Mudamos para www.tradutorprofissional.com

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Equity, palavra enjoada

No Orkut, uma colega disse ter problemas com equity. Como, nos meus guardados, havia um velho artigo sobre o assunto, achei interessante atualizar e publicar aqui. Espero que vocês se divirtam. Aviso que não tenho guardados artigos sobre todas as palavras da língua inglesa nem me proponho a escrever sobre isso. Quem entende de palavras esquisitas é a Isa Mara Lando, não eu.

Origem e sentido fundamental

Equity tem a mesma origem latina que os nossos equidade, igual e quejandos. Mas igual (equal) e eqüitativo (equitable) são conceitos diferentes: Eqüitativo / equitable dá a idéia de uma igualdade moral, abstrata, ao passo que igual / equal pendem mais para o físico, concreto. Uma divisão in equal parts pode não ser equitable: dividir a comida em quantidades iguais para um adolescente em idade de crescimento e para um recém-nascido pode não ser lá muito eqüitativo, pelo menos se medirmos a eqüidade pelo apetite de cada um. O famoso poll tax da Margaret Thatcher, que tinha valor igual para todos os britânicos, foi considerado unequitable, porque onerava ricos e pobres com carga igual, quando seria de se esperar que os ricos pagassem mais impostos que os pobres. Quer dizer, de modo geral, equitable reflete o nosso eqüitativo.

Direito

No direito, a palavra teve um desenvolvimento especial. Os ingleses, no passado, se regiam exclusivamente pela common law, que previa penalidades pecuniárias para as transgressões da lei. Com o tempo, cada vez mais pessoas reclamaram que a common law não tratava de seus pleitos com justiça, quer dizer, afirmavam que a solução prevista na common law era unequitable. Para resolver esses problemas, o rei da Inglaterra começou a decidir in equity, quer dizer, de modo equitativo, embora em desacordo com a common law. Essas decisões aos poucos foram delegados ao chanceler e, posteriormente, a um conjunto de órgãos judiciais separado dos que decidiam pela common law. A esse grupo de órgãos se chama courts of equity, ou equity courts. O sistema de equity rege-se por máximas, uma das quais, equity will not suffer a wrong without a remedy explica muito bem do que se trata. Não há um termo português para essa acepção, porque nós temos um único sistema judicial. Para esta acepção, provavelmente o melhor é falar em equity mesmo.

Note que, num sentido técnico e estrito, law, legal, se referem a common law e statute law, mas não a equity e nem sempre é fácil perceber quando o autor usa under law no sentido genérico, que nos permite traduzir como conforme a lei, e quando usa no sentido específico de under common and statute law (not mentioning equity), o que nos obrigaria a dizer conforme a common law e conforme o direito positivo inglês, ou coisa que o valha.

O juiz brasileiro pode decidir por eqüidade, mas é outra coisa: não há no Brasil um sistema de eqüidade. Por isso, não recomendo chamar equity de eqïdade quando se trata do sistema judicial.

Quando se trata de um contrato a ser celebrado no Brasil e em português, é bom conversar com o cliente, para indicar o problema. Não que vá resolver muito, mas pelo menos por desencargo de consciência, ajuda. Há uma porção de equity isso e equitable aquilo em direito anglo-americano. Equity of redemption poderia ser direito do devedor hipotecário à remição liberatória. Aliás, remição com ç mesmo, de verdade. Mas nem sempre a coisa é simples e como definido pelo sistema jurídico de equity pode ser a única saída. Por exemplo, existe uma diferença entre equitable estate e legal estate e, na maioria dos casos, é mais sensato traduzir como direito de propriedade como definido pelos sistemas de common law e equity.

A common law prevê pagamentos em dinheiro, equity prevê outros tipos de remédio jurídico, o que, às vezes, pode sugir alguma coisa do tipo ressarcimentos monetários e outros remédios jurídicos cabíveis ou coisa que o valha, mas já estamos, aqui, entrando no campo da localização, que é terreno movediço.

Contabilidade e finanças

O sentido se estende a contabilidade e finanças: equity é uma participação, um quinhão, a parte justa de alguém em alguma coisa. Por exemplo, your equity in your home é o valor residual da sua casa, liquidado o financiamento ou seja, o que é seu e não do banco.

Em balanços mais antigos, assets se opõe muitas vezes a equities. Assim está numa edição do respeitadíssimo Accountants Handbook de 1950. Esses equities se dividem em creditors’ equity ou liabilities (passivo exigível) e owners’ equity (passivo não exigível, atualmente patrimônio líquido). Isto significava respectivamente as participações teóricas dos credores e dos proprietários no ativo da empresa, o que ficaria para cada um se o ativo fosse repartido eqüitativamente entre os dois grupos. Parece bom inglês, porque, a rigor, liability dá a idéia de algo de que devemos nos desencarregar, o que reflete bem a situação em relação aos credores, mas não a situação perante os acionistas. Os credores devem ser pagos, os acionistas não devem ser pagos. Mas o uso foi evoluindo e hoje liabilities substituiu o creditors’ equity e o lado direito do balanço se chama liabilities and shareholders’ equity. Isso quando não fica liabilities sozinho.

Então, equity, agora no singular, ficou sendo somente a parte inferior do lado direito do balanço, quer dizer, a que corresponde ao patrimônio dos acionistas, formalmente designado patrimônio líquido no Brasil. O nome formal mais comum, nos Estados Unidos, é shareholders’ equity ou owner’s equity

Por isso, equities são ações, ou seja, as participações que refletem esse patrimônio. No Reino Unido, equities são somente ações ordinárias; nos Estados Unidos, são todas. Um equity fund é um fundo mútuo que investe em ações, ou, como se diz normalmente, um fundo de ações. Equity financing é financiamento pela emissão de ações. Em outras palavras, quando uma empresa precisa de dinheiro, ou toma emprestado, aumentando seu passivo exigível (debt financing) ou emite ações, aumentando o capital (equity financing).

Por fim, temos o famoso equity method ou at equity. Isso significa, fundamentalmente, a apresentação de um investimento pelo seu valor patrimonial. Ou seja, refletindo a parte do patrimônio da empresa investida (aviso aos puristas: sim, usa-se empresa investida) que pertence ao investidor, em vez do valor pago pelo investimento.

Outros sentidos

Os sentidos de equity não param aí. Por exemplo, temos Actors’ Equity, uma organização de artistas que aparentemente combina sindicato com bolsa de trabalho, um sentido que não parece estar convenientemente dicionarizado. A meu ver, também está ligado à nota de justiça, já que essas organizações foram criadas para dar ao artista uma condição de trabalho mais justa.

Deu para entender?

Até amanhã – e sábado de manhã, no Maria Imaculada.

Aviso aos navegantes

Ontem, segunda-feira, o Blogger teve dor de barriga e a postagem de segunda acabou sendo feita na terça-feira. Faz parte.

Troco miúdo

Resposta a um pedido de informações da Stela Machado

A Stela Machado comenta aí em baixo:

Danilo, preciso de uma favor: você poderia passar para mim/nós o endereço daquela site que publica textos maravilhosos de tradutores do mundo inteiro e no qual vc colabora? Não consigo lembrar o nome. Estava nos favoritos, mas houve um problema de congestionamento no HD, o PC travou e, qd consegui acessar, dias depois, os favoritos haviam sumido.

Te agradeço muito.

Stela Machado

Você está falando do Translation Journal, criação do Gabe Bokor, grande amigo de todos nós tradutores brasileiros (aliás, fala português perfeito e tem diplomas da Fundação Getúlio Vargas e da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo). Os artigos do TJ são copiados em toda a Internet, mas é lá que as coisas começam.

O futuro do blog

Criei este blog sem ter muita idéia de como se faz uma coisa dessas. Até hoje, estou indo meio de orelhada. Mas estou tentando aprender a fazer algo mais arrumadinho. O fim de semana passado passei um bom tempo lendo a ajuda do blogger.com, para ver se entendia umas coisinhas e parece que, lentamente, estão fazendo sentido. Pretendo introduzir boas mudanças nos próximos dias. Espero não estragar tudo. Parece que o número de visitantes cresce lenta mas seguramente. Às vezes, dependendo da quantidade de serviço, fica difícil escrever algo, mas me comprometi a postar todos os dias e, até agora, consegui, exceto no fim de semana em que operei a catarata e na semana do Natal, em que resolvi fazer feriado. Aliás, a outra catarata vai embora no sábado que vem, depois da palestra no Maria Imaculada. O pior é que vou estar de jejum para a cirurgia e vou ter de falar uma hora e meia sem tomar água. Maldade!

Vida complicada, esta.

Equity e otherwise

Hoje uma colega disse que tinha horror à palavra equity e me lembrei que tenho um escrito já antigo sobre essa palavrinha complicada. Estou atualizando o arquivo, para postar ainda esta semana. Na semana que vem, vou ver se consigo atualizar e postar um outro que tenho sobre otherwise.

Morro de curiosidade por saber...

... quem são os colegas do Japão que têm acessado o blog. Todo dia, vejo um mapinha que diz onde estão as pessoas que acessam o blog. Frequentemente tem gente do Japão.

Por hoje, é só. Volte amanhã, que tem mais.


domingo, 14 de janeiro de 2007

Tradução automatizada

Na tradução automática, o computador traduz sozinho. A expectativa era, há anos, de que o operador escolhesse um texto, indicasse ao computador as línguas de partida e de chegada, mandasse processar e fosse tomar um café. Quando voltasse, estaria tudo prontinho. O operador nem precisaria saber línguas: um chinês monoglota poderia tranquilamente, num dia de trabalho, traduzir um livro do russo para o japonês e outro do turco para o esquimó.

Não deu muito certo, pelo menos até agora.

O que se usa, mesmo, de fato, é tradução assistida por computador, quer dizer Trados, Wordfast, DéjàVu ou StarTransit, que, embora não traduzam nada, ajudam muito na tarefa de traduzir.

A tradução automática sempre foi o sonho de todos. Quer dizer, todos, menos os tradutores, para os quais é um pesadelo, porque – dizem – seria a morte de nossa profissão.

Há muitos mal-entendidos sobre tradução automatizada. Vamos ver se consigo lançar alguma luz sobre essa história toda.

Os tradutores eletrônicos que você encontra por aí são meros brinquedos e é muita safadeza disponibilizar para os incautos como se fossem programas sérios. Usá-los como prova de que tradução automática é impossível, por outro lado, é muita ingenuidade, porque há programas bem melhores no mercado, mas custam bom dinheiro. Alguns já sabem lidar com português, a maioria está melhorando, há até uns que fazem traduçõezinhas razoáveis, embora nenhum ainda esteja pronto para produzir uma tradução aceitável sem ajuda humana. Não sei se algum dia algum haverá algum que nos dispense.

Mas, bons ou mais, todos esses programas têm limitações. Não é este o lugar para fazer uma análise profunda dessas limitações. Grosso modo, pode-se dizer que aquilo que o um bom tradutor humano faz com facilidade, elas também fazem e fazem muito rapidamente: frases curtas, com pouca polissemia, pouca ambigüidade, poucas imagens e metáforas, sem desvios da norma culta, sem complexidades sintáticas, sem termos raros ou inovações terminológicas.

À medida que o texto vai se afastando dessas características de simplicidade, fica pior a tradução automática. Se tiverem de enfrentar, por exemplo, um parecer jurídico escrito por um advogado brasileiro, vão produzir um texto ainda mais terrível que o original, se parece possível.

Por isso, algumas empresas estão começando a usar redação controlada, quer dizer, fazer seus redatores escreverem de acordo com certos parâmetros que facilitam automatizar a tradução. Nem sempre é fácil conseguir que o especialista se acomode às regras e, portanto, surge a figura do “pré-tradutor”, um ser humano que adapta os textos às exigências do programa de tradução automatizada. Mesmo assim, a tradução não é perfeita e precisa de uma “pós-tradução”, também humana. E, claro, os bancos de dados e algoritmos dos programa precisam ser atualizados constantemente, também por seres humanos.

O processo que envolve pré- e pós- tradução é caro, mas pode dar um bom lucro quando um mesmo texto precisa ser traduzido para várias línguas: o custo da pré-tradução é dividido por várias línguas e, mesmo somado ao custo da tradução automática e ao custo da pós-tradução, ainda fica mais barato que o da tradução humana, sobre ser mais rápido. Entretanto, é inaplicável quando se trata de um texto a ser traduzido para uma língua só.

O que se pode deduzir de tudo isso? Em primeiro lugar, até um agnóstico empedernido como eu sabe que o futuro a Deus pertence: predizer o que vai acontecer é tarefa até que interessante, mas as previsões não são muito seguras. Ainda me lembro do que se dizia, na minha infância, sobre como ia ser o ano 2000. Chegou e passou o tal do ano e não é nada como diziam que ia ser. Porém, há umas tantas coisas que já estão emergindo como verdades agora e que merecem comentário.

Entretanto este artigo já está ficando longo demais e vou parar por aqui. Como assunto é importante e não se esgotou, vou voltar a ele daqui a uns dois ou três dias.

Obrigado pela visita e volte amanhã, que tem mais, provavelmente sobre dicionários, de novo. Se estiver em SP no sábado agora, dê um pulo no Colégio Maria Imaculada, perdo do Metrô Paraíso, para o enveto de férias da SBS.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Alguém pode me recomendar um bom dicionário?

Do ponto de vista do tradutor, além da divisão fundamental entre dicionários monolíngües e bilíngües, existe a distinção, igualmente fundamental, entre dicionários de língua de partida e dicionários de língua de chegada.

Vamos partir do genérico para o específico, que fica mais fácil. Se você traduz do inglês para o português, o que é um “bom dicionário” vai ajudar muito pouco nas traduções do português para o inglês. Por exemplo, se o inglês for a língua de partida, é melhor usar um dicionário tão completo quanto possível, um Merriam Webster III, um American Heritage, um Oxford English Dictionary, por exemplo. Nenhum desses três dicionários é suficiente quando você traduz do português para o inglês, mesmo que o inglês seja sua língua nativa. Na tradução para o inglês, a idéia é usar, em lugar deles, ou, de preferência, antes deles, aquelas obras para "advanced learners", publicadas pela Longman, Collins ou pela Oxford University Press. Com a riqueza de exemplos e explicações, são eles que nos ajudam a achar a construção mais apropriada para cada caso.

Se você traduz do inglês para o português, a coisa encrespa, porque não temos dicionários para “estudantes de português em nível avançado”. Mas a gente sempre pode suplementar o Houaiss e o Aurélio com os dicionários do Francisco Fernandes, que, embora antiquados, contêm informações fundamentais sobre verbos, substantivos e seus regimes. Se você não encontrar nas livrarias, procure nos sebos. Você conhece o Estante Virtual? Clique no nome e pesquise em vários sebos ao mesmo tempo. Existe, também, um lendário dicionário de regimes de verbos do Francisco da Silva Borba, mas não encontro de modo algum. Do mesmo Borba, entretanto, há um interessante e útil Dicionário de Usos do Português do Brasil, que me tem ajudado em várias situações.

Por hoje é só, que este assunto não tem fim. Volte amanhã, que tem mais, porém não deixe de ler o Você faz “versão" aqui abaixo e o ver o convite para o evento grátis de sábado que vem. Obrigado pela visita.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Você faz versão?

Tradicionalmente, no Brasil, “versão” é uma tradução do português para uma língua estrangeira. Confesso que não gosto do nome, mas é tradicional e não deixa de ser útil.

Escrever uma língua estrangeira é muito fácil. Escrever uma língua estrangeira direito é mais difícil. Escrever “sem sotaque” é quase impossível. Existe gente que é capaz de escrever “sem sotaque” em algumas áreas muito restritas, mas o número de pessoas que é igualmente proficiente em duas línguas é muito exíguo, muito menor do que o número de pessoas que se considera capaz de escrever duas línguas “sem sotaque”.

Problema grave, não? Principalmente porque o número de falantes nativos de outras línguas que sabe português o suficiente para fazer uma tradução que presta para suas próprias línguas também é muito pequeno. Isso significa que muitas traduções para línguas estrangeiras têm de ficar na mão de brasileiros, mesmo, não tem saída. Então, para muitos de nós, a solução é só uma: aprender a traduzir “ida-e-volta”.

Digo mais: andei raciocinando sobre essa história toda e cheguei à conclusão de que traduzir para uma determinada língua é um exercício importantíssimo para quem quer aprender a traduzir dessa língua. Quer dizer, traduzir do português para o inglês é um excelente exercício para quem quer aprende a traduzir do inglês para o português. Não estou dizendo nenhuma novidade, mas, de vez em quando, é útil voltar um pouco às raízes e reafirmar coisas que a gente sempre soube serem verdade.

Não sei se você sabia, mas a semana que vem a SBS vai promover um encontro para tradutores e professores e eu fui escalado para falar no sábado de manhã, dia vinte. Assunto? Como aproveitei minha experiência de traduzir para o inglês para melhorar minhas traduções para o português e vice-versa. É grátis, com direito a lanchinho. No Colégio Maria Imaculada, no Paraíso em São Paulo. As informações completas estão aqui. Vá lá e clique em no link para o 7º encontro de férias. Entre outras coisas, como de hábito, vamos falar mal dos ausentes e você não quer ser vítima de nossa língua, não é?

Falta lembrar que o mercado paga mais para as "versões" que para as traduções. Se e quando o diferencial vale a pena ou não é outra conversa, que fica para amanhã.

Por hoje é só e muito obrigado pela visita. Nos vemos no Maria Imaculada?

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Troco miúdo: respostas, comentários, etc.

Para Jeovane Cazer, que postou um comentário aí em baixo. "Cadastrar-se como autônomo ... porque uma agência...exige nota fiscal"? Antes é bom ler, atentamente, o que a Vera e eu escrevemos aqui, para não fazer o que não deve.

O Ewandro, que não tem a mais remota responsabilidade pelas coisas que eu digo aqui, me mandou algumas informações preciosas, as quais vou combinar o que já eu já sabia e, em algum momento da semana que vem, iniciar uma novela sobre tributação.

Por hoje é só. Amanhã tem mais. Espero que vocês estejam se divertindo tanto quanto eu.

Trabalhar para o exterior (5) – mais sobre recebimento

A novela do recebimento andava suspensa, mas volta ao ar.

Uma boa coisa é ter uma conta no exterior, por exemplo nos EUA. Se tiver a chance, abra uma. É cada vez mais difícil, mas, se você for até lá e tiver um conhecido que te leve ao banco dele e tal, talvez consiga. Não há nada de ilegal em ter uma conta no exterior, desde que você inclua em sua declaração de bens que faz parte da declaração de rendimentos. Antes de abrir investigue que tipo de cartão magnético o banco te dá. De modo geral, com um cartão magnético, você saca dinheiro de sua conta americana nos caixas automáticos do Banco 24 Horas, aqui no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, sem o mais leve problema. O problema, claro, está em abrir a conta. Se você tiver a conta, o cliente manda o seu cheque diretamente para o banco, que faz a compensação e credita a sua conta. A maioria dos bancos americanos cobra uma taxa de administração se o saldo médio cair abaixo de um certo valor. Então, para deixar 50 dólares por lá, não vale a pena.

Muitas agências atualmente pagam via Paypal. Paypal cobra taxa, um pouco menos de 4%, mas é seguro e simples. Para pequenos valores, não tem igual. Ótimo, por exemplo, quando você quer pagar 5 dólares que deve a um amigo em algum lugar do mundo. É possível transferir valores de sua conta Paypal para sua conta corrente bancária em vários lugares do mundo, mas não no Brasil, o que é a maior água no chope. Te mandam um cheque, se você quiser e estiver disposto a pagar a taxa de 11 dólares. Mas aí você fica com o cheque e não adiantou nada ter Paypal. Quer dizer, precisa ter Paypal e conta lá. Se não tiver, só pode usar Paypal para pagar compra no eBay e outros lugares onde for aceito. Há uma que outra empresa que compra créditos de PayPal. De vez em quando, aparece. Mas pagam um deságio de mais de 10%.

Também tem o iKobo. Eles te dão um cartão magnético, que permite sacar da sua conta em qualquer caixa eletrônico. O problema é o cliente aceitar pagar via iKobo. Tem também a Western Union, mas o problema é o mesmo: precisa ver se o cliente topa. Do lado do cliente, nem iKobo nem WU são convenientes, que não vou discutir aqui. Se o cliente topar, topou; se não topar, de que adianta minha discussão?

Por fim, alguns bancos compram cheques em moeda estrangeira. São poucos e quem comprava ontem pode não comprar hoje, mas voltar a comprar amanhã. Dá trabalho, porque você precisa sair de casa para ir ao banco negociar o cheque. E tempo é dinheiro. Uma tarde para ir ao banco, custa o que você teria ganho traduzindo. Pense nisso.

Por fim, é bom ficar de olho nos encargos. Todos esses serviços cobram alguma coisa e, quando se troca moeda, é bom ver qual é a taxa de câmbio aplicada. Um encargozinho de cá, uma comissãozinha de lá, uma tarifinha mais adiante e uma taxa de câmbio assustadoramente baixa, para um dólar que já anda meio capenga – e lá se vai nosso rico dinheirinho. Tudo isso deve ser levado em conta antes de aceitar um servicinho a cinco centavinhos de dólar por palavra.

Trabalhar para o exterior (5) – mais sobre recebimento

A novela do recebimento andava suspensa, mas volta ao ar.

Uma boa coisa é ter uma conta no exterior, por exemplo nos EUA. Se tiver a chance, abra uma. É cada vez mais difícil, mas, se você for até lá e tiver um conhecido que te leve ao banco dele e tal, talvez consiga. Não há nada de ilegal em ter uma conta no exterior, desde que você inclua em sua declaração de bens que faz parte da declaração de rendimentos. Antes de abrir investigue que tipo de cartão magnético o banco te dá. De modo geral, com um cartão magnético, você saca dinheiro de sua conta americana nos caixas automáticos do Banco 24 Horas, aqui no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, sem o mais leve problema. O problema, claro, está em abrir a conta. Se você tiver a conta, o cliente manda o seu cheque diretamente para o banco, que faz a compensação e credita a sua conta. A maioria dos bancos americanos cobra uma taxa de administração se o saldo médio cair abaixo de um certo valor. Então, para deixar 50 dólares por lá, não vale a pena.

Muitas agências atualmente pagam via Paypal. Paypal cobra taxa, um pouco menos de 4%, mas é seguro e simples. Para pequenos valores, não tem igual. Ótimo, por exemplo, quando você quer pagar 5 dólares que deve a um amigo em algum lugar do mundo. É possível transferir valores de sua conta Paypal para sua conta corrente bancária em vários lugares do mundo, mas não no Brasil, o que é a maior água no chope. Te mandam um cheque, se você quiser e estiver disposto a pagar a taxa de 11 dólares. Mas aí você fica com o cheque e não adiantou nada ter Paypal. Quer dizer, precisa ter Paypal e conta lá. Se não tiver, só pode usar Paypal para pagar compra no eBay e outros lugares onde for aceito. Há uma que outra empresa que compra créditos de PayPal. De vez em quando, aparece. Mas pagam um deságio de mais de 10%.

Também tem o iKobo. Eles te dão um cartão magnético, que permite sacar da sua conta em qualquer caixa eletrônico. O problema é o cliente aceitar pagar via iKobo. Tem também a Western Union, mas o problema é o mesmo: precisa ver se o cliente topa. Do lado do cliente, nem iKobo nem WU são convenientes, que não vou discutir aqui. Se o cliente topar, topou; se não topar, de que adianta minha discussão?

Por fim, alguns bancos compram cheques em moeda estrangeira. São poucos e quem comprava ontem pode não comprar hoje, mas voltar a comprar amanhã. Dá trabalho, porque você precisa sair de casa para ir ao banco negociar o cheque. E tempo é dinheiro. Uma tarde para ir ao banco, custa o que você teria ganho traduzindo. Pense nisso.

Por fim, é bom ficar de olho nos encargos. Todos esses serviços cobram alguma coisa e, quando se troca moeda, é bom ver qual é a taxa de câmbio aplicada. Um encargozinho de cá, uma comissãozinha de lá, uma tarifinha mais adiante e uma taxa de câmbio assustadoramente baixa, para um dólar que já anda meio capenga – e lá se vai nosso rico dinheirinho. Tudo isso deve ser levado em conta antes de aceitar um servicinho a cinco centavinhos de dólar por palavra.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Vida de tradutor

Interrompo um pouco a novela dos pagamentos do exterior para contar uns causos, basicamente porque não tive tempo de organizar o capítulo final como queria. Mas ele vem, tenham certeza.

Portugês para "ambos os lados do Atlântico"

Então, me escreve um cliente pedindo uma tradução em português "elegante" que seja considerado bom em ambos os lados do Atlântico. Recusei o serviço. Conheço suficientemente bem as duas vertentes da língua para saber que é impossível escrever um texto institucional sobre finanças que seja considerado "elegante" e informativo em ambos os lados do oceano. A terminologia técnica é diferente, o estilo é diferente, até a ortografia é diferente. Ou você fala de "fatos" ou de "factos". Até meu celular, que me escrevia em luso, agora escreve em brasileiro.

Avisaram que estão procurando outro tradutor. Vem aí a famosa história do "se eu não fizer, alguém faz", que sempre me parece a mais fraca de todas as justificativas para fazer qualquer coisa. É provavelmente verdadeiro que não faltará quem faça. Mas isso não me preocupa. O importante, para mim, é que não sou eu quem vai fazer.

Pensamento do dia

Se todos os seus orçamentos estão sendo aceitos, você está cobrando menos do que devia.

A novela da tributação

Por sugestão de um leitor, iniciei a novela sobre como receber pagamentos do exterior. Vem o Ewandro e puxa a conversa da tributação dos nossos serviços, que já é outra coisa bem diferente, porém até mais importante. Estou mantendo uma correspondência com ele e discutindo certos pontos com meu contador (arrependido de me ter como cliente, mas isso é problema dele) e a próxima novela provavelmente vai ser sobre tributação. Preparem-se.

O blog em geral

O número de visitantes do blog vai aumentando paulatinamente. De vez em quando, dá um salto, depois baixa, mas, quando baixa, é sempre para um nível um pouco mais alto que antes. Fico muito contente com isso. Tenho tentado fazer um blog sobre a profissão de tradutor, quer dizer, sobre tradução como modo de ganhar a vida, não sobre tradução vista como disciplina acadêmica ou empreendimento intelectual. Nada contra essas duas abordagens, mas achei que faltava algo sobre a profissão, mesmo. Por outro lado, procuro fazer um blog orientado para soluções. De choradeira e reclamação, já ando cheio.

Por hoje chega. Até amanhã e obrigado pela visita.























terça-feira, 9 de janeiro de 2007

PDF, o final, creio eu

Vou terminar aqui a novela do pdf, para depois ficar só com a novela dos pagamentos no exterior. Escrever duas novelas ao mesmo tempo é complicado demais.

O Ewandro deixou um comentário muito interessante, para o último post. Recomendo ler, porém, não se esqueçam que os pdfs podem ser criados de mil maneiras diferentes e que o programa que aparentemente fez um milagre com um deles pode criar problemas terríveis com outro arquivo, aparentemente até mais simples. Quer dizer, despedefação não é ciência exata.

Mas o foco deste artigo está não na despedefação, mas sim nos casos em que o cliente diz “dá para entregar no pdf?” Esse é um pedido muito perigoso, que o cliente às vezes faz de ingênuo, às vezes de sabido.

Vamos por partes: em primeiro lugar, criar um pdf é fácil. Há várias maneiras, uma delas sendo instalar um Open Office, que é grátis e faz a conversão facilmente. O problema está em que quando o cliente diz pede entrega no pdf, está pedindo para você diagramar tudo como estava no original e, como eu disse no primeiro artigo desta série, geralmente se usa pdf para diagramações endiabradas.

Diagramações endiabradas no Word são difíceis, muito difíceis. Arquivos Word com diagramação complexa são enormes e instáveis e, quando convertidos em pdf, podem dar resultados inesperados. Na verdade, se é para pedefar, o correto é primeiro tratar o texto em um programa de editoração eletrônica, como o PageMaker ou o InDesign. São programas extraordinários, que custam caro e cujo manejo não se aprende de um dia para o outro.

Recuperar as imagens que o original possa ter, para recolocar na tradução, é outra tarefa que pode variar de muito simples a impossível. E você vai precisar das fontes que o cliente usou no original, que podem ser raras e caras. Quer dizer, é um trabalho que exige habilidades e, muitas vezes, também recursos especiais, que não estão disponíveis para todos nós.

Além disso, na maior parte das vezes, é um trabalho que toma muito tempo e, portanto, precisa ser cobrado separadamente. Em outras palavras, ou você aprende a usar PageMaker, InDesign, Adobe Illustrator e coisas que tais ou a aprende a dizer “não” para esses serviços.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

PDF (2)

Continuando a novela do pdf, vamos conversar um pouco sobre o que se chama despedefação, quer dizer, o trabalho inglório de transformar um arquivo pdf em arquivo word.

Caso 1: arquivo pdf de texto, sem proteção por senha

Se você tiver sorte, é só abrir o arquivo no Reader, depois

  • View > Page Layout > Continuous
  • Select > All
  • Edit > Copy
  • Abra um documento novo em Word e cole o texto (Ctrl V)

Se o texto aparecer e estiver legível, ótimo: você pode passar à segunda fase. Caso não apareça, as soluções (nenhuma muito boa) estão mais abaixo.

A segunda fase é baixar o +Tools do site do Wordfast. É grátis e não tem nada que ver com o WFast propriamente dito. Instale, abra o documento que você criou com o texto copiado do AcrobatReader e

  • Tools > Cnv > Recreate paragraphs in current document.

O +Tools dá uma arrumada bonita no documento, embora nem sempre resolva tudo. É comum sobrar algo para ajeitar a unha. Pdf é uma desgraça.

Caso 2: arquivo pdf protegido por senha

Se o arquivo estiver protegido por senha, o Reader não vai permitir seleção. Nesse caso, o que resolve é um aplicativo da Elcomsoft, que você compra via Internet. Rápido e fácil de usar. Um dos meus melhores investimentos. Desprotege o arquivo em menos de um minuto. Aí, normalmente, você fica com um arquivo simples, que se enquadra no Caso 1.

Caso 3: arquivo em forma de imagem

Alguns arquivos, embora somente contenham texto, foram gravados como imagem. Por que alguém faz uma coisa dessas, é coisa difícil de explicar. O fato é que se o arquivo está como imagem, você pode copiar to Reader e colar no Word, mas só vai sair lixo. Nesse caso, a única saída é reconhecimento ótico, quer dizer, digitalização do texto. Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário um scanner para isso: os programas atuais "enganam" o computador, fazendo a digitalização diretamente a partir do pdf. Os melhores são o OmniPage e o FineReader, da Abby, ambos facilmente encontráveis mediante consulta ao Google. Aprenda a ler direto do pdf, em vez de imprimir e passar pelo scanner. A qualidade do resultado varia de magnífica a muito má, dependendo de mil fatores que não posso discutir aqui.

Caso 4: arquivo protegido e em forma de imagem

Às vezes, o arquivo vem em forma de imagem e ainda protegido por senha, caso em que é necessário primeiro desproteger e depois digitalizar.

Até a próxima!

No próximo artigo sobre pdf, provavelmente depois de amanhã, vamos falar da história de entregar no pdf. Por hoje é só. Amanhã, creio eu, voltamos à discussão dos trabalhos para o exterior. Espero que estas informações sejam úteis e que você visite o blog amanhã de novo.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Comentário em destaque

A Giovana Boselli mandou o comentário abaixo. Em vez de deixar entrar como comentário, como de hábito, preferi dar um destaque e uma resposta.

Parabéns pelo blog!

Meu comentário aqui é, na verdade, uma pergunta, embora tenha quase certeza de que acontecerá assim: você colocará aqui data e hora da aula aberta (grátis, sei lá, esqueci o nome agora) do Aulavox, né?

Explico: fiquei frustrada com a última que rolou, pois, no dia e hora da aula, fui toda feliz e contente ao site e dei de cara com o seguinte recado: "Esta aula foi adiada e ainda não há data definida para a próxima." Beleza, dei azar. Mas, o azar que deu raiva foi o segundo, pois recebi o comunicado da nova data somente depois que a aula já tinha rolado. No mesmo dia, mas umas 2 horas depois. Fiquei fula de raiva. Não sei se a falha foi do pessoal do Aulavox ou atraso de provedores.

Anyway, queria, de fato, poder participar da próxima!

Naquele dia, Giovana, houve um problema técnico. Não foi realmente culpa do pessoal do Aulavox, mas sim um daqueles desencontros de informações que lamentavelmente ocorrem. Ninguém ficou mais irritado e frustrado que eu, pode ter certeza. O vexame foi discutido a saciedade e tomamos medidas de segurança para que o fato não se repita. Não estamos livres de acontecer de novo, porque, como você sabe, shit happens. Mas fizemos tudo o que estava em nossas forças para que não sucedesse outra vez.

Aproveito para dar duas outras informações que creio importantes.

Primeiro, que, doravante, como os cursos pagos são promovidos por mim próprio, assumo, pessoalmente, o compromisso de apresentar o curso mesmo que haja somente um inscrito. O curso será cancelado exclusivamente se vinte e quatro horas antes da hora marcada, não houver nenhum interessado ou naqueles casos clássicos de doença e tal. Quer dizer, vou esperar o máximo possível antes de cancelar.

Segundo, que vou ter de operar a minha outra catarata e isso pode resultar no adiamento de um dos cursos pagos. Por motivos que não cabe discutir aqui, minha cirurgia só pode ser feita no sábado e, mesmo que fosse feita de manhã, a gente passa o dia todo meio derrubado e não tem condições de dar treinamento. Só vou saber a data certa da cirurgia no dia 11 de janeiro e a nova data do curso vai ser postada aqui e no site Aulavox no dia seguinte, logo cedo.

Trados ou Wordfast?

Uma pergunta que sempre me fazem é se é melhor usar Trados ou Wordfast. Vou dar a minha opinião particular, que pode diferir do que pensam outros colegas.

Wordfast é muito mais barato, fácil de usar e eficientíssimo. Tudo aquilo que os dois fazem, Wordfast faz melhor que o Trados. Recebo das agências que atendo muitos arquivos para fazer “em Trados” e sempre faço em Wordfast, sem problema algum, porque é mais fácil e eficiente trabalhar em Wordfast. Como o marketing to Trados é muito forte, muitas agências, principalmente no exterior, nem desconfiam que existam opções e ficam muito surpresas de saber que é perfeitamente possível.

Mesmo as memórias criadas por um são facilmente exportadas para uso no outro.

O problema é que a Trados, para preservar seu mercado, criou algumas soluções que, se não ajudam muito o tradutor, impedem o uso do Wordfast.

Os dois problemas principais são os arquivos em formato .ttx, usados geralmente para traduzir arquivos PowerPoint e as memórias protegidas com senha.

É perfeitamente possível traduzir um .ppt usando Wordfast e ainda mandar uma memória Trados para a agência, mas se a agência te mandar o ttx e exigir um ttx de volta, ou você faz com Trados ou com DVX, porque o Wordfast só dá conta do recado com um bocado de prestidigitação que não se recomenda aos novatos.

Muitas vezes, as agências mandam uma memória de Trados para o tradutor. Conforme o formato da memória, dá para usar direto em Wordfast ou usar o Trados para exportar em formato que o Wordfast entenda. Se você não tiver um Trados, pode pedir a um colega que exporte para você. Mas, às vezes, as memórias são protegidas contra exportação e, aí, não tem jeito. Mas são casos raros.

Minha sugestão: comece com WF e vá construindo suas memórias e glossários. Se, depois, tiver uma oferta que valha a pena mas exija Trados, compre um Trados e divirta-se. Eu tinha um Trados, comprado muito antes de existir WordFast. Abandonei totalmente e deixei de atualizar. Um dia, me aparece um serviço de 8.500 dólares, que exigia Trados atualizado. Bom, aí a conversa é outra, certo?

Um aviso final: tanto Trados como Wordfast trabalham com todas as línguas que seu computador aceitar e forem escritas da esquerda para a direita. Nenhum dos dois traduz nada, mas ambos ajudam o tradutor a traduzir melhor e mais depressa. E, finalmente, ajudam a traduzir qualquer tipo de texto, técnico ou literário, desde que você tenha o texto em formato eletrônico. Temos, inclusive, colegas excelentes tradutoras que digitalizam livros inteiros para poder traduzir com Wordfast.

sábado, 6 de janeiro de 2007

EXTRA! EXTRA! EXTRA! Mil&Um Termos

Logo depois que eu postei os dois artigos abaixo, chegou o SEDEX com os meus exemplares da nova edição do Direito Societário, em nova edição revista, atualizada e aumentada.

Cursos e palestras, grátis, pagos, presenciais, a distância

A Editora SBS está promovendo um “Encontro de Férias”, no Colégio Maria Imaculada, junto ao metrô Paraíso, São Paulo. Grátis, com direito a lanchinho e tudo. Ninguém vai ficar te importunando para comprar livros. Tem muita coisa para professores, não só de inglês, mas os tradutores não foram esquecidos. Fui escalado para falar às oito da manhã de sábado, o que é um tanto de crueldade, mas isso faz parte da vida. Espero que apareça alguém para assistir.

Os eventos a distância Aulavox recomeçam agora. Vamos começar com cursos de Wordfast e Trados e, evidentemente, com mais uma Reunião na Sala 7. Os cursos de Wordfast e Trados são pagos, mas a Reunião na Sala 7 é grátis, embora exija inscrição prévia. Visite o site da Aulavox para entender melhor como funciona. Como os eventos são a distância, você pode participar não importa onde estiver. Acabou aquela história de dizer “na minha cidade não tem...” Na sua cidade tem, sim: Aulavox vai até lá e dá o recado. Meus eventos pela Aulavox agora aparecem sob o nome de Texto & Contexto, que, na verdade, é só um nome de fantasia para a firma que tenho de parceria com a Vera, casada comigo há quase 40 anos.

Se está em dúvida entre Trados e Wordfast, leia o artigo sobre o assunto que vou postar amanhã. Mas tem que ficar para amanhã, caso contrário vou ficar o dia inteiro escrevendo neste blog.

Trabalhar para o exterior (4) – Como receber o pagamento (continuação)

Vamos voltar ao assunto dos pagamentos.

Melhor do que o cheque, que é um pesadelo, se você não tiver conta no exterior, é a transferência eletrônica, que, tecnicamente, se chama “electronic funds transfer”, mas que, coloquialmente, muita gente ainda chama “wire”, porque, antigamente, era, de fato, uma transferência telegráfica. É muito mais rápido e chega, direitinho, à sua conta bancária, onde quer que ela seja.

Muitas agências se negam a fazer esse tipo de pagamento. Fora do Brasil, os cheques liquidados pelos bancos são devolvidos ao emitente. Isto significa que a agência (ou quem quer que esteja pagando) pode guardar os cheques carimbados “pago” pelo banco deles como recibo, para fins de controle interno. Estão tão acostumados com esse sistema, que relutam em usar os recibos fornecidos pelos bancos quando fazem transferências. Além disso, transferências eletrônicas custam dinheiro, entre 30 e 40 dólares, dependendo do banco e, por isso, só são viáveis para pagamentos de valores razoavelmente altos. Algumas agências somente fazem esse tipo de pagamento se você permitir que deduzam o custo da transferência do valor da tradução. Geralmente, vale a pena, porque o dinheiro pinga na sua conta, aqui no Brasil, rapidinho e sem que você tenha de levar mim papéis ao seu banco. Mas claro, se o serviço for de 100 dólares, não vale a pena. Para isso, há outras soluções, das quais vamos falar mais adiante. Desculpe a novela que estou fazendo dessa questão, mas, realmente, é complicado e não gosto de dar informações pela metade.

Antes que me esqueça, para fazer uma transferência dessas, o seu cliente precisa saber o código SWIFT do seu banco no Brasil, que o próprio banco vai informar a você. Os clientes americanos costumam pedir o “ABA number”, mas isso é coisa interna lá deles e às vezes precisa de um pouco de persistência para explicar que, por definição, só os bancos americanos têm. Os europeus costumam pedir o IBAN, mas, aqui também, é coisa interna lá deles. Internacionalmente, o que existe é SWIFT.

O Ewandro apareceu aí em baixo contando uma história de um cliente que pagou em quatro dias. Existem essas coisas, claro. Mas são a exceção, não a regra. A regra, nos EUA, Canadá e RU, é 30 dias; na Europa continental, de 60 para mais. Se seus clientes são mais rápidos, sorte sua.

Por hoje é só, mas a conversa não acabou.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Introdução ao pdf

Pdf significa portable document format e é um formato de arquivo desenvolvido pela Adobe, para facilitar a distribuição de material com formatação complexa. Imagine o seguinte: uma empresa manda preparar um catálogo magnífico, com uma formatação cuidadosa, cheio de figuras e tabelas, com fontes especiais e o que mais seja. Montar uma diagramação dessas em Word for Windows talvez seja possível, mas dá um trabalho danado e, quando se abre em outra máquina, menos poderosa, pode travar o sistema. Se o arquivo tiver fontes especiais, então, nem se fala.

Para isso, a Adobe inventou o pdf. Se você tem um arquivo louco, muito louco, preparado em QuarkExpress com todas as firulas que aquele programa permite, e converte em pdf, o arquivo abre que nem pára-quedas em qualquer máquina que tenha o AdobeReader, que é grátis, dispensando o QuarkExpress, que custa uma fábula. É essa a idéia.

Mas, para o tradutor, pdf pode ser um horror. Tanto que a gente muitas vezes chama arquivos fdp. Os problemas podem ser de dois tipos: problemas de tradução propriamente dita e problemas de entrega do serviço. Vamos cuidar de um tipo de cada vez. Primeiro, a tradução.

Se você for traduzir pelo método tradicional, quer dizer, com o texto impresso do lado do computador, uma régua para marcar onde você está e digitando tudo, não há problema. Muito ao contrário: imprimir pdf costuma ser muito fácil e os resultados normalmente são muito bons, com todos os gráficos no lugar e tal. A exeção são os pdfs formatados em tipo microscópico.

Acontece que cada vez mais usamos programas de tradução assistida por computador, quer dizer, as tais “memórias de tradução”. Então, nas listas de tradutores, aparece o colega que diz “peguei um trabalho em pdf, por favor, como posso traduzir pdf no Wordfast?”

É disso que vamos falar na continuação deste artigo. Por hoje é só, amanhã tem mais, sobre como receber dinheiro do exterior. Depois, no domingo, volto aos pdfs.

Até lá.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Aviso aos comentaristas e leitores em geral

O Ewandro, conhecido tradutor e intérprete de Brasília, deixou dois comentários, lá em baixo, bem nos primeiros posts do Blog. Os dois merecebem destaque e um comentário meu, que vai vir no fim de semana.

O Google tem um serviço que me diz quantas pessoas visitaram o blog e tem um mapinha dizendo onde essas pessoas estão. Esperava leitores do Brasil, talvez um que outro de Portugal e mais alguns dos EUA, Canadá e Reino Unido, se tanto. Surpreendi-me com leitores de países da Ásia e da escandinávia. Não tenho como saber quem são esses leitores (se tivesse, não iria investigar: o leitor tem todo o direito de permanecer anônimo), mas tenho curiosidade de saber quem anda lendo estas coisas, até para poder melhorar a qualidade dos artigos. Por isso, se você mandar um comentários, talvez pudesse dizer em que cidade ou país está. O contato é anônimo e eu não vou botar teu nome numa lista de spam. Não precisa dar seu e-mail, só dizer algo do tipo "estou em Xiririca, Estado de Tal". Ah, mais uma coisa, não precisa escrever português direito. Português de pé-quebrado também serve. Se quiser escrever em outra língua, porque não se sente bem escrevendo em inglês, tudo bem. Mas não exagere: comentários em vietnamita não dá para encarar.

Se quiser sugerir algum assunto, esteja à vontade. Não posso garantir que tenha uma boa resposta, mas vou ao menos tentar.

E obrigado por sua visita. Agora, aproveite para ler o artigo aqui abaixo.

Trabalhar para o exterior (4) – Como receber o pagamento

Receber pagamentos do exterior toma tempo e custa dinheiro. Tempo e dinheiro que, às vezes, tornam a transação proibitiva.

Primeiro que os prazos lá fora são mais longos que os nossos. Há países na Europa onde o prazo chega a noventa dias. Isso quando não há atraso. Então, é necessário ter paciência e recursos para agüentar o tranco. Considerando as taxas de juros do cheque especial ou cartão de crédito e no custo da transação, você vai ver que o valor real recebido pode ser bem menor do que você pensava.

A maioria das agências simplesmente emite um cheque em dólares ou euros e manda pelo correio. Os meus, sempre chegaram, mas podem demorar, porque a turma, realmente, não tem pressa. Um grande, grande, muito grande, banco americano enviava seus cheque por um "mass mailer" que trazia a correspondência de navio até a Venezuela, onde era posta no correio normal. Poupava dinheiro de postagem para o banco e, evidentemente, atrasava a entrega uma barbaridade.

Quando o cheque chega aqui é que a coisa encrespa. Doleiros e casas de câmbio geralmente não compram cheques, se é nisso que você estava pensando. O procedimento normal é depositar na sua conta bancária. Mas você não pode simplesmente passar no caixa automático do shopping e largar por lá. Tem que ir ao banco, falar com o pessoal que opera câmbio, preencher mil papéis e esperar a cobrança. Não existe compensação internacional. O cheque vai, via correio, de volta ao país de origem, onde um correspondente do seu banco apresenta o cheque ao banco sacado, para liquidação. Liquidado o cheque, o banco correspondente do seu credita a conta do seu banco lá fora, manda um aviso para cá e o seu banco credita a sua conta aqui. Entendeu? O problema é que o processo costuma demorar pelo menos 45 dias e o banco ainda cobra uns USD 45 pela transação. Para um serviço de, digamos, USD 450, isso significa 10% do total.

Há alternativas, que vou abordar a partir de sábado. Para variar um pouco, amanhã pretendo falar de arquivos pdf.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Aviso aos comentaristas

Uma comentarista perguntou se podia dar os seus pitacos, embora principiante. Claro que pode! Qualquer comentário relacionado com o que foi publicado aqui ou com a tradução é bem-vindo. Dou-me ao luxo de censurar qualquer coisas que infrinja a lei e, a meu exclusivo critério, o bom senso e as normas de boa educação.

O tradutor e a globalização (3)

Jamais trabalhe para uma empresa estrangeira sem um pedido formal, normalmente conhecido por Purchase Order, abreviado P.O. Há quem use outros nomes, mas P.O. é o mais freqüente. Esse documento descreve o que deve ser feito, como e quando vai ser entregue, bem como as condições de pagamento. Leia com atenção e peça para o cliente emendar se for o caso. Não existe nada “para constar” neste mundo, muito menos em um P.O. e o cliente vai exigir que você faça exatamente o que está no P.O.

Preste atenção especial ao horário. O cliente normalmente dá o horário de entrega de acordo com o fuso dele e as diferenças de fuso variam conforme a época do ano. O cliente europeu que te pede uma entrega EOB Thursday, quer uma entrega no fim do expediente dele na quinta-feira, que pode muito bem ser a hora do almoço no Brasil, durante o nosso inverno.

Note também que a maioria dos clientes estrangeiros não tem a mais remota idéia de quais sejam os nossos feriados e pode perfeitamente ligar no feriadão de sete de setembro, por exemplo. Se for americano ou canadense, é bem capaz de ligar em final de copa do mundo.

Terminado e entregue o serviço, envie sua fatura. Jamais envie Nota Fiscal nem RPA, que são documentos exclusivamente brasileiros. Normalmente, para o exterior, é melhor cobrar como pessoa física, mesmo que, no Brasil, você dê entrada no dinheiro como receita da pessoa jurídica.

Podem pedir que você assine algum documento atestando que não é residente nem domiciliado no país deles, o que é necessário para evitar a retenção de imposto de renda por lá.

Os americanos podem te pedir o SSN (Social Security Number) que você não tem nem vai requerer. Os europeus podem te pedir o VAT registration, que você também não tem nem vai requerer. Às vezes, é difícil explicar essas coisas para eles, mas isso faz parte.

Se quiser um modelo de fatura, escreva para danilo.tradutor@gmail.com e coloque, na linha de assunto M*O*D*E*L*O* *D*E* *F*A*T*U*R*A, assim, com asteriscos, para facilitar a identificação. Não vou ficar atormentando você com span nem nada dessas coisas. Mas vou ter uma idéia de quem se interessa por essas coisas, o que é importante para mim.

Por hoje é só. Amanhã tem mais.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Vida de tradutor

Reduzi a atividade entre natal e ano novo. Mas não foi fácil. Até no dia 30, apareceu um cliente com um pacote para revisar no fim de semana. A idéia era o tradutor traduzir no dia 31 e nós aqui (Vera e eu) revisarmos no dia 1º de janeiro. O tradutor se negou a traduzir antes de terça-feira, o que me poupou o trabalho de me negar a revisar na segunda. O cliente disse I understand, o que quer dizer não gostei, como você sabe. Devo receber o trabalho esta tarde.

Entretanto para tudo há um limite e, como eu sempre digo, a gente tem de aprender a dizer não. Em algum momento, a gente tem de parar e, cada vez mais, com Internet e telefonemas rápidos e baratos, os clientes acham que a gente está disponível dia e noite, 365 dias por ano. É preciso fazer alguma coisa e quem tem que fazer essa “alguma coisa” somos nós. Não é uma excelente resposta.

Agora, é voltar à vida normal, inclusive aos artigos diários para o blog. Aliás, se você tiver alguma sugestão, é só deixar um comentário a este artigo. Amanhã, volto à série sobre trabalho para clientes no exterior.

Um feliz ano novo para você e todos nós. Acho que merecemos.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Mensagem de Natal e Ano Novo

Não poderia faltar, não é? Escrevi o texto abaixo há muitos anos, como mensagem de natal para os colegas da trad-prt. Esqueci dele, até que me pediram permissão para publicar no PLData, o boletim da Divisão de Língua Portuguesa da ATA. Com duas ou três pequenas mudanças, republico aqui. São memórias de minha infância, coisas que eram verdade para mim entre 1948 e 1950, quando eu morava no Brás, um bairo pobre de São Paulo.

Meu mundo praticamente se restringia a uma quadra da Rua Campos Sales, entre Aristides Lobo e Martin Burchard, somada à casa de alguns parentes e ao Liceu Vera Cruz, na rua Piratininga. Éramos todos católicos, evidentemente. Minha mãe, até morrer, considerava o catolicismo como “a religião” e se referia a quem não fosse católico dizendo que “não é religioso”. Claro, tinha os protestantes, mas esses protestavam contra não sei o quê, os padres deles não se chamavam “padres” e ainda por cima se casavam, o que me parecia certo, mas era pecado, como o Padre Jesuíno ensinava no catecismo, mas protestante só tinha nos Estados Unidos. A dona Elvira freqüentava centro espírita, mas isso, na época, não era não ser católico: todo mundo era catolico e ela também. Espiritismo era um pouco de pimenta malagueta que a gente botava no catolicismo. Uns botavam sempre, outros só quando a situação parecia mais preta e exigia, digamos, remédios heróicos. Mas ir ao centro espírita não descaracterizava ninguém de católico.

Tinha também os turcos que não acreditavam em Deus mas tinham lá o deus deles, que se chamava Alá e tinha até uma música de carnaval meio antiga que falava dele. Mas turco só tinha em fita de cinema e eles eram diferentes, usavam camisola e turbante. Tinha também os judeus, mas esses só apareciam naquele filme terrível e horrível chamado o Rei dos Reis que passava na sexta-feira santa no Ideal, um cinema que tinha mais pulgas que espectadores e minha mãe me levava para ver e eu odiava porque era mal feito e chato. Só tinha um pedaço bom que era uma grossa pancadaria na frente duma igreja muito grande. Que Roy Rogers era bem melhor, lá isso era, mas na semana santa era pecado, então não tinha. Mas judeu também era um tipo de turco que também usava camisola e eu nunca tinha visto nenhum desses no Brás. Na verdade, judeu e turco só tinha mesmo no cinema e todo mundo sabe que cinema é tudo de mentirinha: tanto que a gente vê o filme de novo e o cara que tinha morrido tá vivo e dando tiro de montão. Então a gente, nesta época do ano, desejava feliz natal e feliz ano novo para todo mundo. E todo mundo ficava satisfeito. Não fazer isso era prova de grossa falta de educação.

Agora, mudou tudo e eu já não sei o que fazer. Uma porção de gente que eu conheço e de quem gosto não é católica. Eu mesmo me afastei da igreja há mais de 40 anos. Desejar feliz natal para judeu e islâmico é falta de cortesia e não é PC, apesar de que muitos dos meus amigos judeus acham graça e, piscando o olho, respondem com um sorriso quando se lhes pergunta qual o seu nome de batismo. Alguns dos meus vizinhos e meu carteiro são da Assembléia de Deus, que não comemora Natal, significando, entre outras coisas, que o Luis, que fielmente nos entrega montes de correspondência, jamais pede caixinha e a gente nunca sabe se, em dando, ofende o homem. Vida complicada, esta.

Então, a gente começa a desejar feliz ano novo. Mas os judeus têm seu próprio ano novo, os muçulmanos o deles e os chineses também – sem contar que os russos começam o deles algo mais tarde do que os ocidentais, pelo que são alvo de inúmeras piadas. O Maluf e tantos dos meus vizinhos do Paraíso eram melquitas. Alguém sabe quando os melquitas comemoram natal, se é que o comemoram? Que fazem um bom quibe, isso fazem. Lá sei eu como anda o ano novo dos armênios e dos eslobóvios, quando não seja por alguma tribo indígena obscura que tenha virado ícone da preservação cultural e para a qual tenham inventado algum festival de que os membros mais velhos da tribo, guardiões da tradição, nunca tenham ouvido falar. É uma seca isto, como dizia o Eça. Tem até uns exageros que me parecem demais. Conta-se do padre de Nanuque que se benzia dizendo “Em nome do Pai, do filho e de Minas Gerais”. Não sei se é verdade, mas é uma boa história. Chegamos ao amargo ponto em que desejar felicidades a alguém pode ser uma ofensa. Eu próprio acho que esse negócio de Natal e ano novo não tem nada a ver: a vida continua do mesmo jeito. E para mim, Natal ou João Pessoa é tudo o mesmo. Mas é como o domingo: eu não acho sagrado coisa nenhuma, mas se a gente tem de escolher um dia para descansar (ou cobrar taxa de urgência), então que seja o domingo. Não idolatro tradições, mas também não vejo motivo para acabar com elas a cacetadas só por serem tradições. Por isso, chega esta época do ano e a gente deseja felicidades aos amigos, mesmo aos que caírem de pau em cima de mim por algum incorreção política encontrada nesta mensagem.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

O tradutor e a globalização (2)

Este artigo é a continuação do anterior e faz parte de uma série que vai se estender ainda por alguns dias.

No princípio, a gente se atrapalha. Estamos tão acostumados a trabalhar pelo sistema brasileiro que muitas vezes pensamos que é o único sistema que existe, que em todo mundo é do mesmo jeito. Não, não é.

Talvez a primeira coisa a lembrar seja que os modos de medir o trabalho variam muito de um país para outro e que a praxe é cotar usando o método do cliente. Se o cliente pede uma cotação por palavra do original, não adianta cotar por lauda e adicionar uma longa explicação sobre o que possa eventualmente significar uma lauda, se é que alguém sabe direito.

Em seguida, é bom lembrar que, no mercado da América do Norte e Europa Ocidental, de modo geral cada um traduz para sua própria língua. Nesses mercados, é raríssimo alguém solicitar um trabalho do que aqui se chama "versão". Mesmo que você se considere muito bom de traduzir para o inglês, é melhor não oferecer o serviço, que pode pegar mal. Se oferecerem para você, a conversa é outra. Na China e na Índia a situação é diferente e uma agência chinesa é perfeitamente capaz de pedir a um tradutor brasileiro que traduza do turco para o búlgaro. O que a maioria delas quer é pagar pouco, só isso. Também é bom, antes de aceitar o serviço, ver se eles querem português europeu ou brasileiro.

Gostaria de falar agora um pouco sobre a importância do pedido para clientes estrangeiros, mas estou cansado demais para isso. Amanhã tem mais.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

O tradutor e a globalização

Este é o primeiro de uma série de artigos sobre a globalização de nosso mercado. Antigamente, o mercado era a cidade onde o tradutor morava. Raros, muito raros, eram os tradutores que tinham clientes em outra cidade. Na prática, havia tradutores em São Paulo e Rio. Esporadicamente em outras grandes metrópoles nacionais, como Porto Alegre e Belo Horizonte. Em Porto Alegre houve uma fase brilhante, na velha Globo da Rua da Praia, com Henrique Bertaso delegando a Erico Veríssimo a tarefa de fazer da intelectualidade porto-alegrense um grupo de grandes tradutores. Mas eram as exceções que confirmam a regra.

Fora do eixo São Paulo – Rio de Janeiro sempre houve os juramentados. Um que outro professor que fazia as vezes de tradutor quando necessário. Mas mesmo nos grandes centros, poucos eram os que viviam exclusivamente da tradução.

Em 1983, a Faculdade Ibero-americana (esse era o nome na época) promoveu um seminário de tradução e foi então que fiz minha primeira palestra sobre a profissão. Causei grande surpresa ao dizer a todos que vivia exclusivamente de tradução sem ser juramentado, sem ter vínculo empregatício com empresa alguma, sem ser intérprete, sem repassar serviço ao que eufemisticamente se chamava “colaboradores” e viver de comissões e, reforço, sem ter qualquer outra fonte de renda. Não era professor, jornalista, diplomata, aposentado nem tinha marido ou pai que me sustentassem. Era, simplesmente, um tradutor profissional. E já naquela época não trabalhava mais para editoras. E nunca tinha traduzido uma linha de literatura na vida. Um fenômeno.

Hoje há profissionais aos montes: não são poucas as mulheres e homens que sustentam família a custa de traduzir. Além disso, há profissionais espalhados por todo Brasil, muitos deles atendendo uma demanda local que cresceu muito, outros atendendo a demanda nacional e mesmo internacional, via Internet. Conheço um colega que mora no interior de São Paulo e não tem firma nem registro como autônomo, porque atende exclusivamente clientes no exterior, para os quais nada disso é necessário. Não há de ser o único.

Ele, como eu e muitos outros, reside na Internet. Seus clientes sabem que ele mora no Brasil, mas não fazem idéia de em que lugar fica a cidade onde ele mora nem estão interessados em fazer.

É desse mercado que vou falar com você nos próximos dias, talvez com alguma interrupção, para não ficar monótono. Por hoje, entretanto, é só. Este foi o primeiro artigo que escrevi sem óculos, tarefa que, até agora, me parecia impossível. Não esperava tanto da cirurgia de catarata. Até amanhã.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Tabelas, pisos, aviltamentos, etc.

No meio da conversa, sempre tem alguém que fale de preços e, aí, a conversa pega fogo.

O consenso geral é que nossas taxas estão defasadas em aproximadamente trinta por cento. Faça o teste num grupo de tradutores: proponha que deveríamos ganhar uns 30% a mais e veja como a maioria vai concordar. Trinta por cento é um valor mágico: a maioria acha "o justo".

Sempre tem alguém que vai falar numa tabela, num mínimo que nos obrigaria a todos. A maioria também vai concordar que isso seria ótimo. A maioria já perdeu serviços porque apareceu alguém cobrando a metade do preço deles e seria bom acabar com essa prática destrutiva.

Ficam todos felizes, satisfeitos: é uma excelente idéia. Mas a felicidade termina quando se tenta dizer qual é esse mínimo. Cada um pensa em um valor, digamos, 10% abaixo do que estão cobrando agora. Assim, não vai vir safado nenhum cobrar metade e pegar o serviço. Se cobrar 10% a menos, sempre dá para arranjar um desconto e ainda sobreviver.

Mas acontece que, como os preços variam muito de tradutor para tradutor, o mínimo que serve para uns pode ser irrisório para outros e inalcançável para outros. Então, aparece uma turma dizendo vocês não entenderam, é um piso, quer dizer, quem quiser e puder cobrar mais, que cobre. Tudo bem, mas como é que eu vou explicar para o meu cliente que meu preço é o triplo do piso? Bom, esse é o meu problema, claro, eles não tem nada com isso, que o coleguismo só chega ao exigir um aumento dos que cobram menos que eles e lhes roubam serviço. Quando eles pegam um serviço, cobrando metade do que eu pedi, isso se chama… se chama como?

Mas a turma que cobra mais procura forçar o piso para cima, porque se é para ter piso baixo, então não adianta ter piso.

É mais ou menos nessa hora que a discussão azeda e a turma começa a se desinteressar da conversa. Mas a conversa não morre de todo. Mais dia, menos dia, ressurge, igualzinha ao que foi na vez passada.

Por hoje, é só. Amanhã tem mais. Não esqueci da história de trabalhar para o exterior e receber de clientes de fora. Mas ainda vai ter de esperar um dia ou dois.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Vida de tradutor

Ontem, pela primeira vez desde que criei o blog, deixei de postar. Espero que isso não ocorra de novo. O fato é que sábado fui operar a primeira catarata. Postei de manhã, fiz a cirurgia de tarde. Foi tudo bem, mas fiquei meio baleado. No domingo, achei que o computador, eu e – por que não dizer? – també você, todos mereciam um descanso. Volto hoje.

Isso me lembra que um dos problemas mais graves dos tradutores independentes é ficar preparado para os “imprevistos”. “Preparar-se para os imprevistos” é autocontraditório, mas não deixa de ser uma necessidade. Pagar convênio do próprio bolso, recolher INSS pontualmente, coisas que eu nem sempre fiz, mas deveria ter feito. Tenho um bom seguro de vida e invalidez, mas, cretinamente, rejeitei a opção que me indenizava por dias parados por motivo de doença. Em mais de 35 anos, nunca precisei, mas outro dia encontrei um colega que ficou seis meses de molho e está agora numa encrenca dos diabos. Vai sair dela, tenho certeza, porque é um sujeito valente. Mas vai suar frio.

Cuide-se. As doenças atacam de emboscada, nas horas menos esperadas e a idade corre. Quando menos esperar, você está à beira da aposentadoria. Quer dizer, se tiver recolhido INSS, claro.

Antes de acabar, uma palavrinha para o Ricardo, que, num comentário aí abaixo, sugeriu que eu falasse sobre receber dinheiro do exterior. Entre amanhã e depois, iniciou uma breve série sobre o assunto.

Por hoje, é só. Amanhã tem mais.

sábado, 16 de dezembro de 2006

De quantas horas você vai precisar? (2)

Um dos fatos que é bom ter em mente, nessas discussões com clientes, é que há uma diferença entre trabalhar com vínculo empregatício e sem ele. Se você não tem vínculo empregatício, quer dizer, não tem carteira assinada, ninguém tem nada que saber quanto você ganha – exceto o imposto de renda. Muita petulância querer ficar fazendo continhas para saber quanto eu vou ganhar por hora ou por mês ou o que seja.

Se o cliente achar alto seu preço, tem toda a liberdade de procurar quem cobre menos. Vai encontrar: não importa o que você cobrar, sempre tem quem cobre menos. Cabe a ele decidir se vai entregar o serviço a você ou ao outro. Mas não lhe cabe o direito de saber quanto você ganha. Não é da conta dele e pronto.

É necessário fazer pé firme nessas horas. Eu disse que o número de horas é confidencial e não contei, nem dei uma idéia, nem dei uma dica, nem passei por cima. Boca de siri.

Meu único comentário foi a propósito da afirmação de que o cliente precisava de um parâmetro para comparação: digamos que o tradutor médio faça esse serviço em dez horas e eu, pela minha experiência, habilidade e vivência de tradução e do assunto, faça em cinco. Você acha que, fazendo em menos tempo, eu devo cobrar menos pelo trabalho do que cobraria o tradutor mais lento e ser punido pela minha eficiência?

A conversa ficou por aí, assim como a nossa, por hoje, fica por aqui. Volte amanhã, que tem mais. A semana que vem, vai sair a agenda de cursos e palestras a distância pela Aulavox, inclusive a Reunião na Sala 7, que é grátis. Mas grátis de verdade: não fazemos coleta, não passamos rifa, não cobramos dízimo, não pedimos nem aceitamos doações. Todos são bem-vindos, não importa onde morem ou seu grau de experiência.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

De quantas horas você vai precisar?

Temos muitos colegas que brigam por unidades de medição do trabalho: cobram por, digamos, lauda e ficam furiosos se o cleinte quer pagar por palavra do original. Tenho uma abordagem diferente: deixo o cliente definir a unidade de medição (lauda, toque, palavra do original, Normzeile, o que diabo seja) e ajusto minha tarifa como necessário. Já, inclusive, falei disso aqui.

Para clientes finais, muitas vezes coto preço fechado. Faço lá minhas contas e digo, "para traduzir o docuemnto X, tantos reais". Agências não gostam desse tipo de cotação, mas os clientes finais muitas vezes preferem. Alguns deles acham que, assim, obtêm um preço mais baixo, o que, no meu caso, não é verdade.

Às vezes, quando é difícil quantificar o trabalho, a gente faz um acerto que, no fundo, é o mesmo do preço fechado: combina-se um tanto por hora, mas com um limite de umas tantas horas. Quer dizer, se eu me comprometo a fazer um serviço a USD 50 por hora e não exceder 4 horas, estou, evidentemente, cobrando um máximo de USD 200 por ele. É, na verdade, um preço fechado, porque a gente acaba semre cobrando o máximo.

Mas um dia, depois de eu cotar um preço fechado, o cliente me perguntou de quantas horas eu iria precisar. Num instante, percebi qual era o objetivo: dizer que meu preço por hora era alto e que eu tinha de dar um desconto. Sabe aquela história do "por esse preço por hora, vou ser tradutor também"?

Então disse que esse dado era confidencial e nada me demoveu da posição. Um absurdo.

Ele argumentou mil coisas, que era praxe da própria firma dele cotar por número de horas (verdade, mas mentiam adoidado), que ele precisava de um parâmetro de comparação com o preço dos meus concorrentes (já tinha: era o preço fechado) e mais um trololó sem fim. Mas não cedi. Se ele queria um preço por hora, deveria ter pedido antes.

Amanhã, voltamos ao assunto. Por hoje é só.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Sorte, máfia, QI (3)

Este é o terceiro e último artigo sobre este assunto, pelo menos por enquanto.

Talvez para encerrar, acho importante dizer que apresentar-se nos grupos, dizer o que estudou, onde trabalhou, que programas sabe usar, que assuntos conhece.

Tudo isso é importante e útil. O que pega mal é pedinchar serviço. Coisas do tipo pessoal, vê se alguem aí pode me arranjar alguma coisa, que a situação anda preta aqui. Cria um constrangimento imediato. Na verdade, ninguém pode inventar serviço para você porque você está precisando. Podem, evidentemente, lembrar de você se acharem que você é a pessoa certa para um determinado serviço.

Também pega mal dizer algo do tipo estou querendo entrar na área X, mas a máfia fechou a porta. Primeiro, porque ninguém pode fechar a porta para você. Segundo, porque um dos circunstantes pode estar exatamente naquela área e se sentir ofendido.

Mas não deixe de aparecer, de se apresentar, de deixar seu cartãozinho de visitas. Como eu sempre digo, moça bonita que põe vestido bonito e fica trancada no quarto com a janela fechada não arranja namorado.

Chega deste assunto, pelo menos por agora. Amanhã, falamos de outra coisa.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Sorte, máfia, QI (2)

Continuando o artigo de ontem, acho que agora temos de distinguir “QI” (quem indica) de “propaganda boca-a-boca”. Propaganda boca-a-boca é quando alguém me indica para um serviço, em justo reconhecimento de minhas qualidades. QI é quando algum dos meus concorrentes é recomendado por um dos seus cumpinhchas.

O fato é que muito serviço de tradução passa de mão em mão com base em informações particulares. Muitas vezes, de tradutor em tradutor. Por exemplo, um laboratório farmacêutico tem confiança em seu tradutor de muitos anos, mas sabe que ele só mexe com medicina, jamais com jurídico. Lá pelas tantas, precisa da tradução de uns contratos e pergunta ao seu tradutor se pode recomendar alguém. Ou um tradutor qualquer se vê assoberbado de serviço e procura, entre seus colegas, quem possa ajudar no aperto. Ou uma agência pega um serviço grande e precisa de mais gente e lança um aviso geral de que está procurando quem saiba mexer com Trados. Ou um sujeito, num boteco está reclamando que a firma dele precisa de um tradutor e o teu primo lembra que você se diplomou e está aí, vendo se consegue se firmar na vida. Coisas desse tipo.

Acontece muito, não porque os veteranos mantenham o mercado na rédea curta: nem teriam como, mesmo que quisessem. Mas acontece que o nosso mercado, formado de milhares de prestadores de serviço independentes, funciona mesmo assim.

No primeiro congresso de Tradutores a que compareci, conheci a Waldívia Marchiori Portinho, tradutora porto-alegrense atualmente residindo no Rio de Janeiro e grande líder da profissão, que disse “a maior fonte de trabalho são os colegas". Quando ouvi isso, lá para 1972 ou 1973, achei que ela tinha ficado doida. O tempo me mostrou que ela estava certíssima.

Por hoje é só. Amanhã ainda falamos um pouco disso. Parece ser um assunto interessante.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Sorte, máfia, QI

Quando alguém pergunta como entrar no mercado de tradução, sempre há alguém que reclame que o mercado é dominado por uma máfia, que é necessário ter muita sorte para entrar e que o QI vale mais que qualquer outra qualidade.

No meu tempo de iniciante, ninguém falava em máfia, mas se falava de "igrejinha" e "panelinha"; em vez de “QI”, falava-se em “cartucho”, mas, no fundo, dá no mesmo: a linguagem mudou, as idéias continuaram as mesmas. Quando comecei, me deram a revoltante informação de que a tradução era apanágio de meia dúzia de velhinhos sebosos que não deixavam os jovens entrar. Agora, que eu faço parte integrante do grupo dos velhinhos sebosos, quando a gente se encontra, um dos assuntos é a revolta perante essa molecada que ainda ontem usava cueiros e tenta forçar a entrada no mercado a toda força, aceitando, inclusive, preços vis e prazos absurdos. Assim é a vida: muito depende do lado do muro em que você está.

Fala-se muito na necessidade de sorte para entrar no mercado. É verdade, quem não tem sorte não vai longe na vida e quem tem azar, então, está perdido. Mas não adianta apenas ter sorte. É necessário estar preparado para a hora em que a deusa Fortuna passa cavalgando se corcel e agarrar a madame pelo cabelo com toda a força. Não adianta a sorte toda do mundo se você não só souber usar o computador para entrar em chat e se tiver feito faculdade sentado na mesa do boteco da esquina. Também não adianta se você não pesquisar e revisar sua primeira tradução ao menos sete vezes antes de entregar ao cliente ou se entregar fora do prazo. Coisas assim.

Quanto à máfia, se você faz absoluta questão de ser tradutora de poesia, vai descobrir que o número total de livros de poesia traduzidos no Brasil em um ano deve ser inferior a uma dúzia (em outros países é menos ainda) e há menos de meia dúzia de tradutores de poesia em atividade no país, gente cujo nome vende livro e, por isso, são os preferidos dos editores. Haverá mais um ou outro nicho desses, onde é dificílimo entrar. Mas, fora disso, tem tradução a dar com pau, num mercado altamente diversificado e globalizado, que não é controlado por ninguém.

Com meus 35 anos de mercado, não controlo coisa alguma e não acredito que alguém controle. Por mais que eu quisesse impedir que alguém entrasse no mercado, não teria como.

Do “QI” falamos amanhã. Por hoje é só.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Tradutor com "T"

Sou tradutor. Sou tradutor porque gosto de traduzir. Gosto de traduzir e pronto. A roda da fortuna fez de mim um especialista em contabilidade e finanças, mas, quando comecei, não entendia nada dessas coisas e tive de aprender. Quando me perguntam se eu não gostaria de traduzir algo "mais interessante", acho graça. Traduzir em si é interessante. Não é o texto ou seu hipotético valor literário que torna a tradução interessante. Traduziria com a mesma satisfação filosofia ou histórias em quadrinhos. Em mais de 35 anos de profissão, nunca traduzi nenhuma dessas coisas que tanta gente considera “interessantes”, mas achei muito interessante traduzir tudo o que traduzi até hoje. Ninguém, nem eu próprio, leria as coisas que eu traduzo por prazer, mas eu traduzi todas essas coisas com imenso prazer.

O interesse do traduzir não está no conteúdo do original, mas sim no desafio da tradução. E podem ter certeza de que o desafio da tradução é subjetivo: quer dizer, está mais dentro de você do que no texto a traduzir. Os outros talvez não percebam, principalmente porque nunca tentaram traduzir o texto. Entretanto, quando você se senta ao computador, os desafios começam a pular da tela. E, se você não percebe onde estão os desafios, os problemas, é que não foi suficientemente fundo na questão.

Imagine um professor de inglês. Todo ano tem que ensinar, de novo, as mesmas coisas. Todo ano, tem que ensinar a turma a diferença entre os adjetivos possessivos e os pronomes possessivos. Se tiver alma professora, se for Professora com “P” maiúsculo, vai adorar. E cada vez que tiver de apresentar a mesma matéria, vai apresentar de uma maneira um pouquinho diferente, aproveitando a experiência adquirida anteriormente. E a cada vez que apresentar diferente, vai ter a esperança de apresentar um pouquinho melhor. Assim sou eu com a tradução. Só Deus sabe quantas vezes traduzi “current assets” na minha vida, mas eu sei que sempre com prazer.

Tradutor com “T”, quer dizer, com tradutor com tesão, tesão de traduzir, traduz qualquer coisa com prazer. O que eu quero é traduzir. O que vier, a gente traça com prazer.

Por hoje é só. Volte amanhã, que tem mais.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Domingo e eu aqui

Domingo e eu trabalhando. Trabalho por conta própria, algo que geralmente causa inveja em meus conhecidos que "têm que bater ponto". É, de fato, muito bom. “Ir para o escritório" significa atravessar um hiato de cinco metros que separa o escritório da cozinha. Não ter de encarar o trânsito na Grande São Paulo já é uma bênção. E trabalho vestido como quero, o que também não é pequena vantagem. E ouço a música que quero ouvir, o que também não é de se desprezar.

Conheço um escritório onde o pessoal se divide em turmas do rock, da mpb e da sertaneja, o que significa que, em qualquer momento, dois terços do pessoal estão irritados com o que ouvem. Eu simplesmente mudo de estação ou toco um CD. Maravilha.

Por outro lado, trabalha-se muito e, você pode ter certeza, toda sexta-feira tem serviço novo para a segunda. Tirar férias é difícil, livrar-se da família que raramente entende que você trabalha e que está ocupado e que não pode parar um instantinho só para receber a tia Robustiana que veio de visita, coitada, que é tão boa para você e sempre te recebia de braços abertos quando você ia passar as férias lá.

A turma, muitas vezes, reclama. Eu me acostumei e nem ligo mais: faço o que gosto, gosto do que faço e, como isso, ganho o meu pão e o presunto também. Mas, se você quer ser tradutor e pensa que vai pegar um “nove-às-cinco” maneiro, provavelmente vai ter uma desilusão. Há, de certo, muitos empregos de tradutor em escritórios de tradução e mesmo empresas que não têm nada que ver com tradução. Mas esses, de vez em quando, ou de vez em freqüentemente, ou até de vez em sempre, acabam pedindo para os tradutores darem uma esticadinha ou terminar um servicinho em casa. E, claro, você ainda tem que enfrentar o trânsito. E vestir algo de decente para ir ao escritório. E agüentar a música.

Por hoje, é só.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Tradução e música

Hoje, na “Reunião na Sala 7” que a Aulavox nos permite realizar grátis uma vez por mês e onde ficamos um tempo falando sobre assuntos profissionais e, entre outras coisas, mal dos ausentes, um colega perguntou, assim, muito genericamente, se havia alguma relação entre tradução e música.

Acho que sim. Sou doido por música, se é que alguém ainda não sabe disso, e um daqueles chatos que distinguem Bruch de Bruckner e sabem que nenhum dos dois tem coisa alguma que ver com Buxtehude. Para mim, traduzir é o mesmo que tocar um instrumento musical. Emil Gilels toca piano, eu toco computador e pronto. Vejam que a terminologia inclusive tem muito em comum. O pianista interpreta Beethoven, por exemplo. E nossos bons amigos Vinay e Darbelnet falam em transposição e em modulação. O original é a partitura, a nossa tradução é a gravação. Há bons intérpretes de Chopin como há bons intérpretes de medicina ou veterinária.

O intérprete de música clássica toca rigorosamente o que está na partitura, ao contrário do que acontece na música popular, onde se tem mais liberdade. Mas você pega duas interpretações da mesma peça musical, por dois musicistas diferentes, tocando exatamente as mesmas notas, e vai ver que não são a mesma coisa. E mesmo se você pegar duas interpretações da mesma peça, pelo mesmo executante, em data diferentes, também vai notar diferença. Igualzinho ao que acontece com tradução.

Por hoje, é só. Até amanhã.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Descontos por volume

O cliente tem um serviço grande e, por isso, pede um desconto de volume. O cliente sempre pede desconto. Se não pedir por volume pede por qualquer outra razão. Já me pediram um desconto de urgência. Mas disso, falo outro dia: agora vamos falar dos descontos por volume.

A rigor, você só deve conceder descontos por volume se o trabalho tiver muitas repetições. Nesse caso, você usa um programa de memória de tradução, processa o serviço com muito mais facilidade e, portanto, em menos tempo – e pode rachar o ganho com o cliente: o cliente paga um pouco menos, você ganha um pouco mais, ficam os dois felizes.

Mas, se o serviço não tiver repetições, os grandes serviços deveriam ter um adicional de volume, porque manter uniformidade e coerência em um texto de 500.000 palavras exige um esforço enorme do tradutor. O cliente pode entender e pode não entender essas coisas mas, mesmo se entender, jamais vai em reconhecer que entendeu, para não ter que pagar mais. Você, entretanto, precisa saber disso. Você precisa saber que na tradução, salvo no caso que mencionei, das repetições, não há ganho de escala e, portanto, não cabe conceder descontos por volume. Quem concede desconto por volume, ganha cada vez menos para trabalhar cada vez mais.

Só vale a pena conceder esse tipo de desconto se você estiver com pouco serviço e se o prazo for razoavelmente longo, de modo que, se aparecer algo mais bem pago, você possa encaixar, sem atrasar o serviço de grande volume. Mas é um jogo arriscadíssimo: se você não tem serviço hoje, pode ter amanhã e o servição que era a sua esperança pode se tornar um fardo insuportável. E, claro, o prazo é sempre apertado demais para permitir encaixes. Sempre.

Isso tudo que eu escrevi aí acima não vai adiantar nada. A primeira vez que te oferecerem 5000 laudas para traduzir, desde que seja com um bom desconto, você vai conceder um baita desconto, se matar de trabalhar, virar noite, perder outros serviços mais bem pagos, perder outros clientes que não vai poder atender, mas não vai resistir ao canto da sereia das 5000 laudas. O peixe morre pela boca. Depois, vai se arrepender e se lembrar deste artiguinho. Mas aí vai ser tarde.

Por hoje chega, amanhã tem mais.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

A Comissão justa

A colega me escreveu, explicando que, de vez em quando, sobrava algum trabalho e ela repassava a algum colega e me perguntando que porcentagem seria “justo” cobrar como comissão, considerando-se o trabalho de administrar o serviço e o tempo de revisão e tal.

Para começo de conversa não acredito que haja uma "porcentagem justa". O mínimo que seria sensato reter num serviço a ser terceirizado é o que compensasse o trabalho de terceirizar. Quer dizer, se você recebeu um serviço de um cliente, gastou x horas procurando quem fizesse, distribuindo o serviço, coordenando a equipe, revisando, respondendo perguntas e o que mais seja e, no fim das contas, descobriu que, se tivesse ficando essas x horas traduzindo, teria ganhado muito mais, perdeu dinheiro de bobeira. Se ganhou exatamente o que teria ganhando traduzindo, então só empatou.

Do ponto de vista do tradutor, a conversa é outra: quanto é que eu vou receber pela tradução? Se alguém me oferecer serviço a R$ 0,05 por palavra, não adiante dizer que não está retendo comissão, porque não vou aceitar. Não vou aceitar, pelo simples motivo de que, no momento atual, tenho um excelente fluxo de serviço com preço maior e, se aceitar cinco centavos por palavra, vou me arriscar a perder algo muito mais bem pago, quer dizer, vou me arriscar a ter de pagar pela honra de trabalhar para essa pessoa.

Por outro lado, se me oferecerem serviço pela tabela do SINTRA na minha área de especialização, aceito com prazer e nem quero saber quanto o terceirizante reteve de comissão. Não é da minha conta. Espero que ele esteja ganhando uma fortuna, que tenha muitos anos de vida, e que me mande mais serviço constantemente.

Quer dizer, para mim, tradutor, o que interessa é com quanto eu fico. Minha busca é por serviços que me paguem mais, não por terceirizantes que retenham comissões menores. Então, tem a colega tradutora que diz não te dá raiva ver eles ganharem tanto e nós tão pouco?. Na verdade, não. Fico com raiva quando ganho pouco, mas paro por aí. E também paro por aqui: por hoje, é só.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Vida de Tradutor - continuação

Meu computador, coitado, deu o prego ontem. Durante o dia, minha mulher e eu compartilhamos a máquina dela, para dar conta do serviço. De noite, voltou a máquina do conserto e fiquei até agora arrumando detalhes. Ainda vou mais uma boa semana até poder instalar toda a minha tralha.

Artigo novo, mesmo, de verdade, só amanhã.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Vida de tradutor

Um dos dogmas básicos do setor de traduções, em nível internacional, é que todos traduzem exclusivamente para sua própria língua. As grandes agências americanas e européias, que formam um bloco de elite com grande influência sobre o que sucede na profissão, jamais nos pedem serviços de “versão” – ou, ao menos, é o que dizem.

Enquanto trabalhava basicamente para clientes brasileiros, eu fazia muito serviço para o inglês. Acho que até mais para o inglês que para o português. De repente, minha vida deu uma virada e comecei a ter cada vez mais clientes no exterior. Por isso, a participação do “para inglês” no meu trabalho foi caindo e houve meses em que não “verti” uma só palavra.

Ontem, entretanto, liga esbaforida uma agência cliente antiga, lá de Nova York. Tinha um apaga-fogo para mim e começou por dar graças a Deus de ter me encontrado em casa. Havia um porém, entretanto: tratava-se de uma tradução para o inglês. Simplesmente, não tinham conseguido ninguém, na carteira de prestadores de serviço deles, que entendesse português brasileiro o suficiente e estivesse disponível para encarar o serviço no prazo desejado. Então, como vocês sabem, não tem tu, vai tu mesmo, e ligaram para mim, cheios de desculpas e justificações.

Contaram uma história de que meu inglês ia ser revisado por um americano e tal, mas era mentira, como eu logo descobri. Meu serviço foi remetido diretamente para o cliente, com casca e tudo, entre outras coisas, porque não havia tempo para revisões.

Moral da história: como diz o marinheiro, em dia de tempestade, todo porto é amigo.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Comentário ao comentário: andei fazendo umas contas

Uma colega escreveu indignada com os clientes que não querem pagar os espaços. Eu já me indignei muito e, em outras eras, tive o apelido de “estopim”, porque partia para a confrontação à menor oportunidade. Não sei se a idade me tornou mais sábio ou mais covarde, mas o fato é que hoje me irrito muito menos que antes e achei uma série de meios de evitar os arranca-rabos com clientes que já fizeram parte integrante do meu dia-a-dia.

Então, fiz umas contas. Peguei um texto em inglês e sua tradução em português, feita por mim. Poderia ter pegado vários, para uma amostra maior. Se o assunto interessar a você, pode reconferir meus cálculos e mandar um comentário sobre eles. Dependendo do seu jeito de traduzir e dos textos que você traduz, os resultados talvez sejam diferentes.

Vamos lá, aos meus resultados:

O texto original em inglês tinha
• 10.553 palavras
• 61.133 caracteres, sem espaços
• 71.062 caracteres, com espaços

A tradução em português tinha
• 11.758 palavras
• 67.038 caracteres, sem espaços
• 78.226 caracteres, com espaços

Daí, podemos tirar uma porção de conclusões. Vou me limitar a umas poucas. Você pode tirar as suas e iniciarmos aqui uma boa discussão sobre quantificação de trabalho.

A primeira é que, na tradução, o texto cresceu cerca de 11%. Digamos que sua tarifa seja 10 centavos por palavra do original inglês. Nesse caso, numa cotação baseada no número de palavras da tradução portuguesa, para ganhar o mesmo, você deveria cobrar 9 centavos. Certo? Quer dizer, 10.553 palavras em inglês a R$ 0.10, dariam R$ 1.055,30. O mesmo texto, traduzido, daria 11.758 palavras em português, que, a R$ 0,09, dariam R$ 1.058,22. Praticamente o mesmo.

Quanto ao com/sem espaços, a história é um pouco diferente. A diferença entre “com” e “sem” é de aproximadamente 15%. Então, se eu cobrasse por número de caracteres, estabeleceria um valor para o “sem espaços”. Digamos, para fazer conta redonda, que eu cobrasse R$ 10 reais por mil caracteres, com espaços. Então, o valor para “sem espaços” seria aprocimadamente R$ 11,50. Quando o cliente perguntasse o valor, a resposta seria “R$ 11,50 por mil caracteres, mas não cobramos os espaços. Caso o senhor prefira pagar os espaços, há um desconto de 15% sobre essa taxa”. “Caso o senhor prefira” e “há um desconto” são expressões que granjeiam a voa vontade do cliente e, neste caso, podem ser usadas sem risco de perder o dinheiro.

Por hoje chega, amanhã tem mais.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Antes que me esqueça de lembrar,

não se esqueça você da Reunião na Sala 7. Como é virtual, você pode participar, não importa onde esteja. E é grátis, mas, lamentavelmente, não é possível servir lanchinho.

Truquinho de Word

Cada vez que dou um curso de Trados ou de Wordfast ensino o mesmo truquinho, um truquinho bobo, muito bobo, mas bastante útil. Raros são os que conhecem. Se você não conhecer, boa hora para aprender. Faça o seguinte: num documento em Word, deixe o cursor em uma palavra qualquer, aperte Shift e F3 ao mesmo tempo e veja o que acontece. Aperte de novo. Mais uma vez. Gostou? Se gostou, selecione um grupo de palavras, podem ser duas, três, um parágrafo ou até o documento inteiro – e repita o processo.

Por hoje é só. Amanhã tem mais.

O fim do IEDEC de pedra e cal

Ontem, apresentei meu último curso no IEDEC de pedra e cal. A sede, na praça Dom José Gaspar, vai fechar. Doravante, todos os cursos serão a distância, via Internet. Ensino a distância funciona, funciona bem e, em certos casos, funciona bem melhor que o ensino presencial. Um dos casos é o treinamento no uso de programas de memória de tradução, onde tenho achado mais produtivos os cursos a distância: você trabalha no seu ambiente, no seu computador e, depois, quando vai trabalhar sozinho, não tem surpresas.

Para o instrutor, faz falta aquele olho brilhante lá no fundo da sala, do participante que descobre que o que ele achava que ia ser um problema é, na realidade, algo muito fácil de fazer; a paradinha para o café com fofoca no meio do curso; o abraço carinhoso no fim do curso.

Tive, também, de mudar as apostilas, porque a abordagem tem de ser outra. Mas, uma vez qua a gente se adapte, é uma delícia.

A grande vantagem é atingir gente em lugares onde não é possível levar o curso presencial. E, para mim, não ter que ir ao centro de São Paulo que, sem ser de todo longe demais, também não fica ali na esquina.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Comentário do comentário: coisas que cliente diz

O Graeme, colega tradutor e intérprete opera lá no Nordeste, visitou o blog e deixou o recado:

É, de fato, espantoso o que um tradutor ouve ao conversar com leigos e, principalmente, clientes com expectativas surpreendentes quanto a preço, prazo etc. …Já ouvi coisas do tipo... "mas você cobra até pelas preposições e artigos?"... e fiquei tentado a dizer... "não necessariamente... posso enviar o texto (de 20 páginas) com todas as preposições e artigos ainda em português, se preferir..." mas consegui resistir à tentação.

Não acho nada disso espantoso, Graeme. Alguns realmente não entendem, o que não é de estranhar, porque eu também não entendo a profissão dos outros. Outros entendem muito bem, mas querem ver se dão uma rasteira na gente e arrancam um desconto. Tudo isso faz parte.

Outro dia, um cliente me perguntou se o preço por palavra se aplicava igualmente às palavras grandes e pequenas. Perguntou porque tinha que perguntar, porque achava que tinha de questionar alguma coisa e não sabia bem o que questionar, porque não entendia nada de tradução e, portanto, fez aquela pergunta, como poderia ter perguntado se eu cobrava também pelas palavras iniciadas por “f” ou terminada por “x”, se me faço claro. Tive vontade de dar uma resposta mal-educada ou, ao menos, gozadora, mas como o Grame, resisti. Mas acho que não me saí mal: disse que o preço por palavra era corrigido por um fator calculado estatisticamente, padrão para o setor de tradução, que compensava as palavras curtas com as longas. O cliente ficou todo pimpão e impressionadíssimo com meu profissionalismo.

É preciso manter o bom humor. Por hoje é só. Amanhã tem mais.



sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Resposta: que é "memória de tradução".

Colega, em comentário, pergunta o que é “memória de tradução”.

Memória de tradução tem dois significados.

  1. Um repositório pesquisável (a) das traduções que fizemos usando um programa apropriado e (b) de outras traduções convertidas para o formato apropriado pelo uso de um programa especial, num processo que se chama alinhamento. Esse repositório é o que o pessoal da lingüística de corpus chama corpus paralelo.
  2. Um programa que, entre outras coisas, cria esses repositórios e vai adicionando a eles material à medida que vamos traduzindo e, ao mesmo tempo, automaticamente consulta esses repositórios em busca de informações úteis para o tradutor.

O meu repositório, tem mais de 10 milhões de palavras. Imagine o tesouro que tenho para fins de pesquisa.

O programa mais conhecido desse tipo é o Trados, mas eu, e muita gente mais, acha que a popularidade do Trados é mais fruto do bom marketing do que da qualidade de programa. A meu ver, o Wordfast é muito superior e, ainda a meu ver, é saber usar programas de memória de tradução, principalmente Trados e Wordfast, é tão absolutamente essencial para o tradutor quanto saber usar um estetoscópio é essencial para o médico. Acho extraordinário, inclusive, que uma escola superior conceda diplomas de tradutor a alguém sem lhe ensinar a usar essas coisas.

Antes que me esqueça, duas informações importantes: primeira, que quando você usa programa de memória de tradução, é você quem traduz, não o programa. O programa busca e oferece sugestões, mas não traduz nada; segunda que Trados, Wordfast, DéjàVu e seus concorrentes fazem muito mais que gerenciar memórias de tradução.

Por fim, para dar um exemplo extremo, mas por isso abrangente, e que vai responder muitas perguntas antes que sejam feitas: se eu soubesse russo e fosse traduzir Guerra e paz para o português, certamente usaria um programa de memória de tradução.

Amanhã tem mais.



Resposta: Como aprender a escrever 400 palavras...

Uma colega deixou o seguinte comentário

Tenho um comentário, [...] uma opinião minha sobre um e-mail muito divulgado. […] Como aprender a escrever 400 palavras em Inglês em apenas um minuto..., etc. – (O resto vocês já conhecem.)

Conheço o e-mail, sim, e também uma versão em pps. É uma bobagem. Dá a impressão de que o autor descobriu a pólvora, quando não descobriu nada. Alem disso, dá a impressão de que é possível reduzir o aprendizado de línguas a meia dúzia de regrinhas, “dicas e macetes”. Não, não é, e você sabe disso. O que me surpreende é que continue circulando por aí, mesmo em listas de discussões de tradutores.