sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
A ABRATES, o SINTRA, o Congresso, Porto Alegre — e eu.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Edição Extra: Cidade do Panamá chamando ABRATES! Alô, alô!!!!!!!!!
Atualização: Ana Iaria, pelo Twitter, me manda isto. Duas observações: primeiro que o "soon" é o relaçõespubliquês para "Deus sabe quando" e a Antonia tem todo o direito de se preocupar, porque o tempo se esvai e viagens internacionais não se planejam em cinco minutos.
Segundo que "International Inscription" para um congresso promovido por uma associação nacional de tradutores é uma vergonha. Que direito temos de reclamar da turma que usa Babelfish?
Continuo planejando ir, acho que vai haver gente interessante falando, quero rever amigos, quero abraçar gente que nunca vi pessoalmente antes, mas a organização é um caos. E, pelo amor de Deus, tirem aquele "inscription" de lá.
Atualização 2: Acaba de me telefonar o Presidente da ABRATES, Paulo Wengorski, que, além de assumir a responsabilidade pessoal por resolver o problema da Antonia (e tirar as "inscriptions" do site), ainda me convidou para participar de uma mesa redonda. Eu ia mesmo ao Congresso, agora, vou com mais gosto. Entretanto, não retiro absolutamente nada do que disse até agora: a organização precisa melhorar muito.
sábado, 21 de abril de 2007
O "Departamento Feminino"
A ironia estava na história de comparar a tal Seção Paulista com o Departamento Feminino dos grêmios estudantis. Permitam que eu explique, com um pouco mais de pormenores. A ABRATES (e o SINTRA) têm suas sedes no Rio de Janeiro, situação que, a meu ver, é perfeitamente correta e não deve ser alterada. Mas querem term uma Seção Paulista. Para mim, isso é como o "Departamento Feminino". Para ilustrar, vou contar uma historinha, boa, mas provavelmente apócrifa.
Numa faculdade, estavam organizando uma chapa para a diretoria do Centro Acadêmico. Escolheram presidente, vice, secretário, tesoureiro, enfim, o de hábito. Depois, escolheram uma colega para Diretora do Departamento Feminino. Foram convidá-la e ela se desfez em agradecimentos pela honra, para gáudio dos colegas. Mas, logo depois, fazendo carinha de inocente, perguntou quem ia ser o Diretor do Departamento Masculino. Não havia Departamento Masculino, claro. Nenhum grêmio estudantil tem isso. Então, a moça explicou que Departamento Feminino sem Departamento Masculino é discriminação e, polida mas firmemente, recusou o convite.
Na minha opinião, da mesma forma criar uma Seção Paulista sem criar uma Seção Carioca é discriminação idêntica.
Por hoje, é só. Amanhã tem mais.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Mais sobre o Congresso da ABRATES
segunda-feira, 23 de abril de 2007
ABRATES
A Diretoria da ABRATES não tem a mais remota obrigação de ler este blog, mas deveria acompanhar o que se diz nas listas de discussão e no Orkut. É aí que se encontram os tradutores, centenas deles. A Internet é a verdadeira "porta de fábrica" de nossa categoria atualmente. Fica o conselho. Velho gosta muito de dar conselho.
Aliás, clique aqui e você vai chegar a uma página criada pela ABRATES para informar sobre Congresso. Sendo uma associação de tradutores, não ficaria mais bonito dizer "envio de trabalhos" em vez de "envio de papers"? Gol contra.
Mas não é nem a Mona Baker nem os "papers" que vão me impedir de ir ao Congresso: não vou poder ir de modo algum, por razões particulares, independentemente de qualquer coisa que a ABRATES possa fazer ou deixar de fazer. Estou dizendo isto aqui para que não venha ninguém dizer que o que eu quero é confetti.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Não é muito evento para um mês só?
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
ABRATES e SINTRA, mais uma vez
Sinceramente, não dá pra se entusiasmar com o SINTRA. Trata-se de uma saleta minúscula no final da Rua da Quitanda com uma única atendente. Tive a desagradável surpresa de visitá-lo. Imagina você andar no solão do Rio toda a rua da Quitanda para, finalmente, conhecer o seu sindicato e se deparar com a realidade.
Ao perguntar o que o SINTRA faz pelo tradutor, a única resposta é "o Sintra coloca o seu nome no sítio e oferece uma tabela sugestiva de preços". Tenha santa paciência, mas o SINTRA ainda precisa crescer para aparecer. Cobrar R$ 260,00 por ano para fazer isso é uma piada. Em todo o escândalo do Concurso para Tradutor Juramento do RJ, ele ficou caladérrimo e não moveu uma palha.
A ABRATES pelo menos se agitou um pouquinho nesse episódio do famigerado concurso, realiza os congressos de tradução, faz lá sua prova de credenciamento e etc.
Pronto. Desabafei.
domingo, 5 de novembro de 2006
Entidades de classe dos tradutores
São entidades puramente cariocas
O fato de que ambas têm sede no Rio de Janeiro tem motivos históricos e não me incomoda em nada. Em algum lugar têm de ter sede, pode ser no Rio ou em Boca do Acre. Já que estão no Rio, que no Rio fiquem. O fato de que a estrutura de ambas as entidades é tal que torna impossível a participação de tradutores dos outros estados pari passu com quem mora no Rio, me incomoda muito e já levantei o problema várias vezes.
Não me parece que alguma diretoria de qualquer das entidades tenha se preocupado com a questão. Todas quererem organizar uma "seção" ou "delegacia" paulista forte, mas nenhuma quer segregar os assuntos nacionais dos ligados especificamente ao Rio de Janeiro.
Quer dizer, a solução começa com a separação entre a "nacional" e a "carioca". Parece o famoso "departamento feminino" que há, ou havia, em alguns clubes e grêmios. Conta-se que um dia convidaram uma mulher consciente de sua igualdade com os homens para que dirigisse o "departamento feminino" de uma agremiação e ela respondeu que, antes de aceitar a honra, queria saber quem ia cuidar do departamento masculino. Nem SP nem nenhum outro lugar deve aceitar ser o "Departamento Feminino" das nossas agremiações. Quer dizer, sou frontalmente contrário à criação de uma "delegacia paulista" ou "seção paulista" enquanto não for criada a "delegacia carioca". Ou o Rio de Janeiro não é um estado? E tem que haver um modo de fazer com que quem mora fora do Rio possa participar ativamente das discussões e decisões. Ou será que alguém espera que todos compareçamos às reuniões no Rio de Janeiro?
Enquanto viger a situação atual, ou você está no Rio, ou é sócio de segunda classe. O statu quo parece convir.
Não fazem nada pela classe
Fazer, fazem, mas pouco, muito pouco, quase nada. Não fazem mais porque não têm recursos. A ATA faz mais porque tem mais recursos. Americanos são "born joiners": entram para a sociedade, pagam, comparecem à assembléia, montam chapa, elegem diretores, pagam anuidade, fazem a entidade crescer e partem para a briga. No Brasil, a turma quer que primeiro a entidade faça alguma coisa para depois se associar, paga a anuidade com atraso, não vai à assembléia, se nega a participar de chapa e depois fica reclamando que "eles não fazem nada". Não existem "eles", existimos "nós".
A turma parece crer que entidade profissional é como convênio de assistência médica. No convênio, um grupo de capitalistas junta recursos para oferecer serviços a um público pagante, na expectativa de que a receita exceda a despesa e os donos possam auferir lucro. Na entidade profissional, os profissionais se juntam e juntam seus recursos para criar uma associação que os represente e defenda.
Quando acontece algo errado, a turma reclama "e o que faz o SINTRA?". Nada. O SINTRA, não faz praticamente nada e a ABRATES faz, mas pouco e devagar. Não tem poder de resposta rápida. Mal-e-mal as entidades conseguem se manter vivas e ainda por muito favor.
Uma associação profissional é como o que os americanos chamam "bucket brigade", aquela turma que fazia uma fila para ir passando balde de água de mão em mão e apagar um incêndio. Todo mundo comparece e dá uma mãozinha. Ficar de fora e reclamar que a "bucket brigade" não funciona, pega mal.
São entidades fechadas em si próprias
Acho absolutamente ridículo o fato de que nenhuma das duas entidades faz das listas de tradutores em o Orkut um veículo de comunicação com a classe. Participo de pelo menos cinco listas brasileiras de tradutores (isto se não participar de mais) e ainda de um grupo de tradutores ativíssimo no Orkut. Rolam conversas importantes, discussões interessantes mas não aparece nenhuma das duas entidades para participar nem para dizer "juntem-se a nós". Quer dizer, as entidades se fecham em si mesmas, só se comunicam com a categoria para se defender e para reclamar que ninguém colabora. Não há uma, uma só, uma única iniciativa organizada de comunicação com a categoria. É de se perguntar se realmente querem ampliar a representatividade da entidade ou preferem manter o stato quo, embora publicamente lamentem a pouquidão dos associados.
Aliás, também não há uma lista de discussão de assuntos profissionais patrocinada por uma ou ambas as entidades. O isolamento é total. Saem boletins esporádicos, vez que outra uma mensagem eletrônica circular, convocando para uma assembléia. Mas nenhum, nenhum mesmo, esforço de comunicação com a classe, exceto os dois congressos da ABRATES.
Os congressos
A iniciativa de maior impacto das entidades foram os congressos da ABRATES. O primeiro foi um sucesso; o segundo foi muito criticado. O fato é que, bem ou mal, fizeram. Antes pouco que nada. Espero que alguém, que tenha talento organizador, promova o terceiro.
Participar ou não?
Sou associado de ambas as entidades. Quem me convenceu foi o Paulo Wengorski. Convenceu-me de que não me assistia o direito de reclamar sem participar. A ABRATES me fez três pedidos: um artigo e duas participações em congressos. Atendi os três. Quando começou a história do credenciamento, participei dos prolegômenos, mas me afastei porque achei que iria surgir um conflito de interesses, dado o fato de que, na época, eu era ativíssimo como instrutor na Via Rápida. Não me arrependo. Não ia faltar quem alegasse que estava participando da equipe em proveito próprio. O SINTRA não me pediu nada nem tinha razão para pedir. Se pedisse, teria procurado ajudar, dentro de minhas limitações.
Gostaria de participar das discussões e assembléias das duas, mas não tenho condições de ir ao Rio de Janeiro para isso. Só poderia participar via Internet.
Participar da diretoria ia ser mais difícil ainda, dado que sou mau administrador nem moro no Rio. Minha colaboração há de limitar-se ao que eu sei fazer, para não fazer besteira. Cada um tem sus limitações e problemas, mas me parece extraordinário que a esmagadora maioria de nós não possa contribuir com nada, nada, absolutamente nada para com a profissão, salvo reclamar que "ninguém faz nada".
terça-feira, 24 de abril de 2007
Mona Baker, a ABRATES e eu
Vamos, primeiro, aos fatos, como narrados pela própria Mona Baker, aqui. Para quem não sabe inglês, ou está sem tempo de ler, Mona Baker, em razão a atual situação política que envolve o Estado de Israel e as populações palestinas que residem no seu território, pediu a dois professores israelenses que se demitissem dos cargos que ocupavam na sua editora. Negaram-se a pedir demissão, foram demitidos. Foram demitidos não por suas idéias políticas, que jamais são mencionadas, porém por serem israelenses. Também ela tomou a decisão de boicotar todos os israelenses, independentemente de suas convicções políticas. Até aqui, acho que a própria Mona Baker concordaria com o que eu disse. Pelo menos, no que li com a assinatura dela, nada há que contradiga o que aqui está escrito.
Agora, vamos aos meus comentários. Você pode concordar comigo ou não, esse é seu direito. Mas eu considero meu dever apresentar aqui a minha opinião.
O primeiro ponto é que cabe a ela demitir de sua editora quem quer que ela ache que deve demitir e, evidentemente, cabe aos demitidos o direito de reclamar e a mim o direito de achar que é um absurdo demitir um intelectual exclusivamente pela cor do seu passaporte e boicotar um povo inteiro por razões políticas.
Na longa discussão que se criou na trad-prt, uma colega afirmou que boicotes eram comuns, como mostra o boicote dos EUA contra Cuba. Comuns, sim, mas isso não os torna aceitáveis. O boicote a Cuba, que, além de injusto, é inútil, já que Fidel Castro está lá e não é o tal do boicote que o vai derrubar.
O que estou fazendo eu contra o boicote dos EUA a Cuba? Nada. Mas, se a ABRATES convidasse George W. Bush para falar num Congresso, eu ia dar um estrilo federal, porque me pareceria que isto seria dar apoio ao homem e suas iniciativas. Aliás, se convidasse Fidel Casto, o estrilo seria igual.
Outros colegas alegaram que está sendo convidada a professora Mona Baker, não a ativista política e que não podemos confundir o ativismo político dela, que faz parte de sua vida particular, com sua vida acadêmica, que é pública. Concordo plenamente. Por isso, sempre achei que o mulherenguismo de certos políticos era problema deles e de suas esposas, não um problema político. Mas acontece que Mona Baker fez de seu poderio acadêmico uma arma política ao demitir os dois professores israelenses. Quer dizer, é como acontece quando o político nomeia sua amante para um cargo público. Aí, creio eu, a questão deixa de ser particular para tornar-se pública. E quem tornou a questão pública foi Mona Baker, não eu.
Agregam outros colegas, ela foi convidada para falar sobre tradução, não sobre ativismo político. Mas vejam os assuntos: "Conflito no cenário global: o local narrativo de tradutores e intérpretes" e "Intervenção em conflitos globais: comunidades de tradutores e intérpretes ativistas". Preciso dizer mais alguma coisa? Aliás, demitindo os intelectuais israelenses, a meu ver, Mona Baker perdeu todo o direito de falar academicamente sobre conflitos e como intervir neles. Em vez de melhorar a terrível situação da região, está meramente jogando mais lenha na fogueira.
Prefiro a abordagem de Edward Said e Daniel Barenboim. Os dois são doidos por música, o primeiro é escritor, o segundo é maestro. Said, lamentavelmente já falecido, era palestino, Barenboim é judeu. Formaram uma orquestra sinfônica a West-East Divan Orchestra, com músicos israelenses e palestinos. Esses, sim, estão fazendo alguma coisa pela paz e podem nos ensinar muito. Pena que não sejam tradutores.
Alguns outros colegas acham que estamos prejulgando Mona Baker. Que é perfeitamente possível que ela faça uma palestra totalmente isenta e equilibrada, sem se deixar influenciar por suas idéias políticas. É possível, claro, mas muito pouco provável. Tão pouco provável como esperar de Bush uma palestra isenta sobre Cuba, ou de Fidel Castro apresente uma palestra isenta sobre os Estados Unidos. É mais ou menos como ver um carro vindo na minha direção, ficar quieto e dizer "não devemos prejulgar, o motorista pode perfeitamente decidir se desviar de mim".
Se você teve a paciência de ler até aqui, já sabe quanto eu lamento a atitude da ABRATES. Tanta gente boa para convidar e foram convidar logo Mona Baker. Não iria ao Congresso de modo algum, por motivos particulares que não vou discutir aqui. Mas, se fosse, acharia muito constrangedor dar meu dinheiro para ajudar a pagar uma visita de Mona Baker ao Brasil. Preferia comprar entradas para um concerto da West-East Divan Orchestra. Acho que eles têm muito mais a me ensinar sobre como agir em situações em conflito do que Mona Baker.
terça-feira, 17 de abril de 2007
História antiga
Uma das associadas era do tipo que faz discurso inflamado. Sempre tem um em qualquer reunião. Os mais legítimos interesses desta laboriosa categoria, explorada pelos clientes.... sabe como é. Pediu a palavra e derramou o candente verbo contra tudo e contra todos. Ser contra é uma atitude muito popular em assembléias, inclusive nas de tradutores. Ser contra quem dirige a entidade, embora possa ser perigoso em alguns ambientes, é ainda mais popular. A diretoria, isso é consabido, não faz nada. Abandona a classe. Não sei por que quiseram ser diretores. E por aí vai. Lá pelas tantas, falou da abençoada regulamentação da profissão, que, para ela, era a perfeita panecéia.
Sabe aquela história que aparece nos desenhos animados, o diabinho de um lado e o anjinho do outro? Naquele dia, venceu o diabinho e eu, cansado da flamejante logorréia da moça, resolvi colocar em votação a proposta de, ali, prepararmos um documento, a "Carta de São Paulo", com os parâmetros de ação para alcançarmos a tão almejada regulamentação, para envio à sede, no Rio de Janeiro. A idéia foi achada maravilhosa e aprovada na hora. Finalmente, íamos agir! A moça, rutilante de satisfação, dominava a assembléia com a cara triunfante de quem tinha descoberto a pólvora.
Começada a redação, não se conseguiu chegar a uma conclusão nem sobre o artigo primeiro da tal "Carta". Das sete pessoas que havia na sala, quase saem oito mortas. A briga, evidentemente, começou entre uma associada que tinha diploma de tradutor e um que não tinha. Ensanduichada entre ambos, uma que tinha licenciatura em letras e era considerada bicona pelos dois. Foi muito divertido, embora um pouco assustador. Depois de meia hora de animado bate-boca, decidiu-se marcar uma nova reunião e os participantes se comprometeram a remeter a mim suas sugestões por escrito, de modo a permitir a formulação de uma proposta discutível em reunião e ficou por isso mesmo.
Até agora, estou esperando as sugestões. Da moça que tinha recebido o espírito de Demóstenes, nunca mais ouvi falar. Acho que mudou de profissão.
Até amanhã.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Óscar Curros, Fundador da Óscar Curros Translations
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Tradução Automática
O assunto de hoje é que outro dia me apareceu isto pela frente e queria mostrar aqui. Um horror, certo? É serviço do Google Translate, caso você não tenha percebido. Agora, pouse o cursos em cima de uma frase qualquer e veja o que aparece.
Um convite para apresentarmos uma tradução melhor, certo? Quer dizer, querem que a gente faça tradução grátis para a loja de calçados, uma entidade comercial com fins lucrativos, entendeu? Nós trabalhamos grátis para eles pouparem despesas. Deu raiva? Em mim também. Confesso que aproveitei a chance e colaborei com várias sugestões escabrosas, das quais espero que eles façam bom uso. Não foi uma coisa assim, digamos, muito cristã. Mas, de vez em quando, ferve o sangue e eu faço dessas coisas.
Outro dia, postei uma mensagem em um dos diversos fóruns de que participo e, aparentemente, pelo menos um dos leitores não entendeu o que eu tinha escrito. O colega postou uma resposta dizendo que quem tem medo de tradução automática deveria mudar de profissão, porque a tradução automática jamais vai ser tão boa quanto a humana.
Se vai, se não vai, não sei. Não gosto de falar sobre o futuro. Sei que, atualmente, não é. E fico pensando em quantos tradutores estão deixaram de ganhar com essa coisa do Google Translate. Para dizer a verdade, acho muita desonestidade do Google oferecer esse tipo de serviço. O usuário, que provavelmente não distingue português de turco, não entendendo nada, crê que esteja perfeito e faz sua empresa cair no ridículo.
Ainda por cima, têm a cara-de-pau de pedir a colaboração de voluntários. Talvez você não saiba, mas a entidade que se chama ABRATES é a segunda que usa esse nome. A primeira, que depois virou sindicato, tinha um Código de Ética interessante que vedava a prestação de serviço grátis a quem pudesse pagar. Acho isso fundamental para a sobrevivência da profissão. Não encontrei o Código de Ética da ABRATES. Encontrei o do SINTRA, mas creio que não toca na questão da gratuidade dos serviços, o que me parece uma pena. De qualquer modo, não sou eu que vou "ajudar" uma empresa comercial grátis.
Redigido por Danilo, com as habituais sugestões, revisões, palpitações e puxões de orelhas da Kelli.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Linkedin, ATA e o trabalho grátis
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O concurso da JUCERJA e outros para TPIC III
Sheyla Barretto de Carvalho
Tradutora-Intérprete
Sócia-Fundadora do Brasillis
membro da Abrates, da ATA, do Sintra
membro da OAB-RJ
membro do CRA-RJ
terça-feira, 14 de agosto de 2007
De dicionários e plágios
Quando saiu, em 2004, minha casa estava o caos, o escritório nas garras de pedreiros e pintores, eu trabalhando num canto da nossa microssala de visitas – e achei que comprar mais um livro seria loucura no momento. Mas fiquei chateado, frustrado mesmo, porque o dicionário foi anunciado como o resultado de longos lavores de especialistas, com direito a elogios na imprensa e tudo.
Passada a tempestade da reforma comprei outras coisas, mas aquele tal do "Dicionário Jurídico e de Finanças", de autoria de Maurício Faragone e de Ricardo Pignatari, jamais comprei. Não que me faltem dicionários, porque tradutor velho tem carradas deles, mas, se era como diza a editora,
Um dicionário criado por profissionais da área de tradução em conjunto com profissionais da área jurídica;
- Aproximadamente 40 mil verbetes e 160 mil definições;
- Mais de 1.000 siglas de órgãos dos governos Brasileiro e Americano em Português/Inglês e Inglês/Português;
não seria de pouca ajuda para mim. O livro foi muito elogiado, inclusive por gente que sabe das coisas.
Só faltou dizerem que era a salvação da lavoura. De qualquer modo, tenho o Maria Chaves de Mello, gentileza da autora, e o Noronha, que comprei com meu dinheiro, e fui resolvendo meus problemas com eles.
A verdade é, entretanto, que jamais concordei com muita coisa que o Noronha diz. Mas eram meras opiniões impressionistas e subjetivas: nunca tinha me debruçado sobre o livro, para fazer uma análise detida e aprofundada. Quem fez foi Luciana Carvalho Fonseca Corrêa Pinto, (ou Luciana Carvalho, como é mais conhecida), que resumiu suas conclusões no congresso da ABRATES em 2005, numa apresentação feita com o ímpeto natural da alguém jovem como ela e uma firmeza intelectual que muita gente não atinge nem em idade madura. Mais dia, menos dia, a Luciana publica algo mais carnudo sobre seu trabalho, o que vai ser bom para todos nós. De qualquer maneira, sua análise foi útil e confirmou o que eu já pensava.
Como eu dizia, não gosto muito do Noronha. Entretanto, se eu não gosto muito do Noronha, o Noronha gosta ainda menos do Faragone e do Pignatari, tanto que ingressou em juízo contra eles. Não por achar o dicionário deles ruim, mas por achar que era plágio do seu.
Alegar plágio é fácil. Provar plágio é mais complicado do que parece. Plágio de dicionário bilíngüe, então, é questão mais que complicada. Deixe dar um exemplo: pegue as definições de qualquer verbete em dois dicionários unilíngües e vai ver que diferem. Se o Aurélio dá como primeira acepção de mesa “Móvel, comumente de madeira, sobre o qual se come, escreve, trabalha, joga, etc.”, o Houaiss, para descrever exatamente o mesmo objeto, diz Rubrica: mobiliário. móvel composto de um tampo horizontal, de formatos diversos, repousando sobre um ou mais pés, e que ger. se destina a fins utilitários: refeições, jogos, escrita, costura, apoio etc. Quer dizer, não pode usar a mesma definição. Se usar, é plágio e encrenca na justiça. O caso dos bilíngües é mais complicado: não há como ter mesa sem a tradução por table. Então, fica assim: o autor da ação reclama que foi plágio, os réus dizem que não foi plágio coisa nenhuma e perguntam: se não puder traduzir “mesa” por “table”, vou traduzir como? Foi mais ou menos isso que alegaram os réus da ação.
É assim mesmo que funciona. Um diz que sim, outro diz que não e o juiz diz quem tem razão. Neste caso, o juiz da 24ª Vara Cível de SP, Wagner Roby Gídaro, encarregado de julgar a ação, decidiu que, antes de dizer quem tinha razão, deveria perguntar algumas coisas para quem sabia e nomeu uma perita. Lamentavelmente, não tive acesso ao laudo pericial. Entretanto, o juiz faz várias citações na sua sentença, que se encontra aqui e, pelo que se lê, o laudo deve ser verdadeiramente suculento.
O juiz fala em “a Senhora Perita”, sem citar o nome. Curioso por saber quem poderia ter dado cabo da reputação de dois dicionários com uma só cajadada, perguntei à Luciana Carvalho. Não que ela tenha obrigação de saber, mas como ela é interessada nesses assuntos, talvez soubesse. A verdade é que sabia. A “Senhora Perita” se chama Rena Singer e um dos seus assistentes foi Stella Tagnin, que evidentemente a Luciana conhecia por ser sua orientadora.
Adotaram uma estratégia de trabalho interessante: catalogaram as falhas encontradas nos dicionários e rotularam as coincidências de falhas como indícios de plágio. Quer dizer, quando ambos estão certos, poder-se-ia alegar que chegaram à conclusão correta independentemente. Mas quando há falhas, é difícil crer que sejam coincidências: só se pode crer que sejam casos de plágio. E as falhas coincidentes encontradas não foram poucas, algumas das quais a sentença menciona:
A Sra. Perita Judicial também verificou a existência de termos não técnicos e absolutamente dispensáveis que foram encontrados exclusivamente nas obras elaboradas por autores e requeridos, comparando com outras obras do gênero: abrasion, annoyance, commotion, (defeat, to), injustice e neophyte (fls. 1571/1572). Nesse ponto esclareceu a Sra. Perita Judicial: A apreciação do Quadro leva a supor que um exame seqüencial da obra dos réus em relação ao do autor Noronha teve em vista a presença de termos não jurídicos presentes exclusivamente nas duas obras (fls. 1571).
As últimas manifestações da Sra. Perita Judicial então trazem a conclusão irrefutável a este Juízo. Descreve inicialmente que deve ser privilegiada a informação a respeito dos dados qualitativos da comparação das obras, ainda que este Juízo tenha utilizado essa informação para abrir esta fase de fundamentação.
Segue, entretanto, relacionando as mesmas falhas de revisão e apresentação dos mesmos termos que “não cumprem seu papel de ordenar as denominações de seus sistemas de conceitos”.
Além disso, “a primeira parte das obras não é um espelho às avessas da segunda parte”, ou seja, os mesmos termos que serviram para a tradução do inglês para o português não foram utilizados para a tradução do português para o inglês. A Sra. Perita Judicial também alerta para a existência de “denotativos” e “lista de falsos cognatos” e “conotativos” “pouco usuais, incomuns ou impróprios em uma obra de referência especificamente jurídica e de finanças, e peculiares exclusivamente às duas obras” (fls. 1582), nesse ponto exemplificando: O termo beleguim consta da seguinte forma: - na obra de Noronha: bailiff’s official; police agente / esses termos não existem no vice-versa – na obra de Pignatari/Faragone: bailiff’s official / no vice-versa existem. A Perita não conhecia o significado do termo e recorreu ao Aurélio Século XXI, que apresenta as seguintes acepções: “agente de polícia; esbirro; galfarro; malsim, mastim, meirinho, quadrilheiro, tira”. A primeira acepção, agente de polícia, consta da seguinte forma: - na obra de Noronha: agentes de polícia – policiman; constable; - na obra de Pignatari/ Faragone: agentes de polícia – policeman; constable. (Negrito da Perita) Nas duas obras verificam-se os mesmos erros: plural em português e singular em inglês. Não consta em nenhuma obra de referência que na língua portuguesa a forma plural seja a usual e, na inglesa, o singular seja a norma. (fls. 1582). Com isso, a Sra. Perita Judicial foi analisando as falhas e constatando a coincidência delas nas duas obras e com exclusividade, eis que seu trabalho se pautou pela análise qualitativa e comparativa (fls. 1582/1586).
Perante um laudo desses, o juiz evidentemente decidiu que se trata de plágio e condenou os réus a recolherem do comércio sua publicação e a mais outras obrigações, além da sucumbência. Sucumbência significa que os réus além de tudo tiveram de fazer um pagamento de honorários aos advogados dos autores, ente outras coisas.
Quem clicar aqui, vai ver que a editora dá o livro por esgotado, o que é um eufemismo dos bons.
Quem sabe, agora, alguém, talvez o próprio Dr. Noronha, aproveita os conselhos da “Senhora Perita” para fazer um bom dicionário jurídico. Ou, melhor ainda, contrata os serviços de um lexicógrafo profissional para fazer as tarefas que lhe cabem.
Há males que vêm para bem, ou, ao menos, podem vir.
Por hoje, é só. Espero você no sábado de tarde, na Reunião na Sala 7, que é a distância e grátis.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O Lado Feminino da Tradução
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Já que estaremos em Porto Alegre, mesmo...
Quaisquer dúvidas sobre horários, valores e condições podem ser esclarecidas por através do endereço avantesma@hotmail.com
Um abraço!,
Guilherme Braga.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Avisos aos navegantes
- Por favor, não me enviem seus currículos. Não tenho agência e jamais repasso serviço.
- Na lista trad-prt está saindo uma discussão braba a respeito do convite feito à Mona Baker para falar no Congresso da Abrates e eu prometi a mim mesmo que ia postar aqui uma nota bem fundamentada sobre o assunto. A promessa está de pé, mas não é hoje que vou ter condições de escrever sobre a questão. Estou exausto e a questão, por tão delicada, exige um cuidado que não poderia ter hoje.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
ABC - Associação Brasileira dos Coitadinhos
Como tantas vezes acontece, estava boa parte do pessoal se queixando que no Brasil, isto e que de uns tempos para cá, aquilo. A exceção era um colega bem vestido, de bem com a vida e satisfeito com seu sucesso profissional. No outro extremo estava um dos grandes coitadinhos do grupo, sempre com pouco serviço, mal pago, uma clientela que, além de pouca, era carrasca. Esse infeliz perguntou ao bem-sucedido, com um laivo de ironia, como é que eu faço para ser um tradutor bem-sucedido, como você?
É curioso como tanta gente trata com ironia e sarcasmo os que tiveram sucesso. Como se ser um fracassado fosse grande mérito. Americano usa looser (fracassado) como insulto, aqui parece que é bonito fracassar. Coitado, não tem sorte na vida.
Mas estou fugindo da história. Então o colega perguntou como ser bem-sucedido e tal. E o outro, que nasceu sem papas na língua, rebateu de primeira: comece tomando um banho. A rodinha se desfez, constrangida. Esperava-se algo menos duro, algo mais piedoso. Mas o fato é que o fracassado, o coitadinho, de fato não tomava o mais leve cuidado com a aparência pessoal e aparecia no escritório dos clientes como se tivesse dormindo na sarjeta. Claro, só conseguia pagamento de sarjeta. Era o moço das traduções. Só faltava lhe entregarem uma quentinha requentada para saciar a aparente fome. Se fizesse um esforço para parecer menos "mindingo" ganharia muito.
Mas o Fracassado não queria investir nada na profissão. Para que investir, se o ele ganhava tão pouco? Investir era para os outros, que tinham bons clientes, clientes que pagavam bem e mandavam bastante serviço. Nunca lhe ocorreria que era exatamente o contrário: que os que se saiam bem eram os que investiam, e investiam pesado, nas suas carreiras.
Hoje, raramente se vai pessoalmente ao cliente e se você prefere tomar banho somente no dia do seu aniversário, direito seu, o banho tornou-se irrelevante. Mas aprenda a investir em você próprio e na sua carreira, porque do céu não vai cair serviço.
Obrigado pela visita, deixe seu comentátio e volte amanhã
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
TPIC no RS - Capítulo 2
Além de agradecer ao Guilherme pela cortesia de me dar o aviso, é hora de aplaudir a JUCERGS, que fez as coisas civilizadamente. Se todos fossem assim, este seria um mundo melhor.
Pretendemos, Kelli e eu, ir a Porto Alegre em março, para o tal do congresso da ABRATES. Quem sabe, vamos ter a possibilidade de cumprimentar os aprovados.