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quarta-feira, 25 de abril de 2007

Indignação

Faço parte de uma montanha de listas de discussão e comunidades quejandos. Os assuntos são cíclicos e repetitivos. Quer dizer, vira-e-mexe, volta lá a mesma conversa. Os veteranos reclamam: "já esgotamos o assunto". Não é verdade, esses assuntos jamais se esgotam, mesmo porque nós mudamos e, conosco, nossas opiniões. Por exemplo, eu já fiquei indignado com certas propostas e pedidos que os clientes reais ou potenciais me fazem e, se alguém encontra mensagens minhas antigas, ou ouviu mihas primeiras palestras, vai ver soleníssimos arranca-rabos em que me meti com clientes. Respostas azedas, carregadas de sarcasmo e indignação, do tipo "que você pensa que eu sou?"

Hoje, trabalho de outra forma. Quando me pedem um serviço, ou é do tipo que eu faço (tradução financeira do inglês para o português, por exemplo) ou não. Se não for coisa que eu faça, vou logo dizendo que "não presto esse serviço". Posso, eventualmente, recomendar quem preste. Se eu prestar o serviço, passamos ao binômio preço e prazo. Se entrarmos num acordo, ótimo. Se não entrarmos, não vamos brigar. Não tenho mais paciência para fazer discurso, do tipo "sou um profissional competente e sei dar valor ao meu serviço e tal e coisa". Aliás, aposentei o caixotinho em que subia para deitar falação.

Um comentário:

Raquel Schaitza disse...

Danilo,
Em grande parte por prestar atenção a comentários teus ao longo de mais de 10 anos, também aposentei o caixotinho que eu tinha trazido lá do Hyde Park! :-) Parti para o "less is more". Para cada situação, tento arranjar uma frase firme e gentil, mas do tipo "corta papo". E adotei a técnica da resistência passiva da nossa amiga comum, Eliana Stabile: eu respondo "A". O cliente não gosta e insiste. Eu respondo "A" de novo, só mudando um pouco o tom de voz. Nova insistência. "A" outra vez. E assim vamos, eu eternamente gentil e educada, mas quase perguntando "que parte do "A" o Sr. ainda não entendeu". Não mudo para "B" nunca, porque percebi, com o tempo, que mudar para "B" abre espaço para mais um monte de argumentos que vão me empurrar para o "C" etc e tal. Beijo e até a próxima. Raquel