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quarta-feira, 30 de maio de 2007

Você cobre?

A colega, irritadíssima, posta uma mensagem em uma lista de discussão. Já li muitas desse tipo, todas muito semelhantes.

Você apresentou uma proposta. O cliente depois de uns dias telefona e diz que tem alguém que cotou um preço menor, pergunta se você quer cobrir. Que fazer? Primeiro, não se exalte, não se irrite, não se descabele. Não vale a pena. Principalmente, não faça discursos para o cliente, aquela velha história de "os preços que eu peço estão de acordo...": ele não vai prestar atenção. Ele quer um desconto, não um discurso. Isso dito, vamos ver o resto.

Há uma grande chance de o cliente estar mentindo. Bem possível que não tenha consultado mais ninguém. Conhece você, não conhece mais ninguém, ou gosta do teu serviço e vai fazer com você mesmo. Mas dar uma choradinha é grátis e, muitas vezes, rende uns tostões. Por que não tentar. Então ele vem com essa do "temos uma cotação mais ______ (em conta, conveniente, realista, de acordo com o mercado atual ...)". Se você cair, ótimo. Se não cair, paciência.

Claro, pode ser verdade. Não importa quanto você cote, sempre vai ter alguém que peça menos, salvo se você fizer grátis, caso em que o cliente provavelmente vai perguntar se você, ao menos, também diagrama em Quark.

Por outro lado, há muita gente que cobra mais que você e acha que o seu preço é tão aviltante quanto o daquela pessoa que cobra menos que você. É estranho, isso. Todos achamos que cobramos um preço razoável; quem cobra mais que nós está esfolando; quem cobra menos avilta. Sim, você acha o seu preço razoável, eu sei. Mas isso é questão de opinião. Pode ter gente achando que você também avilta. Não serão poucos. Pode ter certeza.

Cobrir ou não cobrir, eis a questão. A vida é tua e não sou eu quem vou te dizer o que fazer, mas posso dizer o que eu faço: não cubro. Não cubro, não cubro, não cubro e pronto.Não entro em guerra de preços. Entre outras coisas, porque, se entrar, vou perder o direito de falar mal de quem entra. Já pensou nisso?

Por favor, não diga que são "os outros". Comece você a melhorar o mercado, dizendo "não" à guerra de preços, à loucura de participar de leilão às avessas. Na verdade, você não pode começar, porque eu já faço isso há tempos. Quer dizer, somos nós dois, então. Quem sabe mais alguém entra no exército Brancaleone dos que não participam de leilão invertido.

Amanhã volto ao assunto, dizendo como faço nesses casos, que este artigo já ficou longo demais. Não se esqueça da Reunião na Sala 7. Grátis, a distância. Sábado.

Um comentário:

Ulisses Wehby de Carvalho disse...

Danilo,

Como você sabe, só faço simultânea, mas você pode me incluir também nas fileiras do exército que não participa de leilão ao contrário.

Abração