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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A ABRATES, o SINTRA, o Congresso, Porto Alegre — e eu.

Você vai ao Congresso da ABRATES em Porto Alegre? Eu vou. Ou melhor, pretendo ir, porque a gente planeja e, no fim, dá tudo errado. Mas quero ir, pretendo ir, devo ir. Quem me conhece, sabe que eu tenho uma ligação afetiva muito forte com Porto Alegre, criada quando morei lá, ainda recém-casado, e fortalecida em visitas posteriores, quando fiz vários amigos na comunidade de tradutores do Rio Grande do Sul. Para ir a Porto Alegre, qualquer pretexto serve, nem precisa ser um bom motivo.
Quero ver a terra, quero abraçar os amigos, quero participar do Congresso. Estive nos dois primeiros, no Rio. Ao terceiro, tive de faltar, porque minha mulher já estava doente demais para viajar ou ficar sem mim mais do que algumas horas.
Mas o Congresso parece estar muito devagar. Não se vê nada nas listas de tradutores. Pouco ou quase nada no Twitter, embora a ABRATES tenha seu arroba próprio. Creio que nada no Facebook, uma que outra coisa no Orkut, mas, de oficial, praticamente nada. Parece até que o Congresso é secreto. Eu até fiz um agito no Twitter, mas, do pessoal da ABRATES, só apareceu o Marcelo Neves — que não participa das listas — e, mesmo assim, mais como particular do que como Tesoureiro da ABRATES.
A página é de uma pobreza franciscana. Há menos de três meses do Congresso, sabemos o nome de dois palestrantes:  Renato Beninatto, meu amigo de muitos anos, fundador da lista trad-prt e provavelmente uma das pessoas que melhor conhece o mundo da tradução profissional e Carlos Ancêde Nougué, de quem eu não tinha ouvido falar, mas parece ser pessoa de alta competência. O fato de que eu não conhecia Carlos Ancêde Nougué, a despeito dos meus 40 anos de militância tradutória, mostra uma das facetas importantes desses eventos, que é alargar nossos horizontes.
Mas fico aqui parafusando se SINTRA e ABRATES não fariam bem em sair um pouco do casulo, para postar umas coisinhas nas listas, Orkut e Twitter. Não ia custar tanto assim e podia até fazer muito pelo movimento, porque ambas as entidades parecem eternamente envolvidas em uma nuvem de mistério. Certo que ambas têm suas páginas na Internet, mas são coisas mortas, mais que mortas. Nem sei quando foram atualizadas pela última vez.
Nem um bloguesinho elas têm. Se a Kelli e eu conseguimos manter este blogue, porque nossas duas entidades representativas não podem? 
Agora vou contar para você de onde saiu este blogue: há anos, sugeri à ABRATES a criação de uma seção "Colegas de Amanhã" no site da entidade, para orientar os iniciantes e atrair mais associados para a ABRATES. Propus-me a escrever todos os textos sozinho ou juntamente com outros colegas. Recebi uma proposta amável e a sugestão de que formássemos um grupo de três, para não termos só a minha opinião. Os dois colegas lembrados para participar eram conhecidos meus e gente de capacidade. Aceitei na hora, satisfeitíssimo com a chance de trabalhar com eles.
Nunca mais me disseram nada sobre o projeto. Mudou a diretoria e não sei se a anterior julgou o projeto tão idiota que nem valia a pena repassar aos sucessores, ou se foram os sucessores que acharam a ideia toda uma bobajada só. Só sei que morreu o assunto. Ninguém é obrigado a concordar com minhas ideias, mas podiam ter dito que o projeto não ia sair.  
Depois de uns meses, me enchi de esperar resposta a criei este blogue que já estou escrevendo há mais de três anos. O ano de 2010 promete ainda mais.
Feliz ano novo!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Edição Extra: Cidade do Panamá chamando ABRATES! Alô, alô!!!!!!!!!

Alô, alô ABRATES, Cidade do Panamá chamando e eu fazendo aquilo que os radioamadores chamam um “patch”! Fala Antonia! Câmbio!

Olá Danilo,

recebo sempre seus textos e são, para mim, algo muito especial e agradável de ler. Sou brasileira e tradutora juramentada na Cidade do Panamá, na América Central, e estou muito interessada em participar do próximo congresso da ABRATES, mas, sinceramente, eles ainda não abriram a possibilidade da inscrição internacional e assim fica difícil definir todos os detalhes da viagem, sem ter essa segurança de já estar inscrita. Queria sugerir que vc insistisse um pouquinho nesse aspecto, no blog, pra ver se o pessoal organizador fornece mais informação na página do congresso. Conto com sua força.

Um abração de uma gaúcha

Antonia Porto Alegre - é meu sobrenome mesmo.

Câmbio!

Se você que está me lendo agora tiver alguma ligação com a organização do Congresso, ou souber de alguém que tenha, por favor, dê uma mão para a Antonia. Eu vou mexer os meus pauzinhos aqui, a ver no que dá. Mas eles estão muito enrolados, mesmo. Imagina que na página da ABRATES eu não consegui encontrar um link para o Congresso? Pode até estar lá, mas deve estar meio que talvez um pouco difícil de achar. A página é esta caso você se interesse. mas eu, e creio que muita gente mais, acha que deveria haver um link bem visível, com um aviso em bom tamanho, na página inicial da ABRATES. Uma pena, porque, mesmo sem divulgação apropriada, o entusiasmo é grande e vai muita gente. Vazou o nome de alguns dos palestrantes, além dos dois que estão na página do Congresso e são gente boa, que vale a pena ouvir e conhecer pessoalmente. E Porto Alegre está cada dia mais bonita.

E eu quero ver a Antonia lá, turma da ABRATES, vê se vocês se mexem! A minha parte, eu já fiz.

Antonia, quero o teu abraço lá em Porto Alegre. Se você encontrar um senhor, alto, esbelto, charmoso, um toque de gris na rala mas vasta cabeleira esvoaçante à brisa do Guaíba, daqueles que fazem palpitar os corações de mulheres com idade de serem suas filhas, já fica sabendo que não sou eu. Mas, de alguma forma, você me acha.

E fico muito satisfeito de que você lê o blogue e que tem sido útil. Eu fico aqui, batuscrevendo essas coisas e são mas mensagens e comentários dos leitores que me dizem se alguém se interessa, se vale a pena continuar escrevendo.

Atualização: Ana Iaria, pelo Twitter, me manda isto. Duas observações: primeiro que o "soon" é o relaçõespubliquês para "Deus sabe quando" e a Antonia tem todo o direito de se preocupar, porque o tempo se esvai e viagens internacionais não se planejam em cinco minutos. 


Segundo que "International Inscription" para um congresso promovido por uma associação nacional de tradutores é uma vergonha. Que direito temos de reclamar da turma que usa Babelfish? 


Continuo planejando ir, acho que vai haver gente interessante falando, quero rever amigos, quero abraçar gente que nunca vi pessoalmente antes, mas a organização é um caos. E, pelo amor de Deus, tirem aquele "inscription" de lá.


Atualização 2: Acaba de me telefonar o Presidente da ABRATES, Paulo Wengorski, que, além de assumir a responsabilidade pessoal por resolver o problema da Antonia (e tirar as "inscriptions" do site), ainda me convidou para participar de uma mesa redonda. Eu ia mesmo ao Congresso, agora, vou com mais gosto. Entretanto, não retiro absolutamente nada do que disse até agora: a organização precisa melhorar muito. 


sábado, 21 de abril de 2007

O "Departamento Feminino"

Num artigo anterior falei da ABRATES e alguém achou uma ponta de ironia no que eu disse. Nas observações sobre a ABRATES não há nada de irônico. Havia uma ABRATES, virou SINTRA, cindiu-se de novo em ABRATES e SINTRA e eu jamais soube a razão. Só quis evitar a confusão entre a ABRATES de hoje (da qual sou associado e de cujas atividades participei quando viável) da ABRATES de antigamente da qual foi "vice-diretor da Seção Paulista", o que quer que isso seja.

A ironia estava na história de comparar a tal Seção Paulista com o Departamento Feminino dos grêmios estudantis. Permitam que eu explique, com um pouco mais de pormenores. A ABRATES (e o SINTRA) têm suas sedes no Rio de Janeiro, situação que, a meu ver, é perfeitamente correta e não deve ser alterada. Mas querem term uma Seção Paulista. Para mim, isso é como o "Departamento Feminino". Para ilustrar, vou contar uma historinha, boa, mas provavelmente apócrifa.

Numa faculdade, estavam organizando uma chapa para a diretoria do Centro Acadêmico. Escolheram presidente, vice, secretário, tesoureiro, enfim, o de hábito. Depois, escolheram uma colega para Diretora do Departamento Feminino. Foram convidá-la e ela se desfez em agradecimentos pela honra, para gáudio dos colegas. Mas, logo depois, fazendo carinha de inocente, perguntou quem ia ser o Diretor do Departamento Masculino. Não havia Departamento Masculino, claro. Nenhum grêmio estudantil tem isso. Então, a moça explicou que Departamento Feminino sem Departamento Masculino é discriminação e, polida mas firmemente, recusou o convite.

Na minha opinião, da mesma forma criar uma Seção Paulista sem criar uma Seção Carioca é discriminação idêntica.

Por hoje, é só. Amanhã tem mais.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Mais sobre o Congresso da ABRATES


Inscrição dos que moram no exterior

Paulo Wengorski, presidente da ABRATES me autoriza a informar que quem vier do exterior pode se inscrever na hora, com um preço especial. Aparentemente, a ABRATES teve uma dificuldade burocrática com as empresas de cartões de crédito e não tem um jeito de aceitar pagamentos do exterior. Então, se você mora no exterior, venha e, ao chegar, apresente-se e pague a inscrição.

O programa

Está tomando forma a programação do congresso da ABRATES na Leal e Valerosa. Pelo jeito, vai ser muito bom. Algumas das pessoas que vão falar são minhas conhecidas de longo tempo, outras tiveram seus nomes elogiados por colegas exigentes, que não são fáceis de enganar com pirotécnicas verbais.

Uma menção especial para nosso colega João Roque Dias (talvez pouco conhecido no Brasil por ser português a mais não poder) que vai falar, entre outras coisas, sobre grafia de unidades de medida. A grafia é a mesma em ambos os lados do Atlântico e a maioria dos tradutores comete erros bisonhos na área. Eu próprio, que já andei xeretando o assunto, tenho várias dúvidas.

Esta é a programação, copiada da mensagem recebida da ABRATES.

Segue a programação preliminar do III Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da Associação Brasileira de Tradutores, que será realizado nos dias 19, 20 e 21 de março no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre, RS. Os horários serão divulgados em breve. Ainda faltam confirmações de alguns participantes dos painéis e palestrantes.

Primeiro dia: sexta-feira, 19/03

* Oficina 1: Terminologia e Glossários - Cleci Bevilacqua e Maria José Finatto

* Oficina 2: Tradução Simultânea - Ayrton Farias

* Oficina 3: a confirmar

Segundo dia: sábado, 20/03

* Painel 1: Tradução Juramentada - Tamara Barile (SP), Beatriz Rodrigues (Buenos Aires), Renato Beninatto

* Painel 2: Mercados Regionais - Claudia Chauvet (Centro-Oeste), Ayrton Farias (Nordeste), Danilo Nogueira (Sudeste), Mônica Koehler Sant'Anna (Sul)

* Painel 3: Tradução Literária - Sergio Flaksman (RJ), Luiz Angélico da Costa (BA), Moacyr Scliar (RS)

* Painel 4: Formação em Tradução e Interpretação - Marcia Martins (PUC-Rio), Cristina Carneiro Rodrigues (UNESP) e outros a confirmar

* Painel 5: Direitos Autorais - Denise Bottmann, Sergio Molina, Dra. Eliane Abrão

* Painel 6: Organizações - Beatriz Rodriguez (CRAL/ FIT), Heloisa Barbosa (Sintra), Paulo Wengorski (Abrates)

* Palestra 1: Credenciamento de Tradutores e Intérpretes - Vagner Fracassi (ex-presidente da ABRATES)

* Palestra 2: Internet, o continente do conhecimento, e a arte da tradução - Roney Belhassof (consultor em gestão do conhecimento)

* Palestra 3: Intérprete de Língua de Sinais: um novo profissional que se apresenta - Angela Russo

* Palestra 4: Conhecimento enciclopédico e tradução - Patricia Chittoni Ramos

* Palestra 5: Terminologia em textos técnicos - Maria da Graça Krieger

* Palestra 6: a confirmar

* Apresentações de temas livres propostos pelos participantes e selecionados pela comissão

Terceiro dia, domingo, 21/03

* Painel 7: Legendagem: Nick Magrath, Bruno Murtinho (4 Estações), Carol Alfaro

* Palestra 7: Ortografias: a Bela e o Monstro (1ª Parte - O Acordo Ortográfico: para quê?/ 2ª Parte - Unidades de Medida: uma Ortografia essencial para tradutores) - João Roque Dias (Portugal)

* Palestra 8: As armadilhas da tradução do espanhol - Carlos Ancêde Nougué

* Palestra 9: Tendências no mercado mundial de traduções ou "será que eu vou ter trabalho no ano que vem?" - Renato Beninatto

* Encerramento

segunda-feira, 23 de abril de 2007

ABRATES

A colega Sheyla Carvalho, Presidente da ABRATES, perguntou na trad-prt em que site eu tinha "falado mal" da ABRATES, para poder responder. A diferença entre "criticar" e "falar mal" é sutil e eu diria que meramente exerci meu direito de crítica. Minhas críticas, sempre as mesmas, são antigas e as que se encontram aqui . Já foram publicadas na lista trad-prt há mais de um ano. Com grande prazer publico aqui a resposta que quiserem dar. Na trad-prt, não tenho influência alguma e cada um escreve o que bem entende.

A Diretoria da ABRATES não tem a mais remota obrigação de ler este blog, mas deveria acompanhar o que se diz nas listas de discussão e no Orkut. É aí que se encontram os tradutores, centenas deles. A Internet é a verdadeira "porta de fábrica" de nossa categoria atualmente. Fica o conselho. Velho gosta muito de dar conselho.

Aliás, clique aqui e você vai chegar a uma página criada pela ABRATES para informar sobre Congresso. Sendo uma associação de tradutores, não ficaria mais bonito dizer "envio de trabalhos" em vez de "envio de papers"? Gol contra.

Mas não é nem a Mona Baker nem os "papers" que vão me impedir de ir ao Congresso: não vou poder ir de modo algum, por razões particulares, independentemente de qualquer coisa que a ABRATES possa fazer ou deixar de fazer. Estou dizendo isto aqui para que não venha ninguém dizer que o que eu quero é confetti.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Não é muito evento para um mês só?

Pois é. Ontem os círculos tradutórios se viram inundados por conversas sobre o I Encontro Internacional de Língua e Tradução, promovido, teoricamente, pelo Instituto de Línguas Miguel de Cervantes e Instituto Phorte (que nome horrível!). Na prática, é coisa da Gama Filho. Já tinha informações particulares de que eles estavam para lançar alguma coisa, agora, saiu publicamente.

Nada contra. A Gama Filho é muito agressiva e usa métodos muito modernos, tais como montar um curso de pós graduação cheio professores capazes que funciona em várias cidades. O Encontro, como era de esperar,  vai ter muita gente de alto quilate e vai ser uma vitrine para os cursos da Gama Filho.  A organização parece estar ótima, com programa pronto, oferta de eventos à distância e mil outras coisas. Altamente recomendável. A organização do evento da ABRATES continua paupérrima, lamentavelmente.

O problema pior entretanto é a data. Por que os dois eventos tão juntos? O mundinho da tradução é pequeno e eu já sabia do congresso da ABRATES em julho do ano passado e do da Gama Filho desde o mês passado. Realmente, não acredito que os responsáveis pelos eventos estivessem menos bem informados que eu. Por que, então, essa programação louca? Mera coincidência? Não creio.

Se a ABRATES sabia do evento da Gama Filho ao marcar sua data, foram descabeçados, porque o poder de fogo do adversário é avassalador. Por outro lado, se a Gama Filho já sabia do evento da ABRATES ao marcar o seu, foi de uma descortesia ímpar, não só para com a ABRATES, mas também para com a classe tradutora, porque, para muitos, dois eventos em duas semanas é demais. Fazer o quê? É essa a elite tradutória.

O que eu vou fazer? Já tinha decidido ir a Porto Alegre, de uma maneira ou de outra, por motivos pessoais, e, depois de convidado para participar de uma mesa redonda, vou mesmo. Além disso, já tenho até encontros marcados lá com amigos diversos. Assunto encerrado. Vou ao evento da Gama Filho? Talvez. Mas, para mim, é fácil. O evento da Gama Filho é no Bixiga, que não fica muito fora de mão para mim. Para a maioria, entretanto, é uma escolha dura. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

ABRATES e SINTRA, mais uma vez

Este meu artigo gerou um artigo do Óscar Curros que aparentemente foi tirado do ar pelo próprio autor,  reacendeu a velha polêmica sobre ABRATES e SINTRA e gerou este comentário de um dos leitores aqui do blogue:

Danilo,

Sinceramente, não dá pra se entusiasmar com o SINTRA. Trata-se de uma saleta minúscula no final da Rua da Quitanda com uma única atendente. Tive a desagradável surpresa de visitá-lo. Imagina você andar no solão do Rio toda a rua da Quitanda para, finalmente, conhecer o seu sindicato e se deparar com a realidade.

Ao perguntar o que o SINTRA faz pelo tradutor, a única resposta é "o Sintra coloca o seu nome no sítio e oferece uma tabela sugestiva de preços". Tenha santa paciência, mas o SINTRA ainda precisa crescer para aparecer. Cobrar R$ 260,00 por ano para fazer isso é uma piada. Em todo o escândalo do Concurso para Tradutor Juramento do RJ, ele ficou caladérrimo e não moveu uma palha.

A ABRATES pelo menos se agitou um pouquinho nesse episódio do famigerado concurso, realiza os congressos de tradução, faz lá sua prova de credenciamento e etc.

Pronto. Desabafei. 


O artigo do Óscar Curros foi  discutido nas listas e no Orkut. Resumidamente:

Alguns tradutores não se associam porque as entidades não fazem nada, no que têm toda a razão. Outros tradutores afirmam que as entidades não fazem nada porque os tradutores não se associam e, por isso, falta dinheiro, no que, também, têm toda a razão. É um círculo vicioso a ser rompido.

Um terceiro grupo diz que quem reclama da diretoria está sempre errado e, em vez de reclamar, deveria montar uma chapa, candidatar-se às eleições e levar a entidade avante, para ver o que é bom para a tosse. Estes, a meu ver, estão sempre errados.

Quando eu vou a um restaurante e digo que a comida está mal feita, não se espera que eu consiga cozinhar melhor. Quando eu critico o prefeito, governador ou presidente, não se espera que  me candidate governe o faça um governo melhor que o deles.

Eu, por exemplo, sou péssimo administrador e, se fosse eleito diretor de uma das entidades, faria coisas horríveis, inimagináveis. Por isso que faço pela profissão aquilo que aparentemente sei fazer: escrever e falar.  Alguma coisa tenho que fazer, alguma coisa temos todos que fazer, se não for uma, que seja outra. Como diz o velho samba, “quem não sabe tocar violão nem pistão toca surdo.” A história do “não tenho tempo”, essa sim é um absurdo. Se você não tem tempo para os outros, não pode esperar que os outros tenham tempo para você.

Mas o fato é que, como mencionado no comentário reproduzido acima, o SINTRA não empolga a categoria nem com ações nem com propostas ou informações. A ABRATES faz bem mais, com os congressos e credenciamentos, mas ainda falha muito no quesito informação e divulgação. Note-se que o Congresso de Porto Alegre está aí, explodindo, na praça, com uma programação cada vez mais apetitosa — mas a página inicial do sítio da ABRATES sequer menciona o evento!

Do SINTRA, nada se sabe. Não acredito, não posso acreditar, que a diretoria não se reúna, não converse, não discuta, não tenha ideias a compartilhar conosco, não tenha planos. Alguma coisa hão de estar fazendo.

Provavelmente, nenhum dos diretores sabe como atualizar uma página em html, o que é perfeitamente desculpável e fazer um jornalzinho impresso agora está fora de cogitação, pelo custo. 

Mas se tivessem um bloguinho, a coisa seria simples, simples até demais. Qualquer pessoa razoavelmente alfabetizada por manter um blogue. Se até eu consigo, ora, esferas!

(Amanhã volto à Casa das Rosas — alguns dos colegas presentes à reunião me desafiam a falar sobre a Denise. Pois não perdem por esperar.)

domingo, 5 de novembro de 2006

Entidades de classe dos tradutores

Há duas entidades de classe para os tradutores: SINTRA e ABRATES. Ambas são alvo das mesmas críticas, as quais discuto abaixo.

São entidades puramente cariocas


O fato de que ambas têm sede no Rio de Janeiro tem motivos históricos e não me incomoda em nada. Em algum lugar têm de ter sede, pode ser no Rio ou em Boca do Acre. Já que estão no Rio, que no Rio fiquem. O fato de que a estrutura de ambas as entidades é tal que torna impossível a participação de tradutores dos outros estados pari passu com quem mora no Rio, me incomoda muito e já levantei o problema várias vezes.

Não me parece que alguma diretoria de qualquer das entidades tenha se preocupado com a questão. Todas quererem organizar uma "seção" ou "delegacia" paulista forte, mas nenhuma quer segregar os assuntos nacionais dos ligados especificamente ao Rio de Janeiro.

Quer dizer, a solução começa com a separação entre a "nacional" e a "carioca". Parece o famoso "departamento feminino" que há, ou havia, em alguns clubes e grêmios. Conta-se que um dia convidaram uma mulher consciente de sua igualdade com os homens para que dirigisse o "departamento feminino" de uma agremiação e ela respondeu que, antes de aceitar a honra, queria saber quem ia cuidar do departamento masculino. Nem SP nem nenhum outro lugar deve aceitar ser o "Departamento Feminino" das nossas agremiações. Quer dizer, sou frontalmente contrário à criação de uma "delegacia paulista" ou "seção paulista" enquanto não for criada a "delegacia carioca". Ou o Rio de Janeiro não é um estado? E tem que haver um modo de fazer com que quem mora fora do Rio possa participar ativamente das discussões e decisões. Ou será que alguém espera que todos compareçamos às reuniões no Rio de Janeiro?

Enquanto viger a situação atual, ou você está no Rio, ou é sócio de segunda classe. O statu quo parece convir.

Não fazem nada pela classe

Fazer, fazem, mas pouco, muito pouco, quase nada. Não fazem mais porque não têm recursos. A ATA faz mais porque tem mais recursos. Americanos são "born joiners": entram para a sociedade, pagam, comparecem à assembléia, montam chapa, elegem diretores, pagam anuidade, fazem a entidade crescer e partem para a briga. No Brasil, a turma quer que primeiro a entidade faça alguma coisa para depois se associar, paga a anuidade com atraso, não vai à assembléia, se nega a participar de chapa e depois fica reclamando que "eles não fazem nada". Não existem "eles", existimos "nós".

A turma parece crer que entidade profissional é como convênio de assistência médica. No convênio, um grupo de capitalistas junta recursos para oferecer serviços a um público pagante, na expectativa de que a receita exceda a despesa e os donos possam auferir lucro. Na entidade profissional, os profissionais se juntam e juntam seus recursos para criar uma associação que os represente e defenda.

Quando acontece algo errado, a turma reclama "e o que faz o SINTRA?". Nada. O SINTRA, não faz praticamente nada e a ABRATES faz, mas pouco e devagar. Não tem poder de resposta rápida. Mal-e-mal as entidades conseguem se manter vivas e ainda por muito favor.

Uma associação profissional é como o que os americanos chamam "bucket brigade", aquela turma que fazia uma fila para ir passando balde de água de mão em mão e apagar um incêndio. Todo mundo comparece e dá uma mãozinha. Ficar de fora e reclamar que a "bucket brigade" não funciona, pega mal.

São entidades fechadas em si próprias

Acho absolutamente ridículo o fato de que nenhuma das duas entidades faz das listas de tradutores em o Orkut um veículo de comunicação com a classe. Participo de pelo menos cinco listas brasileiras de tradutores (isto se não participar de mais) e ainda de um grupo de tradutores ativíssimo no Orkut. Rolam conversas importantes, discussões interessantes mas não aparece nenhuma das duas entidades para participar nem para dizer "juntem-se a nós". Quer dizer, as entidades se fecham em si mesmas, só se comunicam com a categoria para se defender e para reclamar que ninguém colabora. Não há uma, uma só, uma única iniciativa organizada de comunicação com a categoria. É de se perguntar se realmente querem ampliar a representatividade da entidade ou preferem manter o stato quo, embora publicamente lamentem a pouquidão dos associados.

Aliás, também não há uma lista de discussão de assuntos profissionais patrocinada por uma ou ambas as entidades. O isolamento é total. Saem boletins esporádicos, vez que outra uma mensagem eletrônica circular, convocando para uma assembléia. Mas nenhum, nenhum mesmo, esforço de comunicação com a classe, exceto os dois congressos da ABRATES.

Os congressos


A iniciativa de maior impacto das entidades foram os congressos da ABRATES. O primeiro foi um sucesso; o segundo foi muito criticado. O fato é que, bem ou mal, fizeram. Antes pouco que nada. Espero que alguém, que tenha talento organizador, promova o terceiro.

Participar ou não?

Sou associado de ambas as entidades. Quem me convenceu foi o Paulo Wengorski. Convenceu-me de que não me assistia o direito de reclamar sem participar. A ABRATES me fez três pedidos: um artigo e duas participações em congressos. Atendi os três. Quando começou a história do credenciamento, participei dos prolegômenos, mas me afastei porque achei que iria surgir um conflito de interesses, dado o fato de que, na época, eu era ativíssimo como instrutor na Via Rápida. Não me arrependo. Não ia faltar quem alegasse que estava participando da equipe em proveito próprio. O SINTRA não me pediu nada nem tinha razão para pedir. Se pedisse, teria procurado ajudar, dentro de minhas limitações.

Gostaria de participar das discussões e assembléias das duas, mas não tenho condições de ir ao Rio de Janeiro para isso. Só poderia participar via Internet.

Participar da diretoria ia ser mais difícil ainda, dado que sou mau administrador nem moro no Rio. Minha colaboração há de limitar-se ao que eu sei fazer, para não fazer besteira. Cada um tem sus limitações e problemas, mas me parece extraordinário que a esmagadora maioria de nós não possa contribuir com nada, nada, absolutamente nada para com a profissão, salvo reclamar que "ninguém faz nada".

terça-feira, 24 de abril de 2007

Mona Baker, a ABRATES e eu

Mona Baker é conhecidíssima por suas valiosas contribuições à tradução e, por isso, a ABRATES a convidou para fazer uma apresentação no II Congresso Internacional de Tradução. Poderia ser um motivo de grande e total satisfação para a comunidade ter entre nós alguém cujo trabalho todos nós respeitamos. Entretanto, o convite gerou grandes protestos e eu, particularmente, fiquei muito entristecido com a escolha. Por quê?

Vamos, primeiro, aos fatos, como narrados pela própria Mona Baker, aqui. Para quem não sabe inglês, ou está sem tempo de ler, Mona Baker, em razão a atual situação política que envolve o Estado de Israel e as populações palestinas que residem no seu território, pediu a dois professores israelenses que se demitissem dos cargos que ocupavam na sua editora. Negaram-se a pedir demissão, foram demitidos. Foram demitidos não por suas idéias políticas, que jamais são mencionadas, porém por serem israelenses. Também ela tomou a decisão de boicotar todos os israelenses, independentemente de suas convicções políticas. Até aqui, acho que a própria Mona Baker concordaria com o que eu disse. Pelo menos, no que li com a assinatura dela, nada há que contradiga o que aqui está escrito.

Agora, vamos aos meus comentários. Você pode concordar comigo ou não, esse é seu direito. Mas eu considero meu dever apresentar aqui a minha opinião.

O primeiro ponto é que cabe a ela demitir de sua editora quem quer que ela ache que deve demitir e, evidentemente, cabe aos demitidos o direito de reclamar e a mim o direito de achar que é um absurdo demitir um intelectual exclusivamente pela cor do seu passaporte e boicotar um povo inteiro por razões políticas.

Na longa discussão que se criou na trad-prt, uma colega afirmou que boicotes eram comuns, como mostra o boicote dos EUA contra Cuba. Comuns, sim, mas isso não os torna aceitáveis. O boicote a Cuba, que, além de injusto, é inútil, já que Fidel Castro está lá e não é o tal do boicote que o vai derrubar.

O que estou fazendo eu contra o boicote dos EUA a Cuba? Nada. Mas, se a ABRATES convidasse George W. Bush para falar num Congresso, eu ia dar um estrilo federal, porque me pareceria que isto seria dar apoio ao homem e suas iniciativas. Aliás, se convidasse Fidel Casto, o estrilo seria igual.

Outros colegas alegaram que está sendo convidada a professora Mona Baker, não a ativista política e que não podemos confundir o ativismo político dela, que faz parte de sua vida particular, com sua vida acadêmica, que é pública. Concordo plenamente. Por isso, sempre achei que o mulherenguismo de certos políticos era problema deles e de suas esposas, não um problema político. Mas acontece que Mona Baker fez de seu poderio acadêmico uma arma política ao demitir os dois professores israelenses. Quer dizer, é como acontece quando o político nomeia sua amante para um cargo público. Aí, creio eu, a questão deixa de ser particular para tornar-se pública. E quem tornou a questão pública foi Mona Baker, não eu.

Agregam outros colegas, ela foi convidada para falar sobre tradução, não sobre ativismo político. Mas vejam os assuntos: "Conflito no cenário global: o local narrativo de tradutores e intérpretes" e "Intervenção em conflitos globais: comunidades de tradutores e intérpretes ativistas". Preciso dizer mais alguma coisa? Aliás, demitindo os intelectuais israelenses, a meu ver, Mona Baker perdeu todo o direito de falar academicamente sobre conflitos e como intervir neles. Em vez de melhorar a terrível situação da região, está meramente jogando mais lenha na fogueira.
Prefiro a abordagem de Edward Said e Daniel Barenboim. Os dois são doidos por música, o primeiro é escritor, o segundo é maestro. Said, lamentavelmente já falecido, era palestino, Barenboim é judeu. Formaram uma orquestra sinfônica a West-East Divan Orchestra, com músicos israelenses e palestinos. Esses, sim, estão fazendo alguma coisa pela paz e podem nos ensinar muito. Pena que não sejam tradutores.

Alguns outros colegas acham que estamos prejulgando Mona Baker. Que é perfeitamente possível que ela faça uma palestra totalmente isenta e equilibrada, sem se deixar influenciar por suas idéias políticas. É possível, claro, mas muito pouco provável. Tão pouco provável como esperar de Bush uma palestra isenta sobre Cuba, ou de Fidel Castro apresente uma palestra isenta sobre os Estados Unidos. É mais ou menos como ver um carro vindo na minha direção, ficar quieto e dizer "não devemos prejulgar, o motorista pode perfeitamente decidir se desviar de mim".

Se você teve a paciência de ler até aqui, já sabe quanto eu lamento a atitude da ABRATES. Tanta gente boa para convidar e foram convidar logo Mona Baker. Não iria ao Congresso de modo algum, por motivos particulares que não vou discutir aqui. Mas, se fosse, acharia muito constrangedor dar meu dinheiro para ajudar a pagar uma visita de Mona Baker ao Brasil. Preferia comprar entradas para um concerto da West-East Divan Orchestra. Acho que eles têm muito mais a me ensinar sobre como agir em situações em conflito do que Mona Baker.

terça-feira, 17 de abril de 2007

História antiga

Há muitos anos, lá pela década de 1970, a ABRATES, que não era a ABRATES de agora, o que não vamos discutir no momento, tinha uma "seção paulista". A "seção paulista" era como o "departamento feminino" dos grêmios estudantis, mas isso é coisa de que falo outra hora. Acontece que eu era o "vice-diretor" da tal seção e, um dia, estava presidindo uma assembléia. Presente a meia dúzia de gatos-pingados habitual. Comigo, sete, digamos.

Uma das associadas era do tipo que faz discurso inflamado. Sempre tem um em qualquer reunião. Os mais legítimos interesses desta laboriosa categoria, explorada pelos clientes.... sabe como é. Pediu a palavra e derramou o candente verbo contra tudo e contra todos. Ser contra é uma atitude muito popular em assembléias, inclusive nas de tradutores. Ser contra quem dirige a entidade, embora possa ser perigoso em alguns ambientes, é ainda mais popular. A diretoria, isso é consabido, não faz nada. Abandona a classe. Não sei por que quiseram ser diretores. E por aí vai. Lá pelas tantas, falou da abençoada regulamentação da profissão, que, para ela, era a perfeita panecéia.

Sabe aquela história que aparece nos desenhos animados, o diabinho de um lado e o anjinho do outro? Naquele dia, venceu o diabinho e eu, cansado da flamejante logorréia da moça, resolvi colocar em votação a proposta de, ali, prepararmos um documento, a "Carta de São Paulo", com os parâmetros de ação para alcançarmos a tão almejada regulamentação, para envio à sede, no Rio de Janeiro. A idéia foi achada maravilhosa e aprovada na hora. Finalmente, íamos agir! A moça, rutilante de satisfação, dominava a assembléia com a cara triunfante de quem tinha descoberto a pólvora.

Começada a redação, não se conseguiu chegar a uma conclusão nem sobre o artigo primeiro da tal "Carta". Das sete pessoas que havia na sala, quase saem oito mortas. A briga, evidentemente, começou entre uma associada que tinha diploma de tradutor e um que não tinha. Ensanduichada entre ambos, uma que tinha licenciatura em letras e era considerada bicona pelos dois. Foi muito divertido, embora um pouco assustador. Depois de meia hora de animado bate-boca, decidiu-se marcar uma nova reunião e os participantes se comprometeram a remeter a mim suas sugestões por escrito, de modo a permitir a formulação de uma proposta discutível em reunião e ficou por isso mesmo.

Até agora, estou esperando as sugestões. Da moça que tinha recebido o espírito de Demóstenes, nunca mais ouvi falar. Acho que mudou de profissão.

Até amanhã.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Óscar Curros, Fundador da Óscar Curros Translations

O Óscar Curros, CEO e Fundador da Óscar Curros Translations, escreveu  em seu blogue sobre ABRATES e SINTRA, citando coisas que escrevi aqui.
Alguns colegas me perguntaram se eu não ia responder. Não tenho o que responder, oras! O Óscar Curros não me perguntou nada, só citou algo que escrevi. Meio picadinho, é fato, mas com o devido crédito. E deu lá suas opiniões, às quais tem todo o direito, como eu o tenho cá às minhas, que não são as dele, assim como as dele não são as minhas, se me faço claro. Não vou agora duelar com o colega mesmo porque não entendi bem o encadeamento das ideias, a começar pela referência ao Garganta Profunda, que me pareceu ter muito pouco que ver com o peixe.
De qualquer modo, o artigo me pareceu pouco mais do que uma tentativa velada de atrair gente para a IAPTI. Não faço, nem pretendo fazer, parte da IAPTI. Pode ser até uma entidade valiosa — pode até distribuir carteirinha válida no Brasil, como perguntou um colega numa das listas — mas certamente, sendo uma associação internacional, não teria como substituir nem SINTRA nem ABRATES, que nos representam em nível local. São coisas bem diferentes. Por exemplo, não me parece que a IAPTI, com todo seu valor, pudesse fazer algo sobre a estranha história do concurso para TPIC no Rio de Janeiro.
Alguns colegas também ridicularizaram o título de “CEO e Fundador da Óscar Curros Translations” que o Óscar atribuiu a si próprio, já que a Óscar Curros Translations parece ser tribo de um só ou muito poucos índios e um título tão altíssono, grandíloquo e sesquipedal pode parecer enganoso a alguns e megalomaníaco a outros.  Também acho meio exagerado, mas é a moda, agora e, evidentemente, direito dele usar, mesmo porque é pura verdade: o fundador é ele e certamente é ele quem apita.
Como eu ia dizendo, entretanto, é moda, agora, e conheço vários e várias CEOs, Diretores, Presidentes, Chairmen, Chairwomen, Chairpersons e Chairodiaboqueoscarregueatodoseles de empresas muito pequenas, que mal e mal comportam o chefe e uma recepcionista, se tanto. A Internet nos iguala a todos e permite a uma empresa microscópica se apresentar como se fosse uma grande multinacional. Pensei até em adotar para mim o nome de Vetusto e Venerável Grão-Nababo Geral das Traduções Nogueira, mas achei melhor desistir da ideia, embora continue preferindo “nababo” a “CEO”, que me parece antipático em português.
Sou a favor da liberdade de expressão e as opiniões do Óscar são bem-vindas, lembrando-se sempre que são as dele.
Por hoje, é só, que estou inundado de problemas. Amanhã, se estiver vivo, devo escrever sobre o debate da Casa das Rosas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tradução Automática

Muita gente ainda confunde tradução automática com memória de tradução. Lamentável, porque são tecnologias totalmente diferentes. Entretanto, desse assunto falamos aqui, e não quero, mais uma vez, repetir o que já disse tantas.

O assunto de hoje é que outro dia me apareceu isto pela frente e
queria mostrar aqui. Um horror, certo? É serviço do Google Translate, caso você não tenha percebido. Agora, pouse o cursos em cima de uma frase qualquer e veja o que aparece.

Um convite para apresentarmos uma tradução melhor, certo? Quer dizer, querem que a gente faça tradução grátis para a loja de calçados, uma entidade comercial com fins lucrativos, entendeu? Nós trabalhamos grátis para eles pouparem despesas. Deu raiva? Em mim também. Confesso que aproveitei a chance e colaborei com várias sugestões escabrosas, das quais espero que eles façam bom uso. Não foi uma coisa assim, digamos, muito cristã. Mas, de vez em quando, ferve o sangue e eu faço dessas coisas.


Outro dia, postei uma mensagem em um dos diversos fóruns de que participo e, aparentemente, pelo menos um dos leitores não entendeu o que eu tinha escrito. O colega postou uma resposta dizendo que quem tem medo de tradução automática deveria mudar de profissão, porque a tradução automática jamais vai ser tão boa quanto a humana.


Se vai, se não vai, não sei. Não gosto de falar sobre o futuro. Sei que, atualmente, não é. E fico pensando em quantos tradutores estão deixaram de ganhar com essa coisa do Google Translate. Para dizer a verdade, acho muita desonestidade do Google oferecer esse tipo de serviço. O usuário, que provavelmente não distingue português de turco, não entendendo nada, crê que esteja perfeito e faz sua empresa cair no ridículo.


Ainda por cima, têm a cara-de-pau de pedir a colaboração de voluntários. Talvez você não saiba, mas a entidade que se chama ABRATES é a segunda que usa esse nome. A primeira, que depois virou sindicato, tinha um Código de Ética interessante que vedava a prestação de serviço grátis a quem pudesse pagar. Acho isso fundamental para a sobrevivência da profissão. Não encontrei o Código de Ética da ABRATES. Encontrei o do SINTRA, mas creio que não toca na questão da gratuidade dos serviços, o que me parece uma pena. De qualquer modo, não sou eu que vou "ajudar" uma empresa comercial grátis.


Redigido por Danilo, com as habituais sugestões, revisões, palpitações e puxões de orelhas da Kelli.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Linkedin, ATA e o trabalho grátis

O velho código de ética da ABRATES (que, posteriormente, deu lugar ao SINTRA e foi recriada posteriormente) proibia trabalhar grátis para quem pudesse pagar.

Acho essa disposição magnífica. O que tem de gente que pode pagar e arranja uma boa desculpa para procurar extrair tradução de graça não é pouca coisa. E, o que é pior, o que tem de tradutor inocente caindo nessas histórias também não é pouco.

Recentemente, me aparece a Linkedin, que diz que é uma rede de profissionais e o escambau, com o golpe do João sem Braço, uma "pesquisa" querendo saber quantos tradutores estavam dispostos a traduzir "por diversão" ou "em troca de um distintivo". Deu o que falar, claro. A turma botou a boca no trombone e soprou forte.

O capítulo mais recente da noveleta é um ofício assinado pelo presidente da ATA, e endereçado ao presidente da Linkedin, soltando os cachorros no homem — e não sem razão. Leia aqui, e fique de olho nessa turma que pede serviço de graça. Às vezes, é uma ONG onde todos ganham bem, mas o dinheiro acaba na hora de pagar o tradutor. Outras vezes, é coisa pior ainda.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O concurso da JUCERJA e outros para TPIC III

Embora pareça que muita gente capacitada tenha sido reprovada, nem em particular nem em público vi alguém alegando que os aprovados no RJ eram incapazes (mas surgiu uma acusação desse tipo em outro estado — a ver se consigo apurar alguma coisa fundamentada, para postar aqui). Portanto, salvo melhor juízo, continua válida a recomendação de não hostilizar os aprovados. Se houvesse um caso de suborno envolvido, teriam sido aprovados alguns incapazes também. Pouco posso dizer sobre a capacidade dos candidatos, porque, embora conheça vários deles pessoalmente, nunca vi o trabalho deles.
Mas é interessante, muito interessante, a quantidade bárbara de reprovações e um resultado que, do ponto de vista estatístico, é totalmente anômalo, ponto abordado pelo nosso colega Erik Borten em uma mensagem brilhante à trad-prt. Já escrevi a ele pedindo permissão para usar aqui, mas ainda não obtive resposta.
Por outro lado, tenho a satisfação de reproduzir, com a devida permissão, uma mensagem da nossa colega Sheyla Barretto de Carvalho, que me pareceu equilibrada e inteligente.
Prezados colegas,
Apesar de inconformada com as notas que me foram atribuídas na prova para tradutor público, desejo esclarecer que credito o resultado do concurso a erro no formato adotado para a correção das provas, não necessariamente à fraude.
Posso parecer ingênua ao afirmar isso, porém, conheço há anos alguns dos profissionais aprovados (como Adriana Rieche, Fernanda Mathias, colegas minhas na PUC-RJ, Patricia Tate e Adriana Schwartz no idioma inglês; Annie Cambe no idioma francês) e sei que são todos merecedores da aprovação recebida.
Acredito que o professor César Cardoso é competente o bastante para receber aprovação, independentemente de ser colega de membro da banca examinadora.
Conheço também Leonardo Morais e sei que há muito tempo atua na área de tradução, portanto, prefiro acreditar que tenha sido aprovado por merecimento.
A impressão que tenho é que distribuíram as provas do concurso para diferentes avaliadores e a maioria deles não soube aplicar as regras de correção recomendáveis para provas de tradução/versão.
Não está autorizado o uso do meu nome em emails como aquele divulgado recentemente por uma "Comissão": acusatório, sem assinatura e cuja opinião é divergente da minha.
Tenho plena confiança na minha capacidade como profissional da área de tradução/interpretação, construída ao longo de uma carreira bem-sucedida de quase 20 anos de muito trabalho e dedicação e da qual muito me orgulho, mas desejo me solidarizar com aqueles cuja confiança possa ter sido abalada pelo resultado do concurso.
As aprovações podem ter sido justas, no entanto, as reprovações, em grande parte, certamente não o foram.
Atenciosamente,
Sheyla Barretto de Carvalho
Tradutora-Intérprete
Sócia-Fundadora do Brasillis
membro da Abrates, da ATA, do Sintra
membro da OAB-RJ
membro do CRA-RJ

terça-feira, 14 de agosto de 2007

De dicionários e plágios

Este artigo foi postado ontem de noite com um erro meu, que foi notado mas não pode ser corrigido imediatamente. Passou a noite substituído por uma nota seca dizendo que tinha sido retirado temporariamente, mas agora está aqui, corrigido. Pretendo voltar ao assunto posteriormente.

Quando saiu, em 2004, minha casa estava o caos, o escritório nas garras de pedreiros e pintores, eu trabalhando num canto da nossa microssala de visitas – e achei que comprar mais um livro seria loucura no momento. Mas fiquei chateado, frustrado mesmo, porque o dicionário foi anunciado como o resultado de longos lavores de especialistas, com direito a elogios na imprensa e tudo.

Passada a tempestade da reforma comprei outras coisas, mas aquele tal do "Dicionário Jurídico e de Finanças", de autoria de Maurício Faragone e de Ricardo Pignatari, jamais comprei. Não que me faltem dicionários, porque tradutor velho tem carradas deles, mas, se era como diza a editora,

Um dicionário criado por profissionais da área de tradução em conjunto com profissionais da área jurídica;

- Aproximadamente 40 mil verbetes e 160 mil definições;

- Mais de 1.000 siglas de órgãos dos governos Brasileiro e Americano em Português/Inglês e Inglês/Português;

não seria de pouca ajuda para mim. O livro foi muito elogiado, inclusive por gente que sabe das coisas.

Só faltou dizerem que era a salvação da lavoura. De qualquer modo, tenho o Maria Chaves de Mello, gentileza da autora, e o Noronha, que comprei com meu dinheiro, e fui resolvendo meus problemas com eles.

A verdade é, entretanto, que jamais concordei com muita coisa que o Noronha diz. Mas eram meras opiniões impressionistas e subjetivas: nunca tinha me debruçado sobre o livro, para fazer uma análise detida e aprofundada. Quem fez foi Luciana Carvalho Fonseca Corrêa Pinto, (ou Luciana Carvalho, como é mais conhecida), que resumiu suas conclusões no congresso da ABRATES em 2005, numa apresentação feita com o ímpeto natural da alguém jovem como ela e uma firmeza intelectual que muita gente não atinge nem em idade madura. Mais dia, menos dia, a Luciana publica algo mais carnudo sobre seu trabalho, o que vai ser bom para todos nós. De qualquer maneira, sua análise foi útil e confirmou o que eu já pensava.

Como eu dizia, não gosto muito do Noronha. Entretanto, se eu não gosto muito do Noronha, o Noronha gosta ainda menos do Faragone e do Pignatari, tanto que ingressou em juízo contra eles. Não por achar o dicionário deles ruim, mas por achar que era plágio do seu.

Alegar plágio é fácil. Provar plágio é mais complicado do que parece. Plágio de dicionário bilíngüe, então, é questão mais que complicada. Deixe dar um exemplo: pegue as definições de qualquer verbete em dois dicionários unilíngües e vai ver que diferem. Se o Aurélio dá como primeira acepção de mesa “Móvel, comumente de madeira, sobre o qual se come, escreve, trabalha, joga, etc.”, o Houaiss, para descrever exatamente o mesmo objeto, diz Rubrica: mobiliário. móvel composto de um tampo horizontal, de formatos diversos, repousando sobre um ou mais pés, e que ger. se destina a fins utilitários: refeições, jogos, escrita, costura, apoio etc. Quer dizer, não pode usar a mesma definição. Se usar, é plágio e encrenca na justiça. O caso dos bilíngües é mais complicado: não há como ter mesa sem a tradução por table. Então, fica assim: o autor da ação reclama que foi plágio, os réus dizem que não foi plágio coisa nenhuma e perguntam: se não puder traduzir “mesa” por “table”, vou traduzir como? Foi mais ou menos isso que alegaram os réus da ação.

É assim mesmo que funciona. Um diz que sim, outro diz que não e o juiz diz quem tem razão. Neste caso, o juiz da 24ª Vara Cível de SP, Wagner Roby Gídaro, encarregado de julgar a ação, decidiu que, antes de dizer quem tinha razão, deveria perguntar algumas coisas para quem sabia e nomeu uma perita. Lamentavelmente, não tive acesso ao laudo pericial. Entretanto, o juiz faz várias citações na sua sentença, que se encontra aqui e, pelo que se lê, o laudo deve ser verdadeiramente suculento.

O juiz fala em “a Senhora Perita”, sem citar o nome. Curioso por saber quem poderia ter dado cabo da reputação de dois dicionários com uma só cajadada, perguntei à Luciana Carvalho. Não que ela tenha obrigação de saber, mas como ela é interessada nesses assuntos, talvez soubesse. A verdade é que sabia. A “Senhora Perita” se chama Rena Singer e um dos seus assistentes foi Stella Tagnin, que evidentemente a Luciana conhecia por ser sua orientadora.

Adotaram uma estratégia de trabalho interessante: catalogaram as falhas encontradas nos dicionários e rotularam as coincidências de falhas como indícios de plágio. Quer dizer, quando ambos estão certos, poder-se-ia alegar que chegaram à conclusão correta independentemente. Mas quando há falhas, é difícil crer que sejam coincidências: só se pode crer que sejam casos de plágio. E as falhas coincidentes encontradas não foram poucas, algumas das quais a sentença menciona:

A Sra. Perita Judicial também verificou a existência de termos não técnicos e absolutamente dispensáveis que foram encontrados exclusivamente nas obras elaboradas por autores e requeridos, comparando com outras obras do gênero: abrasion, annoyance, commotion, (defeat, to), injustice e neophyte (fls. 1571/1572). Nesse ponto esclareceu a Sra. Perita Judicial: A apreciação do Quadro leva a supor que um exame seqüencial da obra dos réus em relação ao do autor Noronha teve em vista a presença de termos não jurídicos presentes exclusivamente nas duas obras (fls. 1571).

As últimas manifestações da Sra. Perita Judicial então trazem a conclusão irrefutável a este Juízo. Descreve inicialmente que deve ser privilegiada a informação a respeito dos dados qualitativos da comparação das obras, ainda que este Juízo tenha utilizado essa informação para abrir esta fase de fundamentação.

Segue, entretanto, relacionando as mesmas falhas de revisão e apresentação dos mesmos termos que “não cumprem seu papel de ordenar as denominações de seus sistemas de conceitos”.

Além disso, “a primeira parte das obras não é um espelho às avessas da segunda parte”, ou seja, os mesmos termos que serviram para a tradução do inglês para o português não foram utilizados para a tradução do português para o inglês. A Sra. Perita Judicial também alerta para a existência de “denotativos” e “lista de falsos cognatos” e “conotativos” “pouco usuais, incomuns ou impróprios em uma obra de referência especificamente jurídica e de finanças, e peculiares exclusivamente às duas obras” (fls. 1582), nesse ponto exemplificando: O termo beleguim consta da seguinte forma: - na obra de Noronha: bailiff’s official; police agente / esses termos não existem no vice-versa – na obra de Pignatari/Faragone: bailiff’s official / no vice-versa existem. A Perita não conhecia o significado do termo e recorreu ao Aurélio Século XXI, que apresenta as seguintes acepções: “agente de polícia; esbirro; galfarro; malsim, mastim, meirinho, quadrilheiro, tira”. A primeira acepção, agente de polícia, consta da seguinte forma: - na obra de Noronha: agentes de polícia – policiman; constable; - na obra de Pignatari/ Faragone: agentes de polícia – policeman; constable. (Negrito da Perita) Nas duas obras verificam-se os mesmos erros: plural em português e singular em inglês. Não consta em nenhuma obra de referência que na língua portuguesa a forma plural seja a usual e, na inglesa, o singular seja a norma. (fls. 1582). Com isso, a Sra. Perita Judicial foi analisando as falhas e constatando a coincidência delas nas duas obras e com exclusividade, eis que seu trabalho se pautou pela análise qualitativa e comparativa (fls. 1582/1586).

Perante um laudo desses, o juiz evidentemente decidiu que se trata de plágio e condenou os réus a recolherem do comércio sua publicação e a mais outras obrigações, além da sucumbência. Sucumbência significa que os réus além de tudo tiveram de fazer um pagamento de honorários aos advogados dos autores, ente outras coisas.

Quem clicar aqui, vai ver que a editora dá o livro por esgotado, o que é um eufemismo dos bons.

Quem sabe, agora, alguém, talvez o próprio Dr. Noronha, aproveita os conselhos da “Senhora Perita” para fazer um bom dicionário jurídico. Ou, melhor ainda, contrata os serviços de um lexicógrafo profissional para fazer as tarefas que lhe cabem.

Há males que vêm para bem, ou, ao menos, podem vir.

Por hoje, é só. Espero você no sábado de tarde, na Reunião na Sala 7, que é a distância e grátis.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Lado Feminino da Tradução

Antes de voltar aos calotes — assunto sempre fértil, aqui — deixa fazer uma observação sobre as mulheres. Gente, como tem mulher tradutora! Nos encontros de tradutores, geralmente temos 90% de mulheres. Uma barbaridade.

Houve uma fase em que três membros da diretoria do sindicato (que tem quatro membros ao todo) eram mulheres. Um dia, ou o Sintra ou a Abrates vão ter de criar um "departamento masculino" para acomodar os membros do sexo barbado.

Sempre houve muitas mulheres traduzindo. Como as oportunidades de trabalho para as mulheres eram muito poucas, principalmente para as mulheres mais instruídas, que não iam se sujeitar a trabalhar em tecelagam ou como domésticas, quem não se sentia bem como professora, tendia a traduzir.

Houve uma época em que uma mulher de família, se casada, adminsitrava a casa da melhor maneira possível, mas não se envolvia em ganhar dinheiro. Entre as boas famílias, saber quanto ganhava o marido era considerado algo indecente para uma mulher. As solteiras, limitavam-se a esperar marido ou fazer algo na igreja. Era isso, ou ser professora — ou tradutora.

Como em todo lugar, a competência dessas tradutoras variava de altíssima a quase nula, mas, nisso, estavam par a par com os homens. O problema era que muitas das mulheres eram esposas ou filhas de homens bem-ganhantes e não faziam a menor questão de lutar por uma remuneração melhor. Peguei o fim dessa era e cheguei a conversar com uma mulher que dizia "Graças a Deus, meu marido ganha muito bem e, graças a Deus, eu não preciso ganhar dinheiro e, graças a Deus, posso aceitar qualquer serviço e, graças a Deus, não me falta o que fazer". Dizia isso com uma arrogância única, como se fosse superior a todos nós, ali, que tínhamos de dar um duro danado para sobreviver. Não se dava conta de que ela estava subsidiando o setor editorial com o salário do marido e prejudicando a todos nós com uma concorrência desleal e, além de tudo, dificultando a criação de uma profissão de traduzir, porque não se cria uma profissão enquanto houver a turma que trabalha por qualquer preço.

Ainda bem que esse tipo de pessoa praticamente desapaeceu. O lado feminino da profissão se profissionalizou inteiramente e exige remuneração igual à dos homens, no que estão muito certas. E mesmo aquelas que fizerm um bom casamento (ou um bom divórcio), fazem questão de cobrar o mais que puderem. Há anos não ouço uma que diga "Graças a Deus, não preciso disso e trabalho por qualquer preço".

Graças a Deus, digo eu, embora seja agnóstico.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Já que estaremos em Porto Alegre, mesmo...

Que tal fazermos um curso de tradução literária? O nosso amigo Guilherme Braga vai oferecer um, nos dois dias que antecedem o congresso da ABRATES. Eu vou, não só para prestigiar um amigo, mas porque o Guilherme, em geral, tem soluções fantásticas para trocadilhos, aliterações e outras coisas que não são comuns no meu mundinho tradutório, mas que de vez em quando aparecem e viram um pepino. Ele escolheu um lugar bem bacana: sabendo que tradutor gosta de uma boa comida, pretende fechar um andar de um restaurante bem bonitinho. Só que, para isso, precisa de no mínimo 10 pessoas confirmadas até o dia 15 de fevereiro. Vou reproduzir aqui o e-mail que ele mandou:

Curso sobre tradução literária em Porto Alegre -- estou tentando fechar um grupo de dez pessoas para oferecer um curso de dois dias em Porto Alegre, com quatro palestras especificamente sobre tradução literária. O curso acontecerá nos dias 17 e 18 de março, das 9h30 às 15h30 e versará principalmente sobre traduções de textos literários com alta exigência formal, com exemplos retirados de obras de Jack Kerouac, David Lodge e da adaptação cinematográfica de V de vingança.

Quaisquer dúvidas sobre horários, valores e condições podem ser esclarecidas por através do endereço avantesma@hotmail.com.


Um abraço!,
Guilherme Braga.

Mais informações, só com o Guilherme mesmo.

E aí, vamos?

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Avisos aos navegantes

  1. Por favor, não me enviem seus currículos. Não tenho agência e jamais repasso serviço.

  2. Na lista trad-prt está saindo uma discussão braba a respeito do convite feito à Mona Baker para falar no Congresso da Abrates e eu prometi a mim mesmo que ia postar aqui uma nota bem fundamentada sobre o assunto. A promessa está de pé, mas não é hoje que vou ter condições de escrever sobre a questão. Estou exausto e a questão, por tão delicada, exige um cuidado que não poderia ter hoje.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

ABC - Associação Brasileira dos Coitadinhos

A história é velha, velha dos tempos anteriores à Internet, quando a gente só tinha clientes na cidade onde morava e ia ao escritório dos clientes, para pegar e levar serviço. Então, nesses tempos, no fim de uma reunião da ABRATES ou do SINTRA, não sei, ficou a famosa rodinha conversando abobrinha na porta do prédio.

Como tantas vezes acontece, estava boa parte do pessoal se queixando que no Brasil, isto e que de uns tempos para cá, aquilo. A exceção era um colega bem vestido, de bem com a vida e satisfeito com seu sucesso profissional. No outro extremo estava um dos grandes coitadinhos do grupo, sempre com pouco serviço, mal pago, uma clientela que, além de pouca, era carrasca. Esse infeliz perguntou ao bem-sucedido, com um laivo de ironia, como é que eu faço para ser um tradutor bem-sucedido, como você?

É curioso como tanta gente trata com ironia e sarcasmo os que tiveram sucesso. Como se ser um fracassado fosse grande mérito. Americano usa looser (fracassado) como insulto, aqui parece que é bonito fracassar. Coitado, não tem sorte na vida.

Mas estou fugindo da história. Então o colega perguntou como ser bem-sucedido e tal. E o outro, que nasceu sem papas na língua, rebateu de primeira: comece tomando um banho. A rodinha se desfez, constrangida. Esperava-se algo menos duro, algo mais piedoso. Mas o fato é que o fracassado, o coitadinho, de fato não tomava o mais leve cuidado com a aparência pessoal e aparecia no escritório dos clientes como se tivesse dormindo na sarjeta. Claro, só conseguia pagamento de sarjeta. Era o moço das traduções. Só faltava lhe entregarem uma quentinha requentada para saciar a aparente fome. Se fizesse um esforço para parecer menos "mindingo" ganharia muito.

Mas o Fracassado não queria investir nada na profissão. Para que investir, se o ele ganhava tão pouco? Investir era para os outros, que tinham bons clientes, clientes que pagavam bem e mandavam bastante serviço. Nunca lhe ocorreria que era exatamente o contrário: que os que se saiam bem eram os que investiam, e investiam pesado, nas suas carreiras.

Hoje, raramente se vai pessoalmente ao cliente e se você prefere tomar banho somente no dia do seu aniversário, direito seu, o banho tornou-se irrelevante. Mas aprenda a investir em você próprio e na sua carreira, porque do céu não vai cair serviço.

Obrigado pela visita, deixe seu comentátio e volte amanhã

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

TPIC no RS - Capítulo 2

Por gentileza do nosso colega Guilheme da Silva Braga, nosso correspondente eventual para o extremo sul e circunjacências, tenho o prazer de informar que uma turminha lá do RS entrou em contato com o Ouvidor da JUCERGS para pedir uma correção do edital do concurso. E não é que corrigiram rapidinho!? Não, desculpe, gaúcho não faz nada rapidinho: lá as coisas saem ligeirinho. O edital corrigido está aqui.

Além de agradecer ao Guilherme pela cortesia de me dar o aviso, é hora de aplaudir a JUCERGS, que fez as coisas civilizadamente. Se todos fossem assim, este seria um mundo melhor.

Pretendemos, Kelli e eu, ir a Porto Alegre em março, para o tal do congresso da ABRATES. Quem sabe, vamos ter a possibilidade de cumprimentar os aprovados.