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terça-feira, 9 de janeiro de 2007

PDF, o final, creio eu

Vou terminar aqui a novela do pdf, para depois ficar só com a novela dos pagamentos no exterior. Escrever duas novelas ao mesmo tempo é complicado demais.

O Ewandro deixou um comentário muito interessante, para o último post. Recomendo ler, porém, não se esqueçam que os pdfs podem ser criados de mil maneiras diferentes e que o programa que aparentemente fez um milagre com um deles pode criar problemas terríveis com outro arquivo, aparentemente até mais simples. Quer dizer, despedefação não é ciência exata.

Mas o foco deste artigo está não na despedefação, mas sim nos casos em que o cliente diz “dá para entregar no pdf?” Esse é um pedido muito perigoso, que o cliente às vezes faz de ingênuo, às vezes de sabido.

Vamos por partes: em primeiro lugar, criar um pdf é fácil. Há várias maneiras, uma delas sendo instalar um Open Office, que é grátis e faz a conversão facilmente. O problema está em que quando o cliente diz pede entrega no pdf, está pedindo para você diagramar tudo como estava no original e, como eu disse no primeiro artigo desta série, geralmente se usa pdf para diagramações endiabradas.

Diagramações endiabradas no Word são difíceis, muito difíceis. Arquivos Word com diagramação complexa são enormes e instáveis e, quando convertidos em pdf, podem dar resultados inesperados. Na verdade, se é para pedefar, o correto é primeiro tratar o texto em um programa de editoração eletrônica, como o PageMaker ou o InDesign. São programas extraordinários, que custam caro e cujo manejo não se aprende de um dia para o outro.

Recuperar as imagens que o original possa ter, para recolocar na tradução, é outra tarefa que pode variar de muito simples a impossível. E você vai precisar das fontes que o cliente usou no original, que podem ser raras e caras. Quer dizer, é um trabalho que exige habilidades e, muitas vezes, também recursos especiais, que não estão disponíveis para todos nós.

Além disso, na maior parte das vezes, é um trabalho que toma muito tempo e, portanto, precisa ser cobrado separadamente. Em outras palavras, ou você aprende a usar PageMaker, InDesign, Adobe Illustrator e coisas que tais ou a aprende a dizer “não” para esses serviços.

Um comentário:

Rafael Cavalcanti disse...

A questão toda é que eles estão pagando por uma tradução, e não pelo serviço de diagramação. Da mesma forma que um arquiteto não chega a factualmente construir com as próprias mãos o prédio que ele projeta, um tradutor não deve ser obrigado a diagramar um documento - nossa função se restringe a passar a informação de uma língua à outra.

Se o cliente não quer que a diagramação do documento seja alterada, tudo bem: que ele providencie as condições para tal. Esse negócio de "se vira aí com o documento" não pode continuar desse jeito. Existem profissionais para fazer esse serviço. Logo, o tradutor não pode se prestar ao desserviço de fazê-lo de graça e - pior ainda! - mal-feito.