingando a Beta.
Irina Malinowsky

Anônimo disse...

A resposta para mim depende de outra pergunta: todo mundo pagou os impostos devidos?
Para o tradutor terceirizado foi pago o que a lei determina? Ele pôde emitir RPA?
Se não, essa pessoa foi explorada de mais de uma forma.

Camilinha disse...

Sabe outra coisa que me ocorreu?
A gente tem que prezar pela ética sempre, mas nem todo cliente tem trabalho confidencial ou se preocupa com isso.

Sabe que acontece muito comigo? Cliente liga às 17h e fala assim:
"-Preciso de 25.000 caracteres para amanhã às 10h."
Digo "sem chance, só posso pra tal dia". E o cara me põe na espera. Fala que vai falar com outro tradutor e que me retorna.

Da última vez, o cara falou o seguinte: Ah, deixa, vou passar para uma menina aqui, que vai dividir o trabalho não sei em quantas pessoas... Nem sei como vai chegar aqui, mas chegando às 10h tá bom...

Enfim, cada caso é um caso. Cada cliente é único. Cabe ao tradutor conhecer a sua carteira!