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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Classe desunida!

Já participei da direção de entidade de classe e sei como é complicado achar um denominador comum, uma causa que empolgue a categoria como um todo. Cada grupo está voltado para solução de seus problemas particulares, o que não é de admirar.

O pessoal que trabalha para as editoras, por exemplo, fica indignado com a história da remuneração que, segundo eles (mas não segundo as editoras) só inclui o serviço prestado, mas não os direitos autorais e fica surpreso de que a classe, como um todo não se revolte contra a situação. Gente como eu, por outro lado, se preocupa com os descontos por repetição e semelhança exigidos por grande parte das agências, problema momentoso para nós, mas ignorado pela maioria dos outros tradutores, muitos dos quais mal entendem do que estamos falando, porque nunca viu um "85% match", não sabe o que é nem tem a menor vontade de aprender, porque tem lá seus problemas a resolver. A turma da dublagem e legendagem deve ter também lá seus problemas, que desconheço.

Isso é normal. Cada um de nós procura resolver primeiro seus próprios problemas e os problemas do seu grupo, para depois pensar nos problemas do vizinho. Não me surpreende. O que me surpreende é a expectativa de que "alguém" faça alguma coisa e a reclamação de que "ninguém" faz nada. Na verdade, quem tem que fazer alguma coisa é aquela pessoa que você vê no espelho. Se cada um de nós, em vez de reclamar que "alguém" precisa fazer alguma coisa, começar a fazer alguma coisa, lucramos todos.

A pergunta que devemos fazer a nós próprios, todos os dias, antes de deitar, é: o que eu fiz pela minha profissão hoje? Não faz mal que seja somente pelo meu grupinho particular. Mas cada um de nós tem que fazer alguma coisa. "Alguém" tem que fazer alguma coisa e meu nome é "Alguém".

Já disse a mesma coisa outras vezes. Mas nunca é demais repetir.

3 comentários:

Felipe disse...

Danilo, escrever no blog, pra mim, é um começo de reação, no entanto não atinge muita gente. O que deveriamos fazer, então? Ir às ruas? Exigir a regulamentação da profissão? Essa questão, da regulamentação, pra mim é problemática, porque alguns tradutores não possuem diploma, não que seja um fator determinante, mas, ainda assim, como criar tais regras? Acho que o primeiro passo seria o reconhecimento da profissão, seguindo o exemplo contrário do que aconteceu com o jornalismo, e, também, a conscientização popular de que somos importantes para todos, tanto quanto um professor ou médico, para que assim possamos pensar em nos mexer definitivamente.

Danilo Nogueira disse...

O que eu penso da regulamentação, já disse muitas vezes, uma delas aqui.

http://www.tradutorprofissional.com/2007/08/regulamentao-da-profisso-de-tradutor.html

Desculpe discordar, mas acho essa história de regulamentação uma perda de tempo infinda. Principalmente de interesse das faculdades, mas de nenhum interesse para a classe. A mim não afeta em nada: aposentado, trabalhando muito pouco, mais por diversão do que por necessidade, quase 40 anos de profissão, não me afeta. Mas dá pena ver quanta gente boa fica pensando que a regulamentação da profissão vai ser a salvação da lavoura.

Clica lá no link e divirta-se. Comente, depois, se quiser.

Aliás, se não ter diploma fosse fator impeditivo, eu estava fora. Nem o curso médio completei.

denise disse...

"O pessoal que trabalha para as editoras, por exemplo, fica indignado com a história da remuneração que, segundo eles (mas não segundo as editoras) só inclui o serviço prestado, mas não os direitos autorais" - não me inclua nesse "o pessoal"! ;-)
é um argumento complicado, em que a alegação é que o tradutor supostamente teria de ganhar pelos dois lados: retribuição pelos direitos autorais por ser autor da tradução, e pagamento por ser prestação de serviços, no sentido de que é a editora que determina qual o livro a ser traduzido, e portanto vc estaria prestando um serviço. acho um raciocínio especioso, ou eu que não entendi direito e nunca encontrei quem me explicasse de uma maneira que eu entendesse.

em todo caso, imagine você tentando cobrar da agência ou do seu cliente uma dupla tarifa: por prestação de serviço e por direito autoral. pessoalmente, de todos os tradutores com quem tenho mais contato, nenhum concorda com essa posição de duplo pagamento. não que eu tenha contato com muitos, mas só sei que não sei quem são esses "eles"...