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quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Preços

Duas vezes por semana me escreve alguém perguntando quanto deve cobrar pelos seus serviços de tradução. A resposta mais precisa que posso dar é não sei e, se soubesse, não ia assumir a responsabilidade de dizer. Posso dizer quanto eu cobro, isso sim. Entre outras coisas, porque não é segredo.

Posso dizer quanto andaram me oferecendo nos últimos tempos, para orientação de todos. Posso dizer uma porção de outras coisas, mas não posso dizer quanto você deve cobrar. Preço é uma questão estratégica e não me sinto em condições de dizer para você qual deve ser a sua estratégia.

Talvez deva começar pelo princípio.

Minha unidade de cobrança é a palavra do original. Já disse isso quando comecei a escrever o blog, mas talvez você não tenha lido. Acho mais prático, porque, dessa forma, o cliente já sabe quanto vai pagar quando me manda o serviço e não tem aquela história do tudo isso, mas eram só cinco pagininhas! Além disso, é a praxe no mercado americano e inglês, onde tenho boa parte dos meus clientes.

Como sou veterano e tenho meu nome em tudo quanto é canto, recebo muitas ofertas de trabalho. Recuso muita coisa, muitas vezes porque são coisas que eu faria muito mal, como, por exemplo, tradução médica, que jamais aceito. No mais das vezes, entretanto rejeito por causa de preço, mesmo. Quando rejeito serviço, é sempre uma rejeição bem-educada. Há muitos anos deixei de dizer desaforos ao cliente do tipo quem você pensa que eu sou? A resposta é um por esse preço não vai dar: meu mínimo é X. Não chamo ninguém de ladrão, de explorador do trabalho alheio, nada disso. Só digo que não – e pronto.

O mínimo que me ofereceram, nos últimos doze meses, foi de 3 centavos de real por palavra, uma agência brasileira. Disseram que era serviço grande e tal, que no futuro haveria outros mais bem pagos, aquela conversa mole toda, mas não me interessou. Se eu estivesse com a corda no pescoço, teria aceitado? Não sei. Em épocas anteriores, tive momento de aceitar coisas a preço irrisório e também de rejeitar, na expectativa de que logo aparecesse algo de melhor.

Em retrospecto, poderia dizer que me saí melhor ao recusar os mal pagos, mas é algo que exige um tanto de coragem. Também é preciso lembrar que isso de mal pago e bem pago é relativo.

Mas disso vamos falar amanhã. Por hoje chega. Obrigado pela visita e volte sempre.

Um comentário:

Denise Durante disse...

Parabéns sobre os esclarecimentos relativos à tradução do termo "equity".
Talvez você pudesse acrescentar ao texto a expressão "brand equity". Encontrei-a em um texto sobre marketing. Ela poderia ser traduzida como "valor de marca"?

Obrigada